• Atletismo - “Troquei o vício da comida pela corrida”

“Troquei o vício da comida pela corrida”

Antes da cirurgia Marcelo pesava mais de 160kg (foto: Arquivo pessoal)
Antes da cirurgia Marcelo pesava mais de 160kg (foto: Arquivo pessoal)

O jornalista Marcelo André Carone, 27 anos, sofria de obesidade mórbida. Ele chegou a pesar mais de 160 kg e no início de 2005 se submeteu à cirurgia de redução do estômago. Normalmente quem passa por essa cirurgia tem um ano e meio para reduzir 40% do peso. Ou seja, Marcelo teria até meados deste ano para perder 65,2 Kg. Mas três meses após a cirurgia, o jornalista conseguiu perder 40 kg.

Um ano após a operação, ele já eliminou 75kg. Como isso aconteceu? Segundo Marcelo, a chave do sucesso está na determinação, disciplina e na corrida. Mas o desafio não foi tão fácil.

Nos três primeiros meses do pós-operatório, os novos magros (chamados pelos médicos), só podem caminhar. Passado esse período, estão liberados para qualquer atividade física. Marcelo, incentivado pelo irmão que também passou pela cirurgia, começou a treinar corrida. Sua primeira prova foi os 10km Unicsul em São Paulo, no ano passado. Ele correu cinco quilômetros em 32 minutos. “De lá para cá, não larguei mais. Hoje corro, em média, uma ou duas provas por mês”, diz.

O jovem costuma intercalar os treinos de corrida e musculação para evitar lesões e fadigas musculares. Ele corre de segunda-feira e quarta. Nos outros dias faz musculação, incluindo o sábado. Sem contar o futebol uma vez por semana e, até o mês passado, os ensaios na escola de samba, outra paixão dele. “Comecei a fazer musculação este ano porque tenho um pouco de flacidez na região da barriga. Como morro de medo de cirurgia, capricho nas abdominais”, afirma. Quem não sabe do passado dele, não diz que já foi obeso.

Segundo Marcelo, quando começou a correr, seu objetivo era somente terminar bem as provas. Hoje, mais experiente, ele vai além. “Este ano vou correr uma meia maratona e também quero participar da Maratona de São Paulo”.

A cirurgia do Marcelo foi, sem dúvida, um caso bem sucedido. Mas, segundo o Dr. Sizenando Ernesto de Lima Jr., que fez a operação, o sucesso se deve muito mais ao fator psicológico do que ao físico.

“A cirurgia não muda a genética nem a cabeça do obeso. O sucesso está em a pessoa começar a pensar com a cabeça de um magro”, afirma. O médico ainda explica que o obeso sofre da compulsão por comer. E, após a operação, essa compulsão deve-se transformar em algo benéfico para ele. “Tudo em excesso faz mal. Mas precisamos transformar essa compulsão em algo que não seja a comida, nem drogas e álcool. Por isso, a atividade física é uma das melhores saídas”, diz.

O cirurgião enfatiza que o primeiro e o segundo ano são os mais fáceis de manter a disciplina. Depois, complica. “Aí a vantagem de ser ativo. A prática de exercícios, como a corrida, auxilia muito na manutenção”, afirma.

Como funciona a cirurgia A cirurgia de redução de estômago consiste em diminuir o aparelho digestivo em 70%. Nos 30% que restam, é colocado um anel para “lembrar” o paciente da importância de uma boa mastigação. Caso isso não ocorra ou ele abuse da comida, os resultados são vômitos e até pedaços de alimentos entalados, que são retirados no hospital.

Uma pessoa que sofreu a intervenção cirúrgica deve tomar muito cuidado com doenças, como a anemia, já que todos os nutrientes devem ser consumidos, mas num número menor de refeições. Diferente de uma pessoa com 100% do aparelho digestivo, o ex-obeso consegue fazer, no máximo, quatro refeições diárias, sendo que uma delas deve ser algo bem leve, como uma fruta.

O objetivo da operação é aumentar o tempo e a qualidade de vida de quem sofre de obesidade. Hoje a expectativa de vida de quem está bem acima do peso é de 20% a menos do que quem está no seu peso normal.

As indicações cirúrgicas para o tratamento da obesidade mórbida são: peso corporal 45 kg acima do peso ideal, ou seja, Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 40, mantido por período mínimo de dois anos. Também são candidatos à cirurgia pessoas com IMC entre 35 e 40, caso apresentem manifestações graves de doenças associadas, porém reversíveis ou mais facilmente controláveis com a perda de peso, tais como: diabetes, hipertensão arterial e osteoartroses.

  • O IMC pode ser calculado com a simples fórmula: peso dividido pela altura ao quadrado (IMC= Peso (Kg)/ Altura2)

    Já as contra-indicações da cirurgia, são quando o paciente tem dúvidas sobre as modificações que a redução do peso trará em sua vida, já que nesse sentido o indivíduo é soberano em sua decisão. Do ponto de vista médico está contra indicada nos portadores de alcoolismo, especialmente se já desenvolveram cirrose hepática, no usuário de drogas e em alguns distúrbios psiquiátricos.

    Este texto foi escrito por: Yara Simões

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