Ciência e prática

Como quase tudo nestes tempos modernos, as mudanças tem se mostrado profundas e velozes. Não é diferente no esporte. Comecei a correr em 1970, em São Caetano do Sul, da forma mais amadora possível. Participava de corridas de rua quando o tempo permitia.

Dedicava-se realmente por amor a atividade física. Sempre adorei correr. Até 1379, competi e treinei nos intervalos do trabalho. A partir daí, minha vida mudou, quando bons resultados renderam um convite para integrar a equipe do Sesi, em Santo André.

Foi uma mudança radical. Entrei para uma das melhores, senão a melhor equipe de atletismo da época. Passei a receber uma ajuda financeira para me dedicar aos treinamentos e competições. Pode-se dizer que passei da água para o vinho. Os resultados vieram e, ao longo dos anos, obtive conquistas como o bicampeonato pan-americano nos 3 mil metros com obstáculos, sete títulos brasileiros consecutivos nos 3 mil e três medalhas de ouro em sul-americanos, além de uma semifinal olímpica. Mesmo assim, olhando para trás, percebo o quanto o trabalho era empírico.

Éramos atletas de ponta, mas não contávamos com nutricionista, testes fisiológicos e outros avanços científicos que vieram com o tempo. Costumo dizer que tudo era na base do achômetro. Felizmente, estávamos no caminho certo e eu, particularmente, tive um salto de qualidade para construir uma carreira de resultados nacionais e internacionais. Não posso deixar de dar méritos ao trabalho de meu ex-treinador, Asdrúbal Ferreira Batista.

Passados os anos, vivi o período de transição para as primeiras aplicações científicas do treinamento. Era a década de 80, quando deixamos de ser totalmente amadores na forma de trabalhar rumo ao profissionalismo. Os atletas passaram a ter acompanhamento nutricional, fisioterápico, além de serem submetidos a testes de avaliação, como de VO2 máximo, por exemplo. É verdade que eu estava próximo da aposentadoria como atleta, mas foi uma experiência de vida.

Quando chegou o momento da transição, de passar para o lado de fora da pista, toda a experiência como atleta, aliadado a estudos técnicos e científicos, me ajudaram a indicar aos jovens talentos os melhores caminhos rumo aos resultados positivos.

Hoje, no meu trabalho como técnico, percebo o quanto a evolução tecnológica no esporte. E a tendência é melhorar cada vez mais. Com a globalização, estamos mais próximos do resto do mundo e os avanços não demoram tanto a chegar por aqui.

Trabalho com alguns dos melhores corredores do Brasil, como o Marílson Gomes dos Santos, Clodoaldo Gomes da Silva, Juliana Azevedo, entre outros. E ajudei outros, como Hudson Santos de Souza. Tenho grandes talentos nas mãos e trabalhamos com o objetivo de chegar, e bem, aos Jogos Olímpicos. E é impressionante como a análise de dados pode nortear os rumos do treinamento rumo ás vitórias. Mas é importante dizer que não fiquei somente com minha experiência como atleta. Fui estudar. Me formei em Educação Física e fiz outros cursos técnicos. Vale lembrar que é preciso ter equilíbrio. Não dá para ser apenas o teórico, sem feeling, nem o prático, sem conhecimento científico. O equilíbrio é fundamental para o sucesso em qualquer atividade, Não é diferente no esporte.

(*) Bicampeão pan-americano, hexacampeão brasileiro e tri sul-americano, trabalha como técnico na equipe da ONG Silvio de Magalhães Padilha.

Texto reproduzido com autorização da revista SuperAção

Este texto foi escrito por: Adauto Domingues (*)

Redação Webrun

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