• Bem Estar - Rabdomiólise: a doença de quem exagera na força dos exercícios

Rabdomiólise: a doença de quem exagera na força dos exercícios

A rabdomiólise é uma síndrome grave, que ocorre devido a lesões musculares diretas ou indiretas. Costuma ser resultado da morte das fibras musculares, que liberam seu conteúdo para a corrente sanguínea. Esse processo pode afetar principalmente os rins, que não conseguem remover os resíduos concentrados na urina. Em casos raros, a rabdomiólise pode até causar a morte. No entanto, o tratamento imediato muitas vezes traz bons resultados.

Dores fortes na área afetada são muitos comuns em quem sofre com essa doença Foto: leszekglasner

Dores fortes na área afetada são muitos comuns em quem sofre com essa doença Foto: leszekglasner

“Ela costuma se desencadear por lesão muscular e hoje, vem acontecendo com mais frequência em praticantes de crossfit, devido ao esforço que chega a níveis em que a competência fisiológica, não é condizente à sua força. Essa lesão pode ser causada por meios físicos (esmagamento por peso, exaustão devido a bloqueio de vaso sanguíneo) ou por meios químicos (toxinas, calor ou drogas)”, explica o coordenador Fisiológico e Docente da Universidade do ABC, Leonardo Pimenta.

“O modismo dos exercícios devem ser levados a sério. Tanto crossfit quanto corrida de rua assumem papéis importantes, porém estão longes de serem seguros caso os praticantes não tenham condições mínimas de realizar suas práticas”, acrescenta.

O objetivo do crossfit é vencer sempre as tarefas impostas pelos instrutores, que mesmo tendo formação na educação física, muitas vezes não respeitam os limites dos praticantes. “Atletas têm uma vida cheia de regras. Horário para dormir, nutrição de primeira linha, descanso e isso parece não importar em algumas academias de crossfit, que trabalham intensidades extenuantes para pessoas normais e despreparadas fisicamente”, afirma Pimenta.

O músculo das costas costuma ser muito afetado Foto: ruigsantos

O músculo das costas costuma ser muito afetado Foto: ruigsantos

Cristina Giotoko, que trabalha no mercado financeiro, sofreu na pele a doença. “Fui a convite de uma amigo em um aulão aberto de diversas academias. Resolvi experimentar o crossfit, eram oito repetições (séries de 20 segundos e descanso de 10 segundos). Um deles era o agachamento e o outro foi o burpee. Já na terceira série do agachamento senti um cansaço e fiquei sem ar. Parei e sentei. As pessoas começaram a me estimular a continuar. Quando começou a série de burpees voltei. Enquanto isso ouvia insistentemente o instrutor pilhando e incentivando a acelerar, fomos estimulados a nos superar”, conta.

“Depois disso, o treinador passou mais alguns exercícios. Nessa hora, todo meu corpo já doía, principalmente as pernas e costas. Mas nunca passou pela minha cabeça que exercícios com o próprio corpo ou o excesso de repetições fosse dar nisso. A aula foi no sábado de manhã e me senti dolorida, mas não achei anormal. Na segunda-feira fui trabalhar e ao tentar descer o primeiro lance de escadas, minha pema esquerda não tinha força, caí mais ou menos por 10 degraus, a sorte foi ter segurado no corrimão. Decidi usar o elevador para subir e descer um andar naquela semana. Ainda não passava pela minha cabeça que fosse grave”, acrescenta.

Essa doença é mais comum em quem sofre grandes impactos musculares ,como os que costumam ocorrer em desabamentos, terremotos ou acidentes automobilísticos, por exemplo. Mas que também podem acontecer em outras situações como o uso de álcool ou drogas ilegais, tensão muscular extrema, outras lesões por esmagamento, compressão muscular duradoura, uso de certos medicamentos, choque elétrico, queda de raio, grandes queimaduras, temperatura corporal muito alta, cetoacidose, algumas miopatias, infecções virais ou bacterianas e histórias anteriores de rabdomiólise. O exercício físico extenuante, realizado em condições de muito calor e alta umidade em pessoas com hidratação inadequada, também pode resultar em rabdomiólise.

Os sintomas iniciais de rabdomiólise podem ser sutis e parecer com os de outras doenças. Os músculos afetados ficam fracos, a pessoa pode ter dor intensa nos e o músculo pode ficar sensível ao toque, apresentando hematoma. “Alguns dias depois, em uma quinta feira, cheguei ao trabalho e 30 minutos depois comecei a sentir dor nas costas do lado direito. Mais 10 minutos a dor piorou e comecei a tremer descontroladamente, em seguida, tive calafrios e imediatamente fui levada para o hospital. Cheguei lá febril, sem andar direito e a dor só piorava. Pediram exames de sangue, urina e tomografia com contraste”, lembra Cristina.

Esforço em excesso é uma das causas desse problema Foto: Pixabay

Esforço em excesso é uma das causas desse problema Foto: Pixabay

Ela apresentou alguns sintomas, mas o fisiologista lembra de muitos outros que podem acometer quem tem essa doença. “É provável que a urina fique escura, parecida com a cor de chá, e sua frequência pode ser menor. É comum ter febre, podem ocorrer vômitos e náuseas, bem como confusão mental e agitação. Às vezes, observa-se ganho de peso. Algumas pessoas sentem dores nas articulações e também podem ocorrer convulsões, em fases mais avançadas da doença”, acrescenta.

A rabdomiólise sempre requer atendimento médico imediato. “O tratamento depende do quadro clínico que a pessoa apresenta. As formas graves demandam hidratação endovenosa para aumentar a velocidade de eliminação renal, dos produtos nocivos liberados pelo músculo lesionado. O fluido de reposição deve conter bicarbonato, para ajudar a combater o ácido no sangue devido à lesão muscular. O bicarbonato também ajuda a eliminar a mioglobina dos rins”, explica o fisiologista. Vale lembrar que quando se está em processo da doença, não se pratica qualquer tipo de exercícios físico. A pessoa deve ficar em repouso até liberação médica e normalização da creatinina e transaminases hepáticas.

O médico lista sete maneiras que podem ajudar a evitar que isso aconteça!

1. Nutrição coerente com o esporte que você pratica

2. Hidrate-se corretamente durante os exercícios

3. Pratique exercícios físicos condizentes com sua capacidade funcional

4. Respeite seu corpo com descanso adequado para as atividades

5. Durma um sono de qualidade

6. Não tente executar exercícios vigorosos que vão forçar demais seu corpo

7. Procure um educador físico pautado na ciência e práticas de exercícios em pró a saúde.

 

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Gabriel Gameiro
Estudante de jornalismo, que caiu no mundo dos esportes por acidente e com o tempo aprendeu a amar. Gosta do que faz e apesar de ainda não ser um corredor ama fazer spinning e cobrir corridas.
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