1972 – Jogos Olímpicos de Munich

26/08 a 11/09

Munique se preparou muito bem com um orçamento exclusivo para os Jogos de US$ 600 milhões. Foi construído o Estádio Olímpico, com capacidade para 80 mil pessoas, uma piscina para 8 mil espectadores, ginásio de 10 mil lugares e uma excelente vila olímpica. No complexo Oberwiesenfels estavam praticamente todos os locais de competição, próximo à vila olímpica e locais de treinamento, facilitando muito a locomoção durante os Jogos, que reuniram 7.830 atletas de 122 países.

A União Soviética obteve 47 medalhas de ouro, enquanto a Alemanha Oriental ganhava 40 e os EUA obtinham 34. O Brasil ganhou 2 medalhas de bronze (no atletismo, com Nelson Prudêncio e no judô, com Chiaki Ishii).

Podemos dizer que, em Munique, começou o uso político das medalhas olímpicas e investimentos elevadíssimos de alguns países que colocavam os atletas praticamente em concentração permanente.

A Rodésia foi banida dos Jogos apenas 4 dias antes do início em função de pressão da Organização da Unidade Africana.

Embora a cidade não possa ser responsabilizada pelo pesadelo, Munique será sempre ligada ao acontecimento do dia 5 de setembro, quando um grupo de terroristas palestinos, denominado Setembro Negro, invadiu a Vila Olímpica e entrou na área onde estava a delegação de Israel. Enquanto os terroristas tomavam de assalto o alojamento, um israelense deu o alarme, possibilitando que diversos membros da delegação pudessem escapar pelas janelas. Dois israelenses morreram no ataque e 9 foram feitos reféns. No final, com a intervenção da policia, morreram os reféns israelenses, 5 terroristas e 1 policial. Os Jogos foram suspensos por 24 horas, numa homenagem aos atletas falecidos. Diversos países pediram a suspensão dos Jogos, mas Avery Brundage, em seus últimos atos como presidente do Comitê Olímpico Internacional, optou pela continuação. Noruega e Holanda se retiraram dos Jogos após o massacre. Mark Spitz, o americano que foi o grande herói dos Jogos com 7 medalhas de ouro, também abandonou Munique por pertencer a uma família judia e ser um alvo potencial. Durante os Jogos, Michael Morris, Lord Killanin, inglês de sangue irlandês, foi eleito presidente do COI.

Estes foram os Jogos da eletrônica. Resultados informatizados, chegadas com photo phinish a cores. As medições dos lançamentos, arremessos e saltos foram feitos com um refletor prismático que, com um telescópio e dois aparelhos instalados na cabine de comando, em apenas 1 segundo dava a informação da distância do salto ou arremesso.

O grande destaque foi o nadador Mark Spitz, que obteve 7 medalhas de ouro, sendo 4 individuais e 3 nos revezamentos. É de se destacar que as 7 vitórias foram com novos recordes mundiais. Nos Jogos do México, Spitz já era cotado para ganhar muitas medalhas, mas frustou a todos por ter ganho “apenas” 2 medalhas de ouro em 2 revezamentos, 1 prata nos 100 borboleta e 1 bronze nos 100 nado livre. Em Munique, mais maduro e consciente, Spitz deu um verdadeiro show.

Na natação, o alemão Roland Mathes alegrou os conterrâneos ao manter o domínio no nado de costas. Venceu os 100 e 200 metros.

A australiana Shane Gould foi o destaque na natação feminina. Venceu os 200m medley, 400m e 200m livre, sendo a 2ª nos 800 e bronze nos 100 nado livre.

Em final polêmica, a URSS ganhou a medalha de ouro no basquete ao vencer por 51 a 50, interrompendo a hegemonia americana. Foi uma final dramática e, no tempo regulamentar, os EUA venceram por 50 a 49. Os soviéticos reclamaram que a mesa havia errado na cronometragem. Após a polêmica, o jogo foi reiniciado com 3′ a jogar e os soviéticos converteram a cesta, assegurando a vitória. O brasileiro Renato Righeto, que era um dos árbitros do jogo, jamais assinou a súmula do jogo por não concordar com o tempo extra concedido. Os EUA saíram de Munique sem aceitar a medalha de prata.

O finlandês Lasse Viren foi um dos heróis dos Jogos ao vencer os 5.000 e 10.000m, fazendo como os finlandeses voadores fizeram na década de 1920. Nos 1.500 metros o também finlandês Pekkha vasala venceu com 336.3 superando o incansável queniano Kipchoge Keino com 3:36.8 e o Rod Dizon, da Nova Zelândia com3:37.5. Nos 5.000 metros Viren fez 13:26.4 e derrotou o tunisiano Mohammed Gamoudi medalhista de ouro em 1968 com 13;27.4 em 4º terminou o renomado ASteve Prefontaine dos USA com 13:28.4. Nos 10.000 Viren fez 27:38.4, novo recorde mundial para derrotar o belga Emiel Puttemans com 27:39.6 enquanto o etíope Mirus Yfter ganava o bronze com 24:41.00 deixando o americano Frank Shorter que se consagraria dias depois na maratona em 5º com 27:51.4

O queniano Kipchoge Keino que havia sido medalha de prata nos 1.500 metros ganhou medalha de ouro nos 3000 com obstáculos com 8:23.6

No atletismo feminino pela primeira vez são disputados os 1.500 metros com vitória da soviética Lyudmilla Bragina com 4:01.4, novo recorde mundial. Nas provas femininas houve um franco predomínio das alemãs orientais.

John Akii-Bua entrou para a história ao dar a 1ª medalha de ouro a Uganda, nos 400m s/ barreiras.

Na ginástica, a soviética Olga Korbut ganhou a simpatia mundial ao brilhar na TV e popularizou de forma definitiva a ginástica olímpica. Olga obteve as medalhas de ouro na trave e no solo, além da prata nas barras assimétricas. Na disputa pelo título individual, Olga liderava a competição mas cometeu 2 erros graves nas paralelas assimétricas, obteve uma nota baixa e começou a chorar muito. Uma senhora da platéia invadiu a área reservada e lhe deu um ramo de flores, o que fez parar o choro da soviética que, imediatamente, levantou-se e ergueu o ramalhete agradecendo o apoio do público e recebendo uma grande ovação. Olga saiu de Munique como a rainha dos Jogos.

Os jogadores do Paquistão, ao perderem o jogo final de hockey para a Alemanha, atiram água nos árbitros. Os 11 jogadores foram proibidos pelo COI de atuar em Jogos Olímpicos futuros.

Os americanos Vince Matthews e Coyne Collet, que haviam sido 1º e 2º nos 400m, foram expulsos dos Jogos por terem desrespeitado o Hino de seu País na premiação. Esta expulsão impediu que os EUA disputassem o revezamento 4 x 400, no qual eram os favoritos. Sorte para os quenianos, que foram os campeões da prova.

O soviético Valery Borzov vence os 100 metros em 10.14 e os 200 metros em 20.00 quebrando a hegemonia negra e americana.

O americano David Wottle conseguiu a medalha de ouro nos 800m com 1:45.9, marcando suas atuações por 2 características: corria de boné e sempre ficava em último no início das provas. Deve ser destacado que o atleta estava em lua de mel durante os Jogos. Wootle superou a falta de experiência internacional e uma tendinite.

O soviético Viktor Saneiev, que havia ganho a medalha de ouro no salto triplo no México ao derrotar o brasileiro Nelson Prudêncio, venceu novamente com 17,35m, enquanto Prudêncio obteve a medalha de bronze com 17,05m. Prudêncio fez o seu treinamento visando atingir o pico nos Jogos Olímpicos e muitos entendiam que a sua ida a Munique era um prêmio pela medalha ganha no México. Mas a nova medalha conquistada confirmou o talento do triplista e o acerto de sua preparação. O brasileiro conseguiu passar à final apenas no último salto, quando fez 16,42m.

O americano Frank Shorter venceu a maratona em 2:12.19.8 derrotando o belga Karel Lismont com 2:14.31.8 e o etíope Mamo Wolde que havia sido ouro no México foi bronze com 2:15.08.4. A vitória de Shorter deu grande impulso às maratonas, sobretudo nos EUA, incentivando a participação dos verdadeiros atletas e amadores.

O remo foi dominado pela Nova Zelândia que não só venceu no 8 com timoneiro, como obteve 3 medalhas de ouro, 1 de prata e 2 de bronze no total.

O Brasil participou das seguintes modalidades: atletismo, boxe, judô (medalha de bronze para Chiaki Ishii), halterofilismo, ciclismo, tiro (Marcos José Olsen foi o 8º classificado tendo feito 191 pontos), hipismo (com Eduardo Alegria Simões e Nelson Pessoa), futebol (Armando Marques participou como árbitro. A seleção, cujo destaque era Paulo Roberto Falcão, foi eliminada na 1ª fase), remo, vôlei (destaque para Carlos Moreno e Luiz Eymard), basquete (7ª colocação com uma seleção cuja base era: Ubiratan, Adilson, Marquinhos Leite Abdala, Hélio Rubens, entre outros) e iatismo.

No iatismo, o Brasil teve uma participação de destaque em várias classes: na Finn, Cláudio Biekarck obteve o 8º lugar; na classe Tempest, Mário Buckup e Peter Ficker ficaram em 7º lugar; na Soling, os irmãos Axel e Eric Schmidt e Patrick Mascarenhas terminaram em 6º; na classe Flying Dutchman, Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes ficaram com a 4ª posição e na Star, Joerg Bruder e Jan Willem foram 4º, tendo inclusive vencido a 5ª regata.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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