Análise da São Silvestre por Wanderlei de Oliveira

O técnico de atletismo Wanderlei de Oliveira, é parceiro e consultor do portal WebRun, desde 1999, quando foi criado o primeiro site brasileiro especializado em corridas de rua e suas diversas modalidades o www.maratona.com.br, revista digital que foi o embrião do portal WebRun.

Oliveira um dos fundadores da Corpore atualmente é diretor-técnico da equipe Run for Life. Também é colunista da Gazeta Esportiva.Net e comentarista da TV Gazeta, onde anualmente, faz os comentários da Corrida Internacional de São Silvestre prova em que participa, seja correndo ou comentando a 25 anos consecutivos. Leia a análise da última edição da competição realizada em 31 de dezembro de 2003.

Uma corrida inteligente:

O brasiliense Marilson dos Santos, de 26 anos, foi inteligente do começo ao fim da prova. Usando a experiência de ter conquistado por duas vezes a quarta colocação e ser o segundo colocado no ano passado, teve a paciência de se posicionar atrás dos líderes, os quenianos, favoritos para vencer a 79ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre. Foi seguro e persistente, no momento em que os quenianos passaram os 10 km para 28min52s, média de 2min54s, imprimindo um fortíssimo ritmo.

Na coletiva de imprensa, quando foi questionado se estava preparado para vencer, afirmou que estava melhor do que o ano passado, apesar de sua programação estar priorizando a tentativa de índice para os próximos Jogos Olímpicos em Atenas, no mês de agosto. Pela primeira vez, Marilson fez uma preparação em altitude, onde ficou várias semanas na cidade de Campos do Jordão, com altitudes de variam de 1.600 metros, onde se localiza a pista de atletismo, até 2.000 metros no Pico do Itapeva, o ponto mais alto.

Valeu a preparação, pois surtiu efeito na subida da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, quando o vencedor do ano passado, Robert Cheruyot, falou para seu companheiro Martin Lel, tomar a ponta, e Marílson reagiu, não deixando o grupo escapar.

Ao assumir a liderança da prova no quilômetro final, Marilson entrou como vencedor nos 400 metros finais da avenida Paulista. Pegou a Bandeira do Brasil e festejou a sua maior conquista, o de campeão da São Silvestre. Ao final da prova, declarou que 50% do sucesso devem a sua esposa Juliana, pelo apoio e incentivo. Completaram um ano de casados. Marílson tentará o índice olímpico de 2h15 na Maratona de São Paulo, ele é treinado pelo ex-atleta Adauto Domingues, que também já sentiu o gosto de subir no pódio da São Silvestre, nos anos 80.

Nem sempre é o melhor atleta que vence:

O segundo lugar do curitibano Rômulo Wagner da Silva, de 26 anos, pode se considerada uma vitória. Devido ao apoio dos patrocinadores, teve a oportunidade de se preparar nas montanhas da Colômbia, em altitudes superiores aos 2.600 metros, para poder enfrentar de igual para igual os quenianos. Esta foi a sua quarta participação na São Silvestre, em 2000 estreou sem grande destaque. Em 2001, foi o sétimo colocado e, no ano passado, parou no percurso.

Quenianos sentem a força dos brasileiros – O altíssimo nível técnico da São Silvestre valorizou a vitória dos brasileiros, que mostrou aos quenianos a evolução do atletismo nacional de meio-fundo e fundo. Robert Cheruiyot, campeão do ano passado, vencedor dos 10 Km de San Fernando em janeiro deste ano, no Uruguai, e campeão da Maratona de Boston no mês de abril, teve que se contentar com a quarta colocação.

Martin Lel, de 24 anos, atual campeão mundial da meia-maratona (21 Km) e campeão da Maratona de Nova York, realizada no dia 2 de novembro último, termina em terceiro lugar (em sua estréia), por várias vezes, assumiu o comando da prova.

Fechando a esquadra queniana, Yusuf Songoka, de 24 anos, também estreante, chega em quinto lugar.

Entre os dez primeiros, seis atletas eram quenianos e quatro brasileiros.

Vitória tranqüila de Margareth Okayo:

Assim podemos definir o primeiro lugar de Margareth Okayo, de 28 anos, atleta do Quênia, ao vencer a 79ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre. Momentos antes da largada estávamos ao seu lado, durante o aquecimento. Era nítida sua expressão de total tranqüilidade e segurança para conquistar a vitória. Assim o fez desde o início, imprimindo um ritmo forte, sem chances para as adversárias. A chuva que caiu durante a prova, fez com que a temperatura baixasse para 24 graus, porém a umidade relativa do ar estava na casa dos 77%.

Okayo fecha o ano com chave de ouro, após o bicampeonato na famosa Maratona de Nova York (2001 e 2003), estabelecendo o recorde da prova com 2h22min31, e também detém o recorde da Maratona de Boston com 2h20min43, a prova de longa distância mais antiga do mundo, em sua 107ª edição.

Sua estréia na São Silvestre foi em 2001, quando chegou em segundo lugar, atrás da atleta de Sertãozinho, interior de São Paulo Maria Zeferina Baldaia. Apesar da ajuda da chuva, o recorde da prova de Hellen Kimayio, também do Quênia, de 50min26 de 1993, ficará para o próximo ano.

Okayo completou a prova com 51min24Seg, média de 3min25 por quilometro, mais de um minuto à frente de sua companheira Débora Mengich.

As brasileiras – Márcia Narloch, atual recordista brasileira da maratona, já com índice para os próximos Jogos Olímpicos em Atenas, provou que experiência é o que conta. Discreta, nem aparecia na lista das favoritas, fez uma corrida estratégica acompanhando o tempo todo a queniana Débora Mengich, para terminar na terceira colocação com sua melhor marca na prova. Momentos após, declarou que estava preparada para correr para 52 minutos, e completou conforme o previsto (52min49seg). Mais de um minuto abaixo da campeã do ano anterior, a brasileira Marizete Resende, que venceu com o tempo de 54min02s.

Em 2001, Márcia também ocupou a terceira colocação. Na época, manifestou a intenção de não participar da São Silvestre.

Já Ednalva Laureano da Silva, a popular “Pretinha”, como é conhecida no meio esportivo, subiu um posto em relação ao ano passado, quando foi a 5ª. colocada com54min56s, melhorando seu resultado em dois minutos (52min58s).

Sirlene Pinho, de 27 anos, natural de Santa Cruz (BA) e morando em Santos, é treinada pelo ultramaratonista Valmir Nunes, apesar de sua pouca experiência, pois começou a despontar no atletismo nacional há pouco mais de dois anos, subiu em quinto lugar no pódio com 53min22s.

Este texto foi escrito por: Wandelei de Oliveira

Redação Webrun

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