1960 – Jogos Olímpicos de Roma

1960 – Roma
25/08 a 11/09

O imperador romano Theodosius, em 393 D.C., ordenou o encerramento dos Jogos Antigos e agora cabia a Roma sediar os Jogos Olímpicos. Os organizadores, com grande senso do passado, usaram a gloriosa arquitetura de Roma para conectá-la aos Jogos Modernos. As lutas foram realizadas na Basílica de Maxentius, onde ocorriam as lutas antigas. A ginástica ocorreu nas Termas de Caracalla.

O Foro Olímpico foi construído por Mussolini para as competições de atletismo e natação. O itinerário da tocha olímpica seguiu por cidades da antigüidade relacionadas aos Jogos e pelas províncias que marcaram a civilização grega na Itália. Estiveram presentes nos Jogos 5.340 atletas (sendo 537 mulheres) representando 85 países. Vale lembrar que na época a ONU tinha apenas 82 países. Destaque para o credenciamento de 1.531 jornalistas.

Na abertura, ocorreram 2 fatos curiosos: haviam duas Alemanhas desfilando com a mesma bandeira e Taiwan desfilando com uma plaqueta “under protest” (sob protesto), pois o COI não os deixou desfilar como China. A batalha entre as nações prosseguiu e a URSS venceu 43 medalhas de ouro, contra 34 americanas e 13 da Itália. O Brasil conquistou 2 medalhas de bronze, com Manoel dos Santos nos 100 metros nado livre e no basquete.

Estréia o vídeo tape, permitindo assim a cobertura mundial de TV. Foi o início da cobertura de Tv dos Jogos

O americano Cassius Marcellus Clay, de 18 anos, ganhou a medalha de ouro na categoria meio-pesado. Ficou tão orgulhoso com sua medalha de ouro que ficou com ela no pescoço ininterruptamente por 2 dias. Mesmo jovem, já era um showman, falando sem parar. Cassius Clay, depois Muhammad Ali, foi o grande campeão mundial do boxe na categoria peso-pesado e responsável por acender a pira olímpica nos Jogos de Atlanta/96, numa cena que comoveu o mundo.

O etíope Abebe Bikila, de 28 anos, um desconhecido para o mundo, venceu a maratona correndo descalço. Consagrou-se num belo e histórico percurso, com largada no Capitólio, passando pela Via Apia, na única maratona olímpica que não terminou em um estádio pois o seu final foi no Arco de Constantina. O que poucos sabem é que ele e seu técnico haviam feito o percurso antes e notaram que o ponto da arrancada final deveria ser no Obelisco de Axun, que ficava, aproximadamente, 1,5 km antes do final da prova. Este marco para o sprint final tinha um especial significado para ele, pois o obelisco era etíope e havia sido trazido para Roma depois de ser roubado pelas tropas italianas invasoras. Bikila estabeleceu nova marca mundial com o tempo de 2h15’16″02. Ele, que era da guarda imperial etíope, foi promovido a sargento e ganhou um carro Volkswagen novo. Foi nesse carro que, em 1969, sofreu um grave acidente automobilístico que o deixou paraplégico.

A “Gazela Negra”, Wilma Rudolph, que havia sido vítima de paralisia quando criança, ganhou 3 medalhas de ouro nos 100 e 200m rasos e revezamento 4 x 100m. Wilma tinha 19 irmãos e só aos 11 anos conseguiu andar sem auxílio de muletas.

A Nova Zelândia conseguiu 2 medalhas de ouro: nos 5.000m, com Murray Hallderg e nos 800m, com Peter Snell, ambos treinados por Arthur Lydiard, cujos métodos e técnicas de treinamento causaram grande impacto. Nos 800 metros Snell , pouco conhecido,venceu com1:46.3 ( recorde olímpico) derrotando o recordista mundial Roger Moens, da Bélgica que fez 1:46,5

Nos 5.000 metros que foi corrido logo após os 800 metros vitória de outro atleta da Oceania, Murray Haldberg que aos 17 anos havia se lesionado seriamente jogando Rugby, seu tempo foi de 13:43.4

Nos 1.500 metros vitória em recorde mundial do australiano Herbert Elliot, que já detinha o recorde, em 3:35.6 derrotando o francês Michel Jazy com 3:38.4

Nos 10.000 metros uma vitória do soviético Pyotr Bolotnikov com 28:32.2

Finalmente em Roma voltam a ser disputados os 800 metros feminino, que já haviam sido disputados em 1928 em Amsterdan e suspensos pois na época julgava-se que as mulheres não resistiriam a provas longas .

A vencedora foi a soviética Lyudmila Shevtosova igualando seu recorde mundial em 2:04.3 derrotando a australiana Brenda Jones com 2:04.4

Os EUA voltam a dominar a natação com 11 medalhas de ouro, enquanto a Austrália obteve 5.

A vitória mais discutível foi a do australiano John Devit, nos 100 metros nado livre, pois a grande maioria achava que o vencedor havia sido o americano Lance Larson. O slow motion mostrava a vitória do americano, mas 2 dos 3 árbitros de chegada consideraram o australiano como vencedor. Prevaleceu a vitória do australiano, mas estes foram os últimos Jogos sem cronometragem eletrônica na natação.

Morreu o ciclista dinamarquês Knud Jensen na prova de estrada. Afirmaram depois que o uso de drogas contribuiu para a tragédia. o A Iugoslávia, após ter perdido 3 finais olímpicas, conseguiu o título no futebol ao der- rotar a Dinamarca.

No basquete, os EUA ganham a 5ª medalha de ouro consecutiva.

No hóquei, depois de 32 anos de vitórias olímpicas, a Índia perdeu para o Paquistão.

Na ginástica, a URSS dominou tanto o masculino como o feminino. Boris Schakhlin, com 5 medalhas de ouro, 2 de prata e 1 de bronze, foi o grande destaque masculino, enquanto Larissa Latynina, com 3 de ouro e 2 de prata, brilhou no feminino.

Rafer Johnson, que fora medalha de prata no decatlo em 1956, conseguiu a medalha de ouro por apenas 58 pontos de diferença sobre o chinês de Taiwan, Chuan Yang, que treinava com ele na UCLA nos Estados Unidos.

O alemão Armin Hary, recordista mundial dos 100m rasos, quebrou a hegemonia americana ao vencer a prova.

O iatismo ocorreu na bela Baia de Napoles e o Príncipe Constantino, da Grécia, recebeu a medalha de ouro por sua vitória na classe Dragão.

O Brasil participou nos seguintes esportes: atletismo (o bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva foi o 11º no salto triplo, mas logo depois se descobriu que estava realmente doente), remo, tiro, hipismo, pólo aquático, boxe, pentatlo moderno (13º por equipes), futebol (fomos eliminados pela Itália por 3 a 1 depois de termos derrotado a Inglaterra e Taiwan. Um dos destaques do Brasil foi Gerson de Oliveira Nunes), levantamento de peso, iatismo (na classe Finn, Reinaldo Conrad obteve o 5º lugar na geral vencendo uma das regatas), natação (Manoel dos Santos obteve a medalha de bronze nos 100 livres, tendo vencido a eliminatória e a semifinal. Fernando Nabuco de Abreu competiu nos 100 metros livres e, anos depois, veio a ocupar a presidência da Confederação de Ciclismo), ciclismo (Anésio Argenton teve uma participação de destaque com o 6º lugar nos 1.000 metros contra o relógio e também na prova de velocidade, onde foi eliminado pelo italiano Galardoni, que foi o campeão) e basquete (medalha de bronze).

No basquete, que contou com a participação do grande árbitro nacional Renato Righeto, fomos campeões da eliminatória derrotando Porto Rico, México e a forte URSS. Na semifinal, fomos novamente campeões do grupo derrotando Itália, Polônia e Tchecoslováquia. Na fase final, perdemos para EUA (90/63) e no jogo que poderíamos obter a medalha de prata, perdemos da URSS por 1 cesta (64/62). Na Seleção Brasileira jogavam Wlamir Marques, Amauri Passos, Edson Bispo dos Santos, Sucar, Ubiratan, Mosquito, Vítor, entre outros.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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