Cadeirantes querem premiação em dinheiro nas provas brasileiras

Disputa entre cadeirantes na Tribuna FM (foto: Divulgação/ Equipe FastWheels)
Disputa entre cadeirantes na Tribuna FM (foto: Divulgação/ Equipe FastWheels)

Jaciel Paulino é um dos atletas da elite do paradesporto brasileiro, tendo acumulado muitos títulos em sua trajetória. Ele nos conta como foi os 10km Tribuna FM realizado na cidade de Santos, no último domingo (20). Mas antes do relato, o colunista do Webrun, Carlos Oliveira, faz algumas observações sobre a situação dos cadeirantes nas provas brasileiras. Confira.

São Paulo – Como vai se ler abaixo no relato do próprio Jaciel, algumas organizações de provas não premiam em dinheiro os atletas cadeirantes. É um questionamento antigo que eu e muitas outras pessoas tentamos entender.

A organização da prova utiliza as ruas da cidade, a sinalização de trânsito, os agentes de trânsito, da polícia militar e todo o aparato que uma prova dessa envergadura necessita, que são pagos, inclusive, com os impostos dos cadeirantes, porém, na hora da premiação, ignoram esses atletas. A organização da prova, na hora da inscrição, cobra o mesmo valor de cadeirantes e andantes (atletas que não tem deficiência), mas na hora da premiação existe uma discriminação violentíssima, vejamos como exemplo a competição santista.

Nessa prova atleta andante recebeu pelo seu esforço, um automóvel Celta OKM. Já o atleta cadeirante apenas um troféu. Ora será que o esforço do atleta cadeirante é menor?

Em outras ocasiões, como consultor do site e também como atleta, tentei inúmeras vezes contato com a organização da prova, para saber qual era o motivo do não pagamento aos cadeirantes, porém, todas as minhas tentativas sequer tiveram resposta.

Os cadeirantes não querem todas as luzes da ribalta, não querem ser o centro das atenções, querem apenas ser tratados com dignidade. Muitos participam há anos da Tribuna FM, por exemplo, e não são reconhecidos.

Se os organizadores da prova 10KM Tribuna, assim como outro qualquer, querem ser realmente grandes, eles devem se basear em provas como Chicago, Nova York, Boston, Berlim, Rústica de Aniversário de Porto Alegre, estas onde os cadeirantes ganham o mesmo valor em dinheiro que os andantes. Nessas provas desde o momento da inscrição até a hora da premiação, os atletas andantes ou cadeirantes, tem a mesma importância para a organização, independentemente se ele corre em cadeira de rodas ou não. Ele terá apenas um valor: o valor de um atleta.

Para Jaciel Paulino, terceiro colocado da competição, a prova santista foi boa para a visibilidade dos cadeirantes. “Na minha visão é uma prova com bastante visibilidade, divulgação e apoio da imprensa onde os cadeirantes são valorizados. Este ano, após reivindicações, todos tivemos rampa de acesso ao pódio”, conta. Antes os cadeirantes recebiam a premiação em local separado, muitas vezes atrás do pódio, sem que a assistência pudesse aplaudir e reconhecer os campeões cadeirantes. E isso segundo Carlão, ainda acontece em algumas provas no Brasil.

Para Jaciel o percurso da Tribuna foi todo plano com muitas retas, o que facilitou a corrida para os cadeirantes. Mas assim como Carlão, ele não viu premiação em dinheiro para essa categoria. “Premiação de troféus para todas as categorias adaptadas, porém, sem premiação em dinheiro e o que é pior essa é uma das provas mais bem pagas do Brasil”, diz Jaciel.

Outro ponto observado foi a falta de preparo para receber esses atletas na hora da inscrição “Existe muita dificuldade para fazer a inscrição, o local tem somente acesso por escada, por essa razão o meu técnico teve de fazer a minha inscrição. Visando a prova do ano que vem, marcamos uma reunião com todos os portadores de deficiência participantes dessa edição e os organizadores da prova para pleitear premiação em dinheiro e com isso trazer outros atletas”, revela Jaciel.

Resultado dos cadeirantes na Tribuna FM

Masculino
1° Carlos Neves 30min22
2° Paulo de Paulo 30min22
3° Jaciel Paulino 31min01

Feminino
1ª Elizabeth Souza 57min
2ª Maria Gilda 1h00

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira

Redação Webrun

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