Argentinos de ouro

Todos sabemos que existe uma rivalidade histórica entre brasileiros e argentinos, sobretudo, no campo esportivo. Mas não podemos negar que temos que reverenciar o feito de alguns atletas do nosso vizinho, que conquistaram grandes glórias.

Nem vamos falar do grande Oswaldo Suares, que tanto brilhou em nossa São Silvestre. Vamos um pouco além. Vamos falar das glórias e conquistas olímpicas nas maratonas.

Nos Jogos Olímpicos de 1932, em Los Angeles, o grande favorito para a maratona era o fenomenal Paavo Nurmi, que já havia conquistado 9 medalhas de ouro nas edições anteriores e estava se preparando para conquista sua 10ª medalha de ouro. Mas, poucos dias antes da prova, foi suspenso por acusação de atuar profissionalmente, recebendo cachês para participar de provas, situação terminantemente proibido naqueles anos.

Com a suspensão de Nurmi, o favorito passou a ser o jovem argentino Juan Carlos Zabala que, um ano antes, havia estabelecido o recorde mundial dos 30 km. O Jornal Los Angeles Times organizou uma maratona no mesmo percurso pouco tempo antes para testar a organização e Zabala participou. Estava 8 minutos à frente quando seu treinador o orientou a parar, pois estava sentindo problemas nos pés e deveria se poupar para a maratona olímpica.

No dia da maratona olímpica não deu outra, Zabala assumiu a liderança desde cedo, mas no km 25 foi ultrapassado pelo finlandês Virtanen que, sem conhecer a distância, não dosou corretamente e parou, deixando a briga entre o argentino Zabala e os britânicos McLeod e Ferris e com o finlandês Toivonem, a seguir. No final, o argentino prevaleceu, entrando no estádio com 1 minuto à frente, mas exausto. Em zigue zague e com dificuldades, chegou ao final para a sonhada medalha de ouro, terminando em 2h31min36, novo recorde olímpico, à frente do britânico Samuel Ferris, que fechou com 2h31min55. Viva a Artentina!

Quatro anos depois, Zabala tentou repetir seu êxito em Berlin, mas teve que parar, extenuado, depois de ter liderado a prova. Em 1948, em Londres, o belga Etienne Gailly, inexperiente na distância, assumiu cedo a liderança e no final pagou o preço. Liderou, foi ultrapassado e depois voltou à liderança no km 40. Entrou no estádio à frente, mas, correndo com dificuldades, assistiu o argentino Delfo Cabrera, estreando também em maratonas, ultrapassá-lo para ganhar a medalha de ouro com 2h34min51.6. Ainda foi passado pelo britânico Thomas Richards, que fez 2h35min07.6. Apesar de chegar com grande dificuldade, Gailly ganhou a medalha de bronze. Aliás, era a segunda vez que Londres sediava os Jogos Olímpicos e, em 1908, o italiano Dorando Pietri, que entrou à frente no estádio, acabou sendo desclassificado por ter sido ajudado para se levantar depois de ter caído, extenuado. Mas, desta vez, pelo menos o belga Gailly levava a medalha de bronze. Viva a Argentina!
Deve ser dito que outro argentino, Eusébio Guinez, terminou em 5º com 2h36min36.0

Cabrera ainda tentou repetir a vitória em 1952, em Helsinqui, mas encontrou o grande Zatopek, que venceu e conquistou a medalha olímpica na maratona depois de ter conquistado os 5.000 e 10.000 nos mesmos Jogos Olímpicos. Cabrera terminou em 6º, com 2h26min42.4

O fato é que temos que louvar as 2 medalhas de ouro já conquistadas pelos argentinos em maratonas e reconhecer que um dia queremos chegar lá. Mas, hoje em dia, com o que andam correndo os africanos e os japoneses, a tarefa não será muito fácil. Vamos aos desafios. Atenas e Pequim nos esperam.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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