Alimentos orgânicos são mais saudáveis?

Com os excessos que vemos as pessoas cometerem contra a própria saúde no que diz respeito à nutrição, também observamos uma preocupação de muitos que vão atrás daquilo que seria melhor para a saúde. O problema é que para a maioria a simples adesão moral ou apenas em pensamento de obter uma vida mais saudável, já serve para aplacar a culpa na consciência.

Quer um exemplo, você está acima do peso? Provavelmente já pensou no seguinte: segunda-feira começo um regime. Você não come frutas e vegetais? Também já deve ter pensado: na próxima refeição vou caprichar. E você come muita porcaria? O pensamento típico é: mas eu não como nem metade das porcarias que meus colegas do trabalho comem.

O pior é quando as pessoas se preocupam com coisas menores, como o tipo de barra de cereal, ou a bebida esportiva a levar ao treino e depois cometem exageros ao longo de toda a semana. Como diz um amigo, confessamos os pequenos pecados para nos autorizar a continuar cometendo os grandes. Nós esquecemos que a tal barrinha é apenas uma parte muito pequena de tudo aquilo que comemos, ela não deveria ser a prioridade quando escolhemos nossas refeições.

Um dos hábitos que algumas pessoas têm é o de tentar consumir alimentos que seriam mais saudáveis. A própria indústria nos oferece várias opções de alimentos fortificados. Você tem o leite com ferro, bolacha com mais fibra, margarina com vitamina E, suco com mais vitamina e tantas outras opções. Para esse monte de opções não temos grandes defensores que fiquem insistindo para que os compremos. É bem simples nesses casos, ou você compra ou não, mas você não propagandeia.

Mas faz já um tempo há também a opção de consumir alimentos orgânicos que muitos dos nossos colegas adoram falar que consomem. O nome dele em si é esquisito, porque todo alimento é orgânico, mas eles usam esse nome para aqueles vegetais, frutas e legumes que são cultivados sem o uso de agrotóxicos, usando apenas adubos não industriais. Esse tipo de alimento custa cerca de 60% mais caro e tem uma margem de lucro acima dos demais, além de não necessitar de propaganda já que não existem marcas e também contam com a boa aceitação com a desculpa de que seria uma forma de alimentação mais saudável.

Pois aqueles que fazem questão de consumi-los achando que são imprescindíveis, é bom saber um detalhe. Alguns dias atrás, uma agência oficial do governo britânico publicou um longo e detalhado relatório, que conclui na análise direta de inúmeros estudos publicados nos últimos 50 anos, que não há evidências de diferenças qualitativas na composição nutricional entre alimentos orgânicos e aqueles produzidos de forma tradicional (uso de pesticidas e adubos).

Simplificando: os alimentos autodenominados orgânicos NÃO são em NADA mais saudáveis que aqueles vendidos em supermercados e feiras. Infelizmente (ou felizmente) como outras vezes já disse aqui, a nutrição é algo bem mais complexo do que possa parecer. Não há fórmulas tão fáceis a se seguir e a ciência vem mostrando que na maioria das vezes aquilo que era tido como melhor um tempo atrás, não tem qualquer validade nos dias atuais.

Se considerarmos tudo que comemos ao longo do dia, a diferença entre a marca da sua barra de proteína acaba tendo importância praticamente nula. São tantos fatores mais importantes que temos que prestar atenção, que esse foco deveria ser naquilo que basicamente comemos, não em como apenas alguns dos nossos alimentos crescem ou são produzidos.

Este texto foi escrito por: Danilo Balu

Redação Webrun

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