Carla Moreno: brasileira voadora

Carla: primeira brrasileira a ganhar uma etapa da ITU (foto: Fernanda Paradizo)
Carla: primeira brrasileira a ganhar uma etapa da ITU (foto: Fernanda Paradizo)

É assim que Carla Moreno começa a ficar conhecida no circuito internacional e pretende aumentar a fama com ouro no Pan e uma medalha olímpica

Pronta para buscar o ouro. Depois de conquistar a medalha de prata em Winnipeg/99, Carla Moreno vai correr, nadar e pedalar para chegar em primeiro nos Jogos Pan-Americanos, em agosto, em Santo Domingo, sua segunda participação no evento. A República Dominicana é apenas uma escala. A atleta, que tem lugar cativo na Seleção Brasileira desde 99, tem como destino Atenas 2004. Treina duro para atingir sua grande meta: uma medalha olímpica. Melhor brasileira qualificada no ranking mundial em 2002 (9º colocada), a “brasileira voadora” conta, nesta entrevista exclusiva para SuperAção, um pouco de sua trajetória vitoriosa, planos para a carreira e confirma mais uma vez que o sucesso é conseqüência de muita dedicação e determinação.

Você foi a melhor brasileira do ranking da ITU em 2002, o que espera para este ano?
A posição tem variado bastante, hoje (última semana de maio) estou em 10º lugar. O mais importante são os resultados e não o ranking, pois existem várias provas toda semana e você cai e sobe como se estivesse pulando numa cama elástica. Me preocupo com os resultados. Os pontos serão conseqüência.

E quais são os planos para a carreira?
Dentro do triathlon, hoje, só tenho como objetivo uma medalha nos Jogos Olímpicos. Se vai ser ano que vem, se vai ser em 2008, não sei. Estou lutando com todas as minhas forças.

Como estão suas expectativas em relação ao Pan?
Venho me dedicando ao máximo para estar no pódio, mas não gosto de falar sobre resultado no ar. O triathlon é uma prova que depende de equipamento e, dessa forma, tudo pode acontecer. Não podemos menosprezar ninguém e lutar muito.

A disputa em Santo Domingo promete ser acirrada?
Todas as competidoras são fortes, pois são as melhores de cada país. Mas, sem dúvida, a briga entre brasileiras, americanas e canadenses vai ser legal.

Você se inspira em alguém, tem um ídolo?
Eternamente Ayrton Senna. Cada vez mais me encanto com os projetos que sua irmã (Viviane) vem realizando. Sempre estou admirando a performance alheia, todos aqueles que lutam e conseguem. E tenho que dizer que às vezes a minha também.

Como é a sua rotina?
Minha rotina é treinar, treinar e treinar. Mas, nas minhas horas livres, gosto de estar em casa com meu marido. Minha família sempre faz churrasco. Eu adoro! E gosto de fazer compras.

Como é a sua preparação?
Não tenho planilha, quilômetros e horas. Treino geralmente em três períodos, e também faço massagem e alongamentos. Quando tenho tempo, faço aulas de postura, pois sou um ponto de interrogação, preciso melhorar. Acho que o treino tem que ser de acordo com a capacidade de cada indivíduo. O meu treino só seria bom para o meu clone. O meu técnico varia muito e nem sempre faço os três esportes no mesmo dia ou, às vezes, faço duas vezes a mesma modalidade.

Quem compõe sua equipe de trabalho?
Meu técnico é o Cali, tenho um fisioterapeuta que é o Marco Aurélio, meu massagista é o Paulo (meu marido, também fisioterapeuta), e um médico que é o Dr. Oscar Naranjo, que cuida de toda alimentação e suplementação.

Quais são os cuidados com alimentação?
O Dr. Oscar é quem fez meu Fusca virar Formula 1. Estou ainda na Formula 3.000, na F-1 chego ano que vem. Faço uma dieta balanceada, pois meu médico me conhece e adaptou o que meu organismo absorve melhor. Não adianta eu falar que bebo de 3 a 4 litros de leite por dia, quem conseguiria? Eu e o bezerro. Não consumo o que realmente não gosto, não aprecio frituras, exceto banana à milanesa, não gosto de refrigerante, de cerveja, em compensação não fico sem doce nenhum dia, sou uma pessoa muito elétrica, como chocolate umas quatro vezes. Também como sanduíche quando tenho vontade. Não sou escrava, mas tenho consciência e como o que me faz bem. Não como sem vontade, a gula é o problema.

O que a fez se dedicar ao triathlon?
Eu era nadadora e comecei a praticar corrida de rua pra sair da rotina. Aí foi só comprar uma bike. Comecei em 1996. Não fui nenhum fenômeno na natação (disputava provas de 100m e 200m peito e 400 medley), senão não estaria no triathlon. Adoro natação de paixão, passo horas assistindo uma prova pela TV.

Qual é seu ponto forte na modalidade?
Acho que sou média nos três esportes e quero melhorar nos três. Tudo depende da prova, você precisa ter natação de primeiro pelotão, ciclismo para se manter e corrida pra decidir.

Qual foi a prova mais difícil que você já disputou?
A etapa da World Cup de Nice, na França. Me lembro que o ciclismo tinha uma serra e era super difícil. Quando reconheci o percurso, um dia antes, chorava a noite de tanto nervoso, achava que não conseguiria. Antes da prova, o técnico australiano (parceiro do Cali) que estava me acompanhando, chegou e disse que esperava algo de bom porque confiava em mim. Senti, naquele instante, minutos antes da largada, a responsabilidade. Na primeira volta do ciclismo perdi minha garrafa de água, ou seja, fiz 40km de bike no seco. Na corrida serviam água com gás. Conclusão: não podia tomar se não vomitaria. Estava mal, em 8º lugar quando faltavam duas voltas de corrida, 2 ou 3 km para terminar, e o técnico já estava cansado de gritar, bravo, e eu cansada, com sede. Teve uma hora que ele desistiu. Eu estava morta, mas pensei, vou provar que não desisto. Dei um sprint, a galera levantou, e as pessoas pensavam que tinha tomado algo, porque o narrador dizia que eu estava voando e não correndo, ‘brasileira voadora!’ Cheguei em segundo lugar e chorei muito ao ver a bandeira do Brasil no pódio. Ficaram dois ensinamentos: quando tudo parecer impossível, se não chegou o final, há sempre esperança e, a dor física pode ser superada quando estamos felizes, ou seja, aquela dor terrível, a sede, foram superadas ao pendurar a medalha no pescoço e ver a Bandeira Nacional no alto. E ainda pude surpreender meu técnico, que achava que tudo estava perdido.

Você nunca participou de Ironman, tem planos para este tipo de competição?
Não sei se vou participar. Acho que tenho que ter um objetivo de cada vez. Se não, você se perde no meio do caminho. Gostaria de ter participado dos 10km de pista para tentar o índice dos Jogos Pan-Americanos, mas meu técnico não deixou. Então, entendi que estava errada, o triathlon já é, por natureza, um esporte que exige muito, portanto, é preciso de tempo para tudo.

Até quando você acredita ser possível competir em alto nível no triathlon?
Depende da cabeça do atleta. A Fernanda Keller, por exemplo, está com quase 40 anos e dá show no ironman. Tudo depende se o atleta vai ter paciência e condições físicas (muita lesão poderá levar a uma curta carreira). Na minha opinião, carreira é questão de objetivo. Se você alcançou sua meta, como vai pensar depois? Então entra a questão do tempo. Quando se tem uma motivação e um objetivo, se vai longe.

Entre as competidoras atuais, quem são suas maiores adversárias?
Quando dá a sirene, todas são iguais, quem cruzar a linha de chegada em primeiro é a melhor naquele dia. Nem sempre estamos bem sempre e ninguém é invencível. Por isso, não acredito em adversárias, sempre pode surgir alguém pra surpreender, então, ficar ligado é o melhor adversário.

Que dicas daria para quem sonha em ser campeã de triathlon?
Ser dedicado e estar preparado para sofrer. Do céu só cai chuva, raios, gelo!

Qual foi o momento mais importante da sua carreira?
Vai ser quando eu conquistar meu objetivo (uma medalha olímpica).

Você sempre demostrou ser bastante vaidosa…
Sou sempre cuidadosa. Gosto de olhar no espelho e me sentir bonita. Não gosto de ficar suja ou suada. Sempre estou cheirosa e bem arrumada. Não gosto de roupas “frescurentas”, mas gosto de ter meu estilo de vestir. Sou detalhista e observadora. Acho que isso é uma grande vantagem dentro do meu esporte. O detalhe faz a diferença.

E como é a Carla Moreno?
Sou uma pessoa feliz, que gosta muito de conversar e ajudar as pessoas. Meu maior defeito é querer tudo do meu jeito e gostar de resolver os meus problemas e dos outros logo.

Este texto foi escrito por: Revista SuperAção

Redação Webrun

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