Após Pequim, triathletas brasileiros já pensam em novos desafios

Juraci Moreira foi o 26º (foto: Arquivo Pessoal)
Juraci Moreira foi o 26º (foto: Arquivo Pessoal)

Direto de Pequim – Depois de representarem o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, nos últimos dias 18 e 19 na China, os triathletas Reinaldo Colucci, Juraci Moreira e Mariana Ohata já pensam nas próximas provas e também na Olimpíada de 2012.

Reinaldo vai da China direto para Singapura, onde tenta o bicampeonato do 70.3 por lá no dia sete de setembro. Juraci encara o 70.3 no Brasil no dia 14 de setembro, assim como Mariana.

Num clima de bate papo informal na Zona Internacional da Vila Olímpica, os companheiros de equipe e, em alguns casos, adversários, já trocavam “provocações” enquanto esfregavam com as mãos, em vão, braço e perna na tentativa de tirar os números (sete e oito) da marcação da prova recém-encerrada que ainda estampavam no corpo.

“Acho bom o Reinaldo não inventar de vir correr o 70.3 no Brasil. Deixa eu ficar em paz”, brincava Juraci. “Se eu não completar em Singapura vou aparecer, sim”, avisava Reinaldo. Setembro é logo ali. Mas Londres 2012 também não parece tão distante para o trio que tem como palavra de ordem: acelerar.

“Sabia que pensar em uma medalha aqui em Pequim era irreal. Mas creio que até Londres poderei evoluir para chegar em condição de disputar um resultado melhor”, garante Reinaldo, que já sabe onde dará uma atenção especial. “Minha natação precisa ser mais sólida. Às vezes ela falha e preciso ter certeza de que sairei da água no primeiro grupo. A corrida decide. Hoje (dia da prova), no quilômetro final, cinco atletas estavam lado a lado. Três ganharam medalhas, dois ganharam apenas parabéns”, diz Reinaldo, referindo-se aos favoritos espanhóis Francisco Gomez e Ivan Ranã, quarto e quinto colocados respectivamente, que tiveram a torcida in loco da família real espanhola.

Já Mariana terá 33 anos em Londres. “Quando me classifiquei para Pequim estava certa de que iria me aposentar. Mas não estou preparada para isso ainda. Acho que tenho muito o que fazer no triathlon ainda. Meus planos agora são o Pan de Guadalajara em 2011 e as Olimpíadas de Londres”, afirma.

“Cheguei aqui e vi a espanhola de 40 anos (Ana Burgos) competindo em altíssimo nível e acho que posso ir mais quatro anos. Esporte não é só treino, tem vários fatores que não dependem de você. E nessa hora é a maturidade que conta”, diz.

Juraci também não será mais um garoto. Mas a vontade, garante ele, será a de criança. “Poucos triathletas foram a quatro Jogos Olímpicos e quero ser um deles”, resume.

Mariana, Juraci e Reinaldo, naturalmente, ainda não estão classificados para os Jogos ingleses. Mas sabem que o caminho está aberto e a renovação na modalidade ainda é pequena.

“A geração de Londres é a nossa mesmo”, vai direto ao ponto Juraci. “Reinaldo é um cara novo que apareceu andando forte. Fora ele, não tem muita gente vindo, não. Para ter algum atleta apto a estar em Londres, era preciso já estar disputando o Circuito Mundial com regularidade. A classificação começa daqui a dois anos, não dá tempo de inventar muito”, justifica ele.

“A Carla Moreno é uma das que tem condição de estar em Londres também. E torço para que o nível dela seja cada vez melhor, para me motivar e para que a gente possa se ajudar”, diz Mariana.

Cada país pode ser representado por três atletas na competição Olímpica de triathlon. A modalidade existe há cerca de 30 anos e desde de Sydney 2000 faz parte do programa Olímpico.

Este texto foi escrito por: Manoela Penna, especial para o Webrun

Redação Webrun

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