Bons tempos podem voltar

Ainda me lembro do alto conceito brasileiro nas corridas de fundo e maratonas, que começou no início dos anos 80, com o José João do Silva. Nesta época o nosso José João, que foi bicampeão da São Silvestre, treinando com o prof Carlos Ventura, participava de diversas provas internacionais e era um nome respeitado, com conquistas e colocações importantes em provas fora do País. Foi o nosso primeiro destaque internacional no fundo.

Na segunda metade da década de 80, quando começavam a despontar inúmeros quenianos e etíopes no cenário internacional, ocupando lugares antes reservados a europeus e australianos, alguns atletas nacionais passaram a representar com destaque o nosso País em provas internacionais, como Delmir dos Santos, Arthur Castro, Adauto Domingues, Eloi Schleder. E outros foram surgindo, como João Alves de Souza, o Passarinho, Diamantino Silveira Santos (que venceu a famosa Stramilano, na Itália) e outros mais.

Mas foi na década de 1990 que o Brasil passou a ser realmente considerado como um País respeitável nas provas de fundo, já totalmente dominadas pelos africanos. Na década 90, tivemos ótimos resultados no masculino e também bons no feminino, com Carmem de Oliveira Furtado, Silvana Pereira e Roseli Machado.

No masculino, tivemos feitos importantíssimos que devem ser lembrados, como o recorde mundial na Maratona de Ronaldo da Costa, em 1998, em Berlim; a medalha de bronze do Luís Antonio dos Santos na maratona do Mundial de Gottemborg, na Suécia, em 1995; a medalha de bronze por equipes conquistada em 1997, em Atenas, na Copa do Mundo de Maratona (equipe com Vanderlei Cordeiro de Lima, Luís Antonio dos Santos, Osmiro Silva e Valdenor dos Santos); a medalha de ouro na prova de 20km no Mundial Juvenil de 1994, em Lisboa, obtida por Clodoaldo Gomes da Silva; a medalha de bronze de Ronaldo da Costa no Mundial de Meia Maratona de 1994, em Oslo; a medalha de bronze por equipes no Mundial de Meia Maratona de 1992, em Tyneside (equipe com Arthur Castro, Delmir dos Santos e Ronaldo da Costa); além de medalha de prata no Mundial de Ekiden, em 1996, em Copenhagem; e bronze no Mundial de 1998, em Manaus; a vitória de Emerson Iser Bem no Cross das Amendoeiras em Portugal, em 1996 (em prova válida pelo Circuito Mundial de Cross); a vitória de Vanderlei Cordeiro de Lima na Maratona de Tóquio, em 1996 (derrotando no sprint final o português Antonio Pinto, um dos melhores nomes mundiais da época); além de outros bons resultados obtidos por diversos destes atletas no cenário internacional.

Depois destes anos de euforia, os nossos atletas, por razões diversas, passaram a não mais produzir resultados deste nível internacional, exceto algumas participações de Vanderlei Cordeiro de Lima e fomos ficando relegados a um segundo plano.

Mas parece que os bons tempos vão voltar, não só pela medalha de bronze com sabor de ouro conquistada pelo Vanderlei em Atenas, mas, sobretudo, porque desde 1998 não tínhamos dois atletas considerados ao mesmo tempo entre os melhores do mundo em corridas de rua. No ranking atual da IAAF, Vanderlei aparece na 8ª colocação e Marilson Gomes dos Santos na 39ª posição. Outros brasileiros poderão chegar lá, como Paulo Alves, Franck Caldeira e Romulo Wagner. No feminino, o caminho a percorrer é mais longo, pois estamos mais distantes das melhores do mundo, mas a luz já começa a aparecer no fim do túnel, com Ednalva Laureano, Fabiana Cristine, Michele Costa, Lucélia Peres e Zenaide Vieira, que foi finalista do Mundial Juvenil nos 3.000m com obstáculos.

Vemos, com alegria, que os bons tempos podem voltar. Resta torcer agora pelo sucesso de nossos atletas.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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