Confira análise de treinador sobre o percurso da São Silvestre

Descida na Rua Major Natanael é muio íngreme (foto: Reprodução/ Google Maps)
Descida na Rua Major Natanael é muio íngreme (foto: Reprodução/ Google Maps)

A Corrida Internacional de São Silvestre (31/12) chega a sua 87ª edição cercada de polêmica pelas alterações no percurso. De um lado, corredores reclamam de mudanças que rompem com a tradição da prova como o fim de trechos como a chegada na Avenida Paulista e como a descida da Rua da Consolação ou do trajeto pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão.

De outro lado, a organização da Corrida defende que as alterações foram medidas de segurança para permitir que mais corredores pudessem participar da prova. Sabe-se que o principal motivo para as modificações foi o conflito com a festa de réveillon na Avenida Paulista.

Mas para quem vai correr, o que esperar do novo percurso? O treinador Nelson Evêncio, colunista do Webrun, analisou os trechos capitais da nova São Silvestre e fez diversas considerações aos corredores. Confira:

Início – A prova larga na Avenida Paulista, segue pela Avenida Doutor Arnaldo e desce em direção ao Estádio do Pacaembu pela Rua Major Natanael. “Essa parte é muito difícil. É muito inclinada a ladeira que beira o cemitério [do Araçá] e vai para o Pacaembu. É logo no começo, quando a pessoa não está aquecida ainda, é uma parte bem ruim. Uma das piores do percurso”, pondera Nelson.

O perigo, segundo o professor, consiste não apenas na descida, mas na empolgação dos corredores no início da Corrida. “Até chegar lá vai ser meio congestionado. Então, quando chegar ali, as pessoas vão querer começar a correr, vão pensar ‘ah, vou recuperar o tempo que perdi na largada’. Vão querer acelerar e podem se machucar”, adverte.

Parte intermediária – Após a descida e trechos curtos em ruas da região, os corredores entram na Avenida Pacaembu, para em seguida pegar a Avenida Marquês de São Vicente e a Avenida Rudge. “O asfalto na Pacaembu está legal. Esse trecho inteiro é plano, mas a partir da Marquês não tem muita sombra. Se fizer calor como de costume, vai ser sofrido”, avalia o treinador.

Segundo Nelson, a transição entre a Avenida Rudge e a Avenida Rio Branco é um trecho que muitos ignoram, mas é uma das partes mais pesadas da prova. “Já existia no percurso anterior, é um viaduto com uma subida acentuada [Viaduto Engenheiro Orlando Murgel]. O pessoal fala da subida da Brigadeiro, mas ali também é um trecho bem difícil”.

A afamada Brigadeiro – Depois de passar por ruas famosas no centro de São Paulo, os participantes sobem o Largo São Francisco, “uma subidinha íngreme”, e entram na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. “É a parte mais contestada. Você vem de um percurso de subidas e descidas consecutivas, aí pega essa subida longa, que sobrecarrega a musculatura, fadiga e depois o que vem é uma descida longa. Para a saúde é um risco”, diz Nelson.

Segundo o treinador, a musculatura e os ligamentos são muito forçados para não soltar o corpo na descida. Como o atleta já está fadigado, o risco é grande. “Para ter lesão de joelho, romper ligamento, é bem fácil”.

Nelson adverte ainda sobre as condições do asfalto da Brigadeiro. “Não sei se vão reformar, mas é via de ônibus e o asfalto está muito judiado, a pessoa pode pisar em desnível ou buraco e torcer o tornozelo”.

Balanço final – Em comparação com o percurso anterior, o professor acredita que existem prós e contras. “É um percurso arriscado. Teoricamente é mais fácil porque tem mais descida, mas propicia mais lesões. É mais rápido que o percurso anterior, mas mais perigoso. A descida da Consolação era longa, mas constante. Com baixa inclinação, não sobrecarregava as articulações. Agora é um perigo, vai ser complicado”, define.

Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

Redação Webrun

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