Confira as dicas e histórias sobre a São Silvestre

Atletas se preparam para a largada (foto: Harry Thomas Jr./ Webrun)
Atletas se preparam para a largada (foto: Harry Thomas Jr./ Webrun)

No último dia do ano acontece em São Paulo a São Silvestre. Essa é a mais tradicional corrida de rua do país e está na sua 81ª edição. A prova reúne corredores estrangeiros e brasileiros. Esse ano 15 mil pessoas irão participar da competição que tem algumas peculiaridades.

Foi a partir desse tema que aconteceu, nessa última quarta-feira na capital paulista, a palestra Webrun com histórias e dicas sobre a São Silvestre. Esta foi ministrada pelo técnico de corrida Wanderlei Oliveira na Academia Competition e contou com convidados especiais como os atletas veteranos Mitiko Nakatani e Edgar Freire.

São Paulo – Quem nunca almejou em participar de uma determinada prova e superar os seus limites? Esses são os desejos de quase todos os corredores que integram a Corrida Internacional de São Silvestre. A prova é a mais tradicional corrida do Brasil e existe desde de 1924. Todos os anos a largada é dada no dia 31 de dezembro na cidade de São Paulo.

Por ser realizada no último dia do ano, a corrida tem um ar festivo. Mesmo assim não deixa de ser um grande trampolim de atletas. Foi da São Silvestre que surgiram nomes do atletismo mundial como o queniano Paul Tergat. Mas é também na São Silvestre que corredores anônimos realizam o sonho de participar da prova mais famosa do Brasil, mesmo que o esforço seja grande para percorrer os 15 quilômetros de corrida.

História – A prova surgiu no ano de 1924 e foi idealizada pelo jornalista Cásper Líbero. “Em uma visita à Paris, Cásper Líbero se encantou com uns corredores que passavam pelas ruas francesas à noite com tochas de fogo. Ao voltar para o Brasil, ele decidiu fazer uma corrida semelhante”, conta o técnico Wanderlei de Oliveira.

No mesmo ano foi criada a Corrida de São Silvestre, que até então era realizada na parte da noite. A data da prova, 31 de dezembro, também não foi escolhida ao acaso. Esse é o dia de morte e de canonização do São Silvestre, Papa durante 314d.c até 335d.c.

“Há registros de que 33 pessoas completaram a primeira São Silvestre do Brasil. O primeiro campeão foi Alfredo Gomes no tempo de 23 minutos. Mas naquela época o percurso tinha 8.800m”, revela Oliveira.

Durante os 81 anos de existência a prova sofreu diversas alterações de percurso até chegar aos 15 quilômetros atuais. As mulheres só começaram a correr oficialmente em 1975.

Campeões – Os maiores vencedores da São Silvestre são estrangeiros. O queniano Paul Tergat venceu a prova por cinco vezes e a portuguesa Rosa Mota foi campeã seis vezes consecutivas. A primeira mulher brasileira que conquistou o lugar mais alto do pódio foi Carmem de Oliveira no ano de 1995.

Desde que a prova se tornou internacional somente seis brasileiros ganharam o título da São Silvestre. O último deles foi o maratonista Marílson Gomes no ano de 2003.

Além da categoria elite, muitos corredores se destacam nas categorias por faixa etária. A corredora Mitiko Nakatani faz parte desse grupo. Aos 73 anos ela já participou da São Silvestre por oito vezes. Atualmente ela é a atual campeã mundial de maratona máster.

Dicas – Como a São Silvestre acontece no último dia do ano em pleno verão, alguns cuidados precisam ser tomados antes, durante e depois da prova. Segundo Wanderlei de Oliveira, todo o corredor deve fazer um check-up antes de participar da prova. “Todo ano morre um sujeito na São Silvestre. Como a prova é numa época festiva, o povo exagera na comida e bebida e vai para a prova. É um risco”, conta.

Por isso aconselha-se que nos dias que antecedem a São Silvestre a pessoa deve comer coisas leves e evitar bebidas alcoólicas. Além disso, o corredor deve fazer o básico como alongamento antes e depois da prova e também usar um tênis confortável. “Muita gente ganha um tênis novo no natal e corre a São Silvestre com ele. Isso não é indicado”, alerta Oliveira que aconselha o uso do tênis mais confortável.

O mês de dezembro no Brasil é característico pelo calor e o sol na largada da São Silvestre, principalmente no feminino por volta das 15h, é forte. Por isso evitar o sol um dia antes é uma boa opção. E também por causa do calor o atleta deve beber muita água um dia antes da prova e durante a competição. “Beba muito liquido um dia antes. Para saber se você está hidratado, observe a sua urina, se tiver com a cor clara é sinal de que você se hidratou bastante. Além disso, no dia da corrida não dispense nenhum posto de água”.

Táticas – A largada da São Silvestre acontece em frente ao Masp na avenida Paulista. Depois os corredores percorrem 15 quilômetros e passam no Elevado Costa e Silva, Memorial da América Latina e na avenida Brigadeiro Luis Antônio. O desnível da competição é muito grande. A largada está a 816 metros de altitude e o ponto mais baixo fica na marca de 720m.

Além disso, há muitas descidas e subidas. Para correr bem o atleta deve usar uma tática que segundo Oliveira, é infalível. “Os 7,5km de prova são de descida e os outros 7,5km subida. O corredor deve se poupar no trecho inicial para reservar energia. Nos trechos planos ele deve imprimir um ritmo mais forte. Só assim ele irá conseguir enfrentar o trecho mais difícil da prova, os últimos três quilômetros. Lá está a famosa subida da Brigadeiro”, revela.

“Tem gente que larga no pique e não agüenta correr nem dois quilômetros. Outra dica importante é que no fim da Brigadeiro as pessoas já estão morrendo, ali o corredor precisa ficar com a postura ereta. Assim além de correr os últimos 400 metros de prova com uma boa postura para sair bonito na foto, ele vai ajudar a respiração”, acrescenta.

Mentalização – Um dos convidados especiais da palestra, Edgard Freire, alavancou sua carreira no atletismo depois de ter sido o segundo colocado da São Silvestre, em 1954. Hoje ele é biomédico e corredor.

Sua história no atletismo começou quase que por acaso. “Em 53 eu vi um anúncio no jornal para participar de uma corrida. Quando cheguei no lugar era uma prova de revezamento. Só sei que eu corri e minha equipe ganhou”, conta Freire. Depois disso ele passou a treinar no São Paulo Futebol Clube e se tornou o primeiro brasileiro a correr cinco mil metros em menos de 15 minutos.

Na sua primeira São Silvestre, ainda em 1953, Freire não obteve bom resultado. “No ano seguinte (1954) eu sonhava todos os dias com a São Silvestre. Eu me via vencendo a prova. No dia da corrida perto do largo Paissandu eu me despachei e cheguei em segundo. Foi a minha glória no esporte. Depois desse dia fiquei conhecido no mundo todo”, revela o biomédico.

Independente do resultado a satisfação de completar a São Silvestre é grande para todos os participantes. Para isso Wanderlei de Oliveira fala para seus alunos corredores terem pensamento positivo. “Um dia antes da prova o corredor deve fazer uma mentalização da corrida. A pessoa deve se imaginar cruzando a linha de chegada no tempo desejado. Essa energia de se ver é uma forma de motivação e em muitos casos dá certo”, finaliza Oliveira.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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