Adhemar Ferreira da Silva, nosso heroi olimpico

O ex-presidente do COI Samaranch homenageia Adhemar Ferreira da Silva (foto: Interesportes)
O ex-presidente do COI Samaranch homenageia Adhemar Ferreira da Silva (foto: Interesportes)

Indiscutivelmente Adhemar Ferreira da Silva é o nosso maior nome olímpico não só pelo fato de ter conquistado duas importantes medalhas de ouro no salto triplo em 1.952 em Helsinqui e em 1956 em Melbourne, como pelos recordes mundiais batidos em sua carreira como sobretudo pelo grande exemplo humano que deu em toda a sua vida jamais se envolvendo em qualquer episódio que pudesse macular o nome e participando sempre de programas voltados para a difusão do esporte , sobretudo do atletismo como o Projeto da Quimbrasil em Ponta Grossa como nos últimos 11 anos de sua vida do programa da BM&F do qual era o patrono. Enfim, foi um herói e um cidadão exemplar.

Adhemar foi também tri-campeão Pan Americano (1951, 1955 – com 16.56 novo recorde mundial e 1959) façanha até hoje só alcançado por Eronildes Araújo dos 400 metros s/ barreiras (1991, 1995 e 1999).

Adhemar nascido em 29 de Setembro de 1927 no bairro Casa Verde em São Paulo filho de família modesta mas muito trabalhadora. Sua mãe, empregado doméstica convidou sua patroa para ser a madrinha de Adhemar o que acabou lhe auxiliando em seu futuro. Adhemar sempre colaborou em casa não só em tarefas domésticas como na preparação do almoço de seu pai que trabalhava na Estrada de Ferro Sorocabana. Os pais sempre zelaram pela formação e educação de Adhemar. Era adepto do futebol até 1946 quando conheceu o atletismo. Na fase da juventude Adhemar também se interessou pela música e mesmo mais tarde com seu violão conquistava a simpatia e popularidade e era comum vê-lo dedilhando em cantando o que fazia em diversos idiomas que havia aprendido em sua carreira esportiva. Adhemar falava diversos idiomas inclusive finlandês e japonês.

Eu, inclusive, presenciei uma cena surpreendente durante o Campeonato Mundial de Atletismo, em 1991 em Tóquio, quando ele foi impedido de entrar na área reservada aos atletas na Estádio pois não tinha crachá de atleta e sim de dirigente. Adhemar educadamente dirigiu-se às voluntárias que eram responsável pelo controle de acesso à área reservada e falando um japonês fluente (pelo menos para mim que desconheço o idioma) conversou com as educadas recepcionistas por 5 minutos e obviamente conseguiu a autorização para o seu ingresso além de ter que após ser identificado conceder uma infinidade de autógrafos.

Adhemar descobriu o atletismo aos 19 anos e numa carreira meteórica logo conquistou títulos e mais títulos sendo de grande destaque a sua primeira vitória olímpica em 1952 quando superou por 4 vezes o recorde mundial. Adhemar ingressou no São Paulo F.C. que na época era no Canindé e com disciplina e determinação fazia tudo o que lhe mandavam praticando as diversas modalidades do atletismo e por ironia iniciou-se no salto triplo ao ver o atleta Ewald Gomes da Silva praticando e na presença do técnico do técnico do clube o alemão Dieter Gerner, seu futuro técnico,conselheiro e amigo, deu salto de 12,84 metros incrível para quem sequer conhecia a prova. Estava escolhida a prova à qual Adhemar se dedicaria e na qual se consagraria. Em apenas 30 dias de prova já saltara 14,22 metros.

Em 1948, anos de Jogos Olímpicos de Londres o Comitê havia fixado em 14,80 o inidce mínimo de participação e Adhemar tinha 14,77 metros e na 1ª tentativa da seletiva Adhemar saltou 15,03 metros superando o mínimo necessário e garantindo a vaga para os Jogos de 1948. Adhemar confessou depois que sentiu a estréia em grandes competições e ainda mais quando viu o Estádio com mais de 100.000 pessoas assistindo. Adhemar foi o 8º com 14,49 metros.

Em 1949 bateu seu 1º recorde brasileiro com 15,51metros e em 1950 iguala o recorde mundial com 16,00 metros e em 1951 com 16,01 metros passa a ser o único detentor do recorde mundial.

Em 1952 Adhemar chega aos Jogos Olímpicos de Helsinqui e conquista logo a simpatia do povo local pois havia se dedicado a estudar um pouco o idioma o que surpreendeu a todos assim como o fato de cantar músicas em finlandês.

No dia da competição Adhemar na 1ª tentativa supera o recorde mundial em 16.05 metros e em 4 saltos superou a sua marca mundial ( 16.05,16.09,16,12 e 16,22) levando à loucura o Estádio Olímpico. E Adhemar para retribuir a grande ovação deu uma volta pela pista agradecendo o publico e entrou para a história por ser o 1º atleta a ter dado a volta olímpica após a vitória.. Adhemar na época ganhou uma cada conseguida em campanha lançada pelo Jornal A Gazeta Esportiva, mas em que pese necessitar da mesma não pode aceitá-la devido às estritas regras de amadorismo daquela época.

Nos Jogos Olímpicos de 1956 em Melbourne, Adhemar concorreria como favorito devido ao recorde mundial e a suas atuações nos últimos anos mas tinha nos atletas russos seus grandes adversários. Mas, Adhemar que havia se mudado para o Rio não tinha tanto tempo para treinar e apenas uma vez por semana treinava com seu técnico e amigo Gerner.

Em Melbourne, percebeu-se que Adhemar estava com uma forte infecção dentária e depois de algum tempo decidiu-se chamar um dentista que acertadamente realizou o tratamento adequado e no dia da prova com mais de 100.000 pessoas no Estádio, Adhemar, já havia conquistado a simpatia dos jovens australianos mas ainda não estava à frente na prova até que no ultimo salto consegue 16.35 novo recorde olímpico e mais uma medalha de ouro Olímpico em sua carreira.

Em 1960 nos Jogos Olímpicos de Roma Adhemar Ferreira da Silva foi o nosso Porta Bandeira no desfile de abertura e pela 1ª vez tinha seu técnico Gerner num Jogos Olímpicos ao seu lado, mas não se saiu bem e terminou apenas em 14º lugar com 15,07 metros.

Adhemar deixa a pista sob uma ovação do público presente e encerrava ali a sua brilhante carreira desportiva. Depois dos Jogos descobriu-se a razão do fraco desempenho de Adhemar em Roma pois ele estava com Tuberculose Ganglionar. A recuperação era longa e Adhemar sofreu muito com muita descriminação pois os hóspedes dos hotéis não queriam a sua presença nos locais. Mas, felizmente Adhemar uma vez mais venceu e derrotou a doença que contraíra.

Esta foi a trajetória de Adhemar Ferreira da Silva , um Herói de nosso esporte e um exemplo de ser humano que sempre teve uma conduta ilibada e exemplar.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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