Brasileiros sofrem, mas completam com êxito a K42 na Argentina

A largada aconteceu no centro da cidade (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
A largada aconteceu no centro da cidade (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

Correr 42 quilômetros de uma maratona pode ser uma tarefa corriqueira para alguém acostumado a encarar provas em asfalto. Mas, para completar a K42 foi necessário muito mais do que fôlego, foi necessário chegar ao limite do corpo e da mente, já que o terreno acidentado de Villa La Angostura não permite vacilos.

Direto de Villa La Angostura (ARG) – A cidade argentina de Villa La Angostura, localizada na Patagônia Argentina, recebeu a etapa final do Circuito K42 2010. Depois de passar por diversas cidades do mundo, incluindo a brasileira Bombinas, em Santa Catarina, a charmosa vila se agitou para a oitava edição da corrida.

Dois dos principais brasileiros da elite, Giliard Pinheiro e Débora Simas, acostumados a encarar desafios, tiveram problemas no trajeto e torceram o pé. Já os amadores completaram a prova em tempos acima do planejado, pois não imaginavam que a subida do Cerro Bayo (estação de esqui da cidade) seria tão complicada.

“Foi um baita desafio, porque tinham muitas subidas e descidas”, conta Antônio Marinho, que uma semana antes havia completado a Maratona de Buenos Aires. “Tudo o que tem de plano por lá, tinha de montanha aqui e foi um choque muito grande. Fiz minha primeira K42 e certamente não foi a última”, completa Marinho, que faz um apelo aos compatriotas. “Gostaria de ver mais brasileiros por aqui, a galera tem que ser mais presente na Argentina”.

A prova largou no centro da cidade, num trecho de asfalto, depois de poucos metros já passou a ser inteiramente disputada em terreno acidentado, com travessias de rios, trilhas fechadas, e terra fofa. A altimetria variada também foi um fator de dificuldade, já que os atletas chegaram a 1.500 metros de altitude.

“Foi difícil, chegar lá em cima é horrível, mas ao mesmo tempo é muito legal”, conta Márcia dos Santos. “O pior trecho é a subida para o Cerro Bayo, não tem jeito de correr por lá, só andar mesmo. Em compensação, nas trilhas foi tudo tranquilo”, completa a paulista que fechou em 5h50 e não está convicta em voltar ano que vem. “Talvez volte, deixa passar um pouco a adrenalina”.

Novos rumos – Muitos corredores de asfalto encararam o K42 como alternativa às tradicionais competições urbanas, já que a natureza serve como incentivo e, ao mesmo tempo, desafio. “A prova foi muito mais dura do que imaginei, mas consegui me divertir bastante. Tenho que aprender ainda algumas técnicas para correr esse tipo de prova”, conta Luiz Butti.

Assim como os outros atletas canarinhos, ele também elegeu a subida a 1.500m como o trecho mais complicado do percurso. “Também sofri bastante na descida. Enquanto o pessoal poupava energia ao descer, eu gastava”. Apesar dos “perrengues”, ele pretende participar de mais provas do gênero, inclusive a etapa brasileira em Bombinhas (SC). “Nesse tipo de prova você esquece um pouco a questão do tempo e a performance para curtir mais”.

Já Celso Goldenberg relata que pensou em abandonar a prova no meio do caminho. “Quase desisti, mas já que tinha chegado até a segunda subida do Cerro Bayo resolvi encarar o resto. Lá não tem mesmo como correr, só andar mesmo”. Empolgado com o desafio, ele pensa em voltar em 2011, mas confessa que precisará de mais treinamento.

“Em São Paulo não temos como simular essas descidas que machucam muito. Acho que no Brasil não existe uma prova tão difícil como essa, nem mesmo a Volta à Ilha”, relata Celso. “Isso aqui é mais do que uma maratona. Parece que corri 80 quilômetros e não 42”, finaliza.

Dentre os brasileiros, quem esteve pela segunda vez na prova foi Alcedir Antenor do Espirito Santo, que mesmo com um percurso mais complicado, conseguiu melhorar o tempo. “Ano passado tinham mais partes planas e o trecho de subida era descida. Foi muito dura, mas sempre vale a pena”. Em 2009 ele fechou com 5h40, mas desta vez baixou em uma hora o tempo. “A ideia deles foi muito boa, pois se todos os anos fosse um trajeto igual não teria graça”, relata o representante de Bombinhas.

Prova menor – Em paralelo com a prova principal, aconteceu uma corrida participativa de 13 quilômetros, para que os corredores ainda não aptos a encarar os 42, tivessem uma amostra do que é a prova. “Foi uma delícia e realmente fiquei com um gostinho de quero mais”, comenta Nilma Ribeiro. “Fiz minha primeira prova em trilhas. Sempre corri no asfalto e pratiquei montanhismo, então resolvi unir as duas coisas e foi a prova onde mais me diverti até hoje”, completa a mineira radicada em São Paulo.

O Circuito K42 acontece na Espanha, Saara, Chile e no Brasil, geralmente em épocas de baixa temporada nas localidades, o que ajuda a fomentar o turismo local. Villa la Angostura tem se tronado uma alternativa à saturada Bariloche, reduto de muitos brasileiros na temporada de inverno.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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