Chuva, neve e sol marcam primeira edição da Meia Maratona das Geleiras

No fim da prova o sol ajudou os corredores a visualizarem a geleira Perito Moreno (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
No fim da prova o sol ajudou os corredores a visualizarem a geleira Perito Moreno (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

Argentinos, brasileiros, uruguaios, chilenos, venezuelanos, italianos e americanos se reuniram na manhã deste sábado (14/04) para a disputa da Meia Maratona das Geleiras (Media Maraton Del Glaciar), em El Calafate, província de Santa Cruz (ARG). Os cerca de 300 participantes encontraram um percurso difícil aliado a um clima que teve chuva, neve e sol.

Direto de El Calafate (ARG) – O tiro de partida aconteceu às 11h dentro do Parque Nacional do Glaciar, mas desde as 8h (hora em que o sol começava a nascer) a movimentação pelas ruas da cidade era intensa, com diversos ônibus levando os corredores para a largada. A chuva já prevista desde o dia anterior caia forte e começava a preocupar atletas e seus acompanhantes.

A concentração aconteceu dentro de uma cafeteria localizada no parque, onde era possível utilizar a estrutura de banheiros, lanchonete e se abrigar do frio intenso. Os brasileiros logo se reuniram e começaram a trocar informações sobre a prova e ensaiar alguns gritos de guerra, como “vai Brasil”, “é nóis”, “Brasillllll”e alguns tímidos “Vai Corinthians”.

A poucos minutos da saída, encarar o frio e a chuva era a única opção, mas a trilha sonora escolhida pelo DJ não deixou ninguém parado. Ao som de músicas brasileiras, hits internacionais e argentinos, todos se alinharam para a largada na contagem regressiva de dez segundos.

O primeiro quilômetro foi uma subida, mas logo de cara a visão da geleira Perito Moreno, principal atrativo turístico da região, amenizou o sofrimento. A prova seguiu e a temperatura começou a baixar ainda mais com o vento forte e a chuva, o que parecia um combustível extra para os corredores de elite brigarem passo a passo pela liderança.

Mudança de Clima – No meio da prova alguns flocos de neve começaram a cair, mas logo o sol deu as caras e brindou a todos com a elevação da temperatura. Se antes da largada as rivalidades entre as nações ficavam evidenciadas, durante os 21 quilômetros os corredores se ajudavam, com os mais preparados incentivando aqueles que por ventura ameaçavam uma quebra, sem se lembrar das diferenças geopolíticas.

O quilômetro final mais uma vez foi com uma subida intensa, considerada por alguns participantes como mais dura do que a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, parte da Corrida de São Silvestre, em São Paulo. Todos que cruzavam a linha de chegada tinham a oportunidade de romper a faixa, algo geralmente restrito aos corredores de elite na maioria das provas.

Confira na página a seguir o relato de alguns brasileiros sobre a competição

Os brasileiros, acostumados ao clima tropical, sofreram para se aclimatar, mas aprovaram o evento. “Foi uma prova muito legal. O início assustou um pouco, com o frio e a chuva, mas depois do sétimo quilômetro a temperatura melhorou”, relata Luciano Rocha. “Eu nunca havia corrido num local tão frio, pelo contrário, fiz a prova do Deserto do Atacama no começo do ano, mas gostei muito daqui. Certamente voltarei ano que vem”, completa o brasiliense.

O também brasiliense Emerson dos Santos afirma que não veio esperando baixar o tempo na distância. “O mais importante não era o resultado, mas sim aproveitar o visual maravilhoso das geleiras. É um percurso difícil, desafiador, mas uma experiência inesquecível”, relata. “Não conhecer o local e o percurso com subidas e descidas foram os fatores que me motivaram a vir para cá”, completa.

“Foi a melhor prova que eu já participei. Não sabia se corria ou se olhava o visual, que é fantástico. Essa prova é complicada, principalmente por causa das subidas, e tive que andar no final, pois a lombar começou a doer”, exalta Lucas Andrade.

O catarinense Sandro Tripoli trocou o calor de Florianópolis pelo frio da Patagônia, mas diz não se arrepender. “Foi uma corrida fenomenal, minha estreia na meia maratona. O pessoal escolheu um lugar maravilhoso para organizar a corrida”, relata. “Pegamos várias condições climáticas diferentes, que aliadas às subidas deixaram a prova muito puxada. Essa é uma viagem que ficará marcada para a vida e agora qualquer disputa no calor vai ser fichinha”, brinca.

Assim como a maioria das pessoas, ele sentiu dificuldade na última subida, mas contou com uma ajuda especial para garantir o sprint final. “Teve um momento que bateu uma rajada de vento a favor, então aproveitei para embalar e concluir a disputa correndo”, completa o competidor que ganhou a inscrição para a Meia Maratona Glaciar numa promoção do Webrun.

O santista Renato Sabino, também acostumado ao calor tropical, diz que o visual compensa a dificuldade. “Saí de quase 40 graus e vim correr com neve, mas essa prova é muito linda e já quero voltar de novo. O percurso é duro, com muitas subidas e última faz a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio parecer fichinha”, admite.

Ao contrário dos outros corredores, o paulista Daniel Gonçalves não achou o percurso difícil. “Foi uma experiência inesquecível participar da primeira edição, com chuva, neve e sol. Achei o trajeto tranquilo, as únicas dificuldades foram o vento e a temperatura, pois já encarei provas com maior dificuldade”.

Mulheres – Entre as mulheres, Ana Kimomirof não economizou adjetivos após completar os 21 quilômetros. “Foi a prova mais louca, mais bonita e mais difícil que eu já fiz. A paisagem é maravilhosa, mas tem cada subida de doer”, relata a paulistana. “Depois de fazer essa prova, qualquer uma fica fácil. Valeu muito a pena ter vindo até aqui, pois as paisagens são lindas”.

A última colocada, Celeste Ramirez, fechou a prova quase no tempo limite, e se emocionou muito ao receber os aplausos do público e dos organizadores. “Foi uma corrida excelente, fantástica, um sonho realizado”, conta quase aos prantos. “Apesar de tudo nunca parei e consegui completar. Muito obrigado Glaciar”.

Dentre os quase 300 participantes, o Brasil representou 20%, um número considerado bom pelos organizadores por se tratar da primeira edição. Confira nos próximos dias o relato dos campeões, assim como a visão dos organizadores do evento.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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