“Falso recordista” Geoffrey Mutai vence Maratona de Nova York

Geoffrey Mutai tem como melhor marca recorde mundial não homologado  em Boston (foto: George Roberts/ Licença Creative Commons)
Geoffrey Mutai tem como melhor marca recorde mundial não homologado em Boston (foto: George Roberts/ Licença Creative Commons)

O queniano Geoffrey Mutai venceu nesse domingo (06/11) a Maratona de Nova York, nos Estados Unidos, e bateu o recorde do percurso por dois minutos e 37 segundos. Mutai ganhou notoriedade em abril, ao vencer a também norte-americana Maratona de Boston com o tempo de 2h03min02s, marca abaixo do recorde mundial que então era 2h03min59s, do etíope Haile Gebrselassie, na Maratona de Berlim de 2008 mas seu tempo não foi homologado como recorde porque foi considerado que o vento a favor beneficiou os corredores*.

Em Nova York, o queniano correu disposto a provar sua competitividade e terminou a prova considerada lenta em 2h05min06. O recorde anterior do percurso era de 2h07min43 e durava dez anos, marcado pelo etíope Tesfaye Jifar em 2001.

Mutai assumiu a liderança da Maratona após o quilômetro 33, quando os líderes entraram na ilha de Manhattan, trecho final do percurso. O queniano acelerou e tomou distância do pelotão de frente, sem diminuir a passada até o término da prova.

“Não esperava vencer com esse tempo”, assume o vencedor. “Estou acostumado a correr assim no final da corrida, mas não esperava por isso”, revela. Perguntado sobre o atual recorde mundial, 2h03min38, do compatriota Patrick Makau, em Berlim (25/09), Mutai é sincero. “Qualquer um pode quebrá-lo”.

Prova feminina – Entre as mulheres, a também queniana Mary Keitany imprimiu ritmo impressionante desde o início da prova. Seu tempo na metade do percurso foi quatro minutos e meio mais rápido que o da compatriota Margaret Okayo em 2003, quando foi estabelecido o recorde de 2h22min31.

A estimativa durante a prova era que Keitany batesse o recorde por aproximadamente seis minutos, mas a fundista não foi capaz de manter a cadência e foi ultrapassada pelas etíopes Buzunesh Deba e Firewihot Dado no quilômetro 41.

Dado foi a vencedora, em 2h23min15, seguida da compatriota e com Keitany em terceiro. Derrotada, a queniana não assumiu o erro de estratégia. “Se vier no ano que vem, correrei da mesma forma. Não vou mudar”, defende-se.

Temporada notável – A Maratona de Nova York encerra a temporada das maiores maratonas do mundo as WMMs, World Marathon Majors que corou o homônimo de Geoffrey Mutai e segundo colocado em Nova York, Emmanuel Mutai, como o campeão do circuito. Tricampeã em Chicago, a russa Liliya Shobukhova terminou como líder do ranking feminino.

As cinco maratonas Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York tiveram seus recordes quebrados nesta temporada. Junto com a prova do Mundial de Atletismo, em Daegu (Coreia do Sul, em setembro), consolidaram ainda mais o Quênia como a melhor escola de fundistas do mundo. Em todas as seis maratonas, os dois primeiros colocados são naturais do país africano.

*A IAAF considera que provas com distâncias superiores à metade da distância total do percurso separando a largada e a chegada da prova não são válidas como recorde, porque uma distância longa no mesmo sentido favorece os corredores em caso de vento a favor. É o caso de Boston.

Além disso, a variação de altimetria é superior ao permitido para homologação de recordes, a de um metro por quilômetro (variação de mais de 42 metros em uma maratona, por exemplo).

Este texto foi escrito por: Webrun

Redação Webrun

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