Cadeirantes entrevista o presidente da CGDCR

O site CADEIRANTES.COM.BR do portal WebRun entrevista Luiz Fernando Jardim, carinhosamente conhecido como Siri e, atualmente Presidente do Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas – CGDCR, único Clube no Brasil a dedicar-se, com prioridade, à corrida em cadeira de rodas.

Cadeirantes.com.br – Como é o nome do clube, quando foi criado e com qual objetivo?
Luiz Fernando Jardim – O Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas, foi criado em 27 de março de 2002, com o objetivo principal de integrar a sociedade através do esporte paraolímpico as pessoas portadoras de deficiência (PPD’s).

Cadeirantes.com.br – É a primeira competição de vocês (daqui para frente vou me referir assim quando for falar em Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas), qual a expectativa?
Jardim – O Clube participarou de sua primeira competição oficial, enquanto Clube nos VIII Jogos Paradesportivos da Região Sul, seletiva para o Brasileiro que aconteceu na cidade de Itajaí (SC) na semana passada (10 a 14 de julho). Nossas expectativas são as melhores, pois nossos corredores, tem experiência de muitos anos no paradesporto, tendo já conquistado em outras oportunidades importantes títulos que os colocaram no topo do ranking nacional e internacional.

Cadeirantes.com.br – Por quê vocês resolveram apostar em uma modalidade que envolve uma soma tão vultuosa de dinheiro e não apostaram no tradicional, basquete e natação que são mais baratos?
Jardim – O Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas, apostou em corredores, porque esta modalidade encaixa-se como uma luva no maior objetivo da Entidade que o de integrar as PPD’s a sociedade, dar visibilidade ao esporte adaptado e fomentar o mesmo em nosso Estado. A visibilidade dos corredores de rua são de 100% dentro do contexto atual do paradesporto no Brasil. O basquete em cadeira de rodas no País restringe-se as paredes dos ginásios e mesmo em Jogos Oficiais a demanda de expectadores é baixa, enquanto os corredores de rua, mesmo em seus treinos, por mais curtos que sejam, serão vistos por muitas pessoas e em vários lugares.

Cadeirantes.com.br – Ficamos sabendo que vocês tem projetos sociais para colocar em prática, quais são e que parcela da sociedade vocês pretendem atingir?
Jardim – Dentro de nossos objetivos sociais, está o trabalho em parceria com a FASE (antiga FEBEM) e com a Fundergs-Fundação de Esportes do Estado envolvendo no esporte adaptado as PPDs, menores abandonados, internos em unidades da FASE. Já o Complexo Paradesportivo que pretendemos construir na cidade de Capão Novo (RS) atingirá o maior número de PPDs que habitam a região de Osório (RS) até a cidade de Tôrres (RS). Na verdade este Complexo será um Centro de Reabilitação onde a PPD terá, dentro das dependências do Complexo assistência médica, odontológica, psicológica e fisioterapeuta. Terão oportunidade de se profissionalizarem em cursos lhes serão ministrados dentro do Complexo como: Informática, Gráfica, Chapeação e Pintura e escolher um esporte dentro daqueles que lhe forem apresentados. Todo e qualquer PPDs terá de cumprir uma única exigência do Projeto, a de praticar um esporte e cursar alguma coisa, não poderá optar por apenas uma delas.

Cadeirantes.com.br – De onde tiram grana para custear as despesas de vocês?
Jardim – A Entidade busca na iniciativa privada, parcerias para seus corredores. E graças a visão de alguns empresários temos tido êxito. Mas, ainda não é o suficiente, precisamos de um pouco mais de parceria, precisamos um pouco mais de empresários com visibilidade, arrojados e ousados em suas apostas. O esporte paraolímpico ainda não foi descoberto, é um filão de ouro a espera de ser lapidado. Empresas como a Micro Cervejaria DaDo Bier, capitaneada pelo empresário Eduardo Bier, desde 1997 nos apóia. Na Cervejaria fazemos leilões de obras de artes, doadas por artistas plásticos da cidade e shows com bandas de música como forma de arrecadar fundos. O Banco do Brasil e o Banrisul em nosso Estado, a Pro-Fisiomed, a Pit Stop – que atua em adaptações para PPD’s -, a Casa Branca Câmbio e Turismo, Fellini Câmbio e Turismo, Fischer Automóveis, Andréa Dornelles (Fisioterapia), possuem homens e mulheres inteligentes em seus comandos e, se deram conta de que o esporte paraolímpico é um sucesso. Um sucesso que dá um grande retorno social e certamente uma enorme satisfação pessoal.

Cadeirantes.com.br – No quadro de atletas do clube vocês tem atletas de todas as idades, masculino e feminino, fale sobre isso.
Jardim – O objetivo é esse, o de integrar as PPD’s independente do sexo, idade, cor, opção religiosa etc. Todos têm o direito de ter uma oportunidade.

Cadeirantes.com.br – Como vocês fazem para atrair novos atletas?
Jardim – Procuramos através de eventos paradesportivos e culturais atrair novos paratletas e também apoiadores de um modo geral. Também através da mídia procuramos incentivar o paradesporto, quando da divulgação dos eventos.

Cadeirantes.com.br –Como você, Luiz, conheceu o paradesporto?
Luiz – Na década de 90 tive o prazer e o privilégio de conhecer o maior incentivador do paradesporto no Estado do Rio Grande do Sul: Professor Aldo Poutrich (hoje se encontra no plano superior) que me convidou a ir até a entidade, a ARPA – Associação Riograndense de Paralíticos e Amputados para conhecer outras PPD’s e o esporte adaptado. Lá conheci o basquete em cadeira de rodas e outras modalidades de esporte para PPD’s. Conheci pessoas incríveis que muito me ajudaram naquela fase e me deram a experiência no paradesporto que tenho hoje.

Cadeirantes.com.br – Vocês sofrem muito com as barreiras arquitetônicas?
Jardim – Muito! O problema da falta de rampas, banheiros adaptados, rebaixamento de calçadas ainda é grande, embora em Porto Alegre já se tenha algum alento em algum lugares que se vai. Alguma coisa está sendo feita, mas ainda está longe de ser o ideal. Eu particularmente gosto do transporte coletivo desta cidade, estes coletivos facilitaram a locomoção das PPD’s na sua rotina diária.

Cadeirantes.com.br –Como fazem os atletas de vocês para treinarem?
Jardim – Com muita dificuldade e sacrifício! Na realidade o que mantém estes heróis é a garra e o amor com que tratam este esporte, pois treinar, trabalhar e muitas vezes estudar, requer esta garra e muita perseverança. Se houvesse uma parceria forte, que assumisse um pouco mais o esporte e o atleta, teríamos muito mais conquistas. Se sem esta tão sonhada parceria nossos atletas conseguem marcas extraordinárias, como no seu caso (Carlos Roberto Oliveira), que venceu esse ano a Achilles Marahton da cidade de Nova York, ou a vitória obtida por outro paratleta de ponta, Altemir Luis de Oliveira (Gringo) na Volta da Pampulha. Isso com todas as dificuldades existentes, imagine com uma parceria forte.

Cadeirantes.com.br –As pessoas que quiserem entrar em contato com vocês ou ajudarem o Clube como fazem?
Jardim – Aquelas pessoas que queiram entrar em contato com o Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas para informações, patrocínios, parcerias, doações etc., devem entrar em contato direto conosco. (vide contatos ao final da entrevista)

Cadeirantes.com.br –Que mensagem você, na condição de Presidente do Clube, gostaria de deixar para aqueles que visitarem o Cadeirantes.com.br?
Jardim – Apostem no Esporte Paraolímpico! Procurem se informar sobre o mesmo, assistir competições tipo maratonas, rústicas, competições de basquete em cadeira de rodas. Invistam tempo e dinheiro no esporte, temos certeza o retorno será grande, não fosse assim não teríamos junto conosco apoiadores como os que já foram citados nesta entrevistas. Faça você e sua empresa o mesmo que eles. Se cada um apoiar com um pouco, de repente teremos o necessário.

Entre em contato:
Luiz Fernando Jardim – Presidente
Clube Gaúcho de Desporto em Cadeira de Rodas
Endereço: Rua Leopoldo Bier, 591/504
Telefone: (14) 3219.3775 9847.4587 (Cel)
E-mail. luisiri@ig.com.br

Este texto foi escrito por: Carlos Roberto Oliveira

Redação Webrun

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