Adriana Aparecida da Silva tenta vaga olímpica no domingo

Adriana e Cláudio Castilho  no Pan: índice é desafiador (foto: Jefferson Bernardes/VIPcomm)
Adriana e Cláudio Castilho no Pan: índice é desafiador (foto: Jefferson Bernardes/VIPcomm)

A corredora Adriana Aparecida da Silva disputa na noite de domingo (26/02) manhã no Japão a Maratona de Tóquio com o objetivo de decidir sua classificação para os Jogos Olímpicos de Londres. A missão, no entanto, não é nada fácil.

O índice definido pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) é uma marca ambiciosa (2h30min07) para as maratonistas do País. Apenas duas fundistas brasileiras conseguiram bater esse tempo em toda história, Márcia Narloch (2h29min59, em 2003) e Carmen de Oliveira (2h27min41, em 1994, atual recorde sul-americano). A melhor marca de Adriana é 2h32min30, de 2010.

Ainda assim, o técnico Cláudio Castilho está confiante na obtenção da vaga. “Ela vai correr abaixo de 2h30 e se tornar uma das brasileiras mais rápidas de todos os tempos”, garante. Os treinamentos começaram logo após a pequena pausa depois da conquista da medalha de ouro na maratona do Pan de Guadalajara, em outubro.

No começo de 2012, Adriana ficou quatro semanas e meia em Taipa na Colômbia, treinando em altitude. Depois voltou para o Brasil, onde fez treinos de velocidade em ritmo de prova e desde o dia 20 está no Japão com Cláudio, para “adaptação ao fuso horário e ao clima, que está bem frio”, como conta o treinador.

Segundo Cláudio, a maratonista amadureceu muito nas últimas temporadas e está preparada para bater o índice. “Ela vem baixando suas marcas sensivelmente e está muito bem, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Treinou muito duro e tenho certeza que vai correr abaixo do índice, tem demonstrado nos treinos que tem condições para isso”, explica.

Próximos passos– Adriana não correrá a Maratona de Londres, em 22 de abril, corrida que deve definir a maior parte dos maratonistas olímpicos de 2012. “É uma prova que exige um contrato de fidelidade de três meses e isso a impediria de correr em Tóquio. Achei perigoso porque jogaria mais ansiedade em algo que já não é fácil”, justifica, referindo-se à busca do índice.

Conseguindo a vaga no final de semana, Adriana deve fazer uma preparação na Europa antes das Olimpíadas. “Entre maio e junho ela faria treinamento e competições curtas para melhorar a velocidade e chegar mais rápida nos Jogos”, afirma o técnico do Esporte Clube Pinheiros.

Entenda na próxima página porque o índice olímpico definido pela CBAt é tão baixo

A Associação Internacional das Federações de Atletismo (Iaaf) definiu como índice A (que classifica até três atletas por país) para a Maratona Feminina o tempo de 2h37min. O índice B (que classifica apenas uma atleta, caso nenhuma do mesmo país tenha obtido o índice A) é de 2h43min. Essas são medidas gerais, mas as Federações nacionais têm liberdade para indicar seus atletas ou definir marcas mais rigorosas.

Cláudio Castilho, que é um dos treinadores de ponta que faz parte do conselho da CBAt, explica como e porque o índice brasileiro é tão desafiador. “Tentamos acompanhar a evolução do Atletismo pelo mundo. Pegamos as marcas do 12º colocado no Mundial de Daegu (2011), Mundial de Berlim (2009) e Jogos Olímpicos de Pequim (2008) e fizemos a média em todas as modalidades, que é o índice”, conta o treinador.

A medida não é aleatória. “Isso é para estimular o Brasil a acompanhar a evolução do esporte. A Maratona Feminina evoluiu muito, então as atletas brasileiras tem que treinar mais para acompanhar o que está acontecendo. Senão, vão aos Jogos e não terão boa performance”, esclarece Cláudio.

Caso atenda às expectativas do técnico, Adriana Aparecida da Silva deve ganhar notoriedade no cenário internacional. “Nosso objetivo é fazer com que ela entre no primeiro time ou pelo menos no nível mundial da maratona, correndo na casa de 2h27, 2h26”, define. A Maratona de Tóquio larga às 9h10 da manhã de domingo, 21h10 no horário de Brasília.

Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

Redação Webrun

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