Corredor de Uganda “pulveriza” recorde no 33º 10 KM Tribuna FM-Unilus

Foto: Divulgação
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Santos novamente entrou no cenário mundial das corridas de rua com o 33º 10 KM Tribuna FM-Unilus. Neste domingo (20), o atleta de Uganda, Maxwell Kortek Rotich, surpreendeu a todos e pulverizou o recorde da prova, garantindo a terceira melhor marca do mundo na distância nesta temporada, segundo as estatísticas da IAAF, a Federação Internacional de Atletismo.

Em um sprint final fantástico, ele cruzou a linha de chegada em incríveis 27min22, baixando 23 segundos a marca do queniano Edwin Rotich, em 2013. O queniano bicampeão em 2016/17, Paulo Kipkorir Kipkemoi, não conseguiu fazer frente ao surpreendente recordista, terminando em segundo lugar, com 28min17. O mineiro Giovani dos Santos foi o melhor brasileiro, em terceiro lugar, com 28min37, sua melhor marca pessoal na carreira.

Entre as mulheres, a atual recordista da prova, Paskalia Chepkorir Kipkoech, do Quênia, voltou a Santos e correu isolada, com larga vantagem, vencendo com 32min15, o oitavo melhor tempo do Mundo em 2018. Em 2012, ela venceu e estabeleceu o recorde em Santos, com 30min57.

Desta vez, a queniana chegou mais de um minuto à frente da colombiana Muriel Coneo Paredes, atual campeã pan-americana dos 1.500 metros, que garantiu 33min31. A amazonense Franciane dos Santos Moura foi outra grande surpresa na disputa, sendo a melhor do Brasil no feminino, com 33min42, também sua melhor marca pessoal na carreira.

Foto: Fabio Maradei/ Divulgação
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Premiação

Pelas vitórias, os dois africanos faturaram R$ 24 mil cada um, sendo que Mawell ainda levou um bônus de mais R$ 5 mil pelo novo recorde. No total, a prova distribuiu R$ 95,4 mil, entre os dez melhores do masculino e do feminino. Os tempos feitos confirmaram a fama da corrida ser a mais rápida do País na distância, por seu percurso totalmente plano, ao nível do mar e a manhã de domingo com sol e clima ameno, com a largada em torno dos 17 graus, foi propícia para os atletas baixarem seus recordes pessoais.

A prova reuniu 18 mil inscritos no percurso e outras milhares de pessoas na torcida, incentivando os atletas a cada passada.Os famosos pelotões, grupos uniformizados de academias, empresas e associações, uma tradição no evento, aumentaram ainda mais a animação do início ao fim.

Destaque, também, para uma das novidades deste ano, o Pelotão da Igualdade, grupo de caráter participativo que incentiva a acessibilidade das pessoas com deficiência, com voluntários empurrando cadeiras especiais para que todos possam participar da festa. Entre os participantes estava o ídolo do Santos FC e também ex-craque do Barcelona, Giovanni, o G-10, que conduziu o seu filho Gennaro, de 13 anos, vítima de paralisia cerebral. “Emoção muito grande. Sempre importante a gente estar com a nossa família, com os nossos filhos. Momento de muita felicidade”, falou o ex-jogador do Santos.

Na prova masculina, Maxwell se destacou do grupo da frente ainda no quilômetro quatro. Orientado pelo técnico Moacir Marconi, o Coquinho, que há 20 anos trabalha com atletas africanos, optou por não se hidratar para manter o mesmo ritmo forte e, ao chegar na avenida da praia, exatamente no KM 8, recebeu o comando do técnico “Record, Go!” e a partir dali apertou ainda mais as passadas, fazendo uma chegada fantástica.

Foto: Guilherme Dionízio/ Divulgação
Foto: Guilherme Dionízio/ Divulgação

“Fiquei muito feliz porque consegui quebrar o recorde. O tempo estava ótimo, ajudou na corrida”, disse o tímido Maxwell, que numa conversa com Coquinho expressou a vontade de correr para abaixo dos 27 minutos. “Ele me falou que quer chegar aos 26min50s. E então o encorajei a vir para Santos, onde sabia que seria possível. Fizemos a estratégia e foi muito bom”, vibrou o experiente Coquinho.

Nos melhores tempos do Mundo em 2018, pelo ranking da IAAF, só dois quenianos estão à sua frente, com marcas feitas na prova em Nova Iorque (EUA), dia 29 de abril: Ronex Kipruto, com 27min08s, e Mathew Kimeli, com 27min19s.

Giovani Santos também comemorou o terceiro lugar. “Graças a Deus eu esperava fazer minha melhor marca e consegui. Fui junto com eles até o KM 4 e depois eles começaram a abrir. Estou feliz pelo resultado, o melhor tempo de 10 km de rua”, afirmou.

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Já na disputa feminina, Paskalia não tomou conhecimento das rivais desde o primeiro quilômetro. Correu sozinha todo o tempo, sem a mínima chance de ter a vitória ameaçada. “Foi mais uma experiência muito boa. A praia da cidade é muito bonita de se ver. Decidi correr porque me senti preparada. Não consegui quebrar o recorde, mas fiz um ótimo tempo e quero voltar aqui para melhorar minha marca”, revelou a corredora

A colombiana Muriel também decidiu voltar a Santos para correr forte. Especialista em provas de pista, ela é a atual campeã pan-americana dos 1.500m e sul-americana também dos 1.500 e dos 5.000m. “Nossa, a Paskalia saiu sozinha depois do KM 1 e como seu meu limite e não queria quebrar mantive o segundo lugar. Foi ótimo. Grande prova. Faço pista, mas adoro correr rua, ainda mais aqui”, falou.

Franciane correu pela segunda vez em Santos. No ano passado ela foi a 11ª colocada e voltou com objetivo de ficar entre as dez. “Vim com a Joziane (Silva Cardoso, quarta colocada) até o final e deixei um último fôlego para chegar. Esse foi meu melhor resultado na carreira”, festejou.

Foto: Divulgação
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Hexacampeã prestigia – Maior campeão da prova, com nada menos que seis títulos, o agora aposentado Marilson Gomes dos Santos prestigiou a prova. Acompanhou o seu técnico Adauto Domingues, aproveitou para orientar alguns dos atletas que estão iniciando e antecipou que poderia ser dia de recorde, diante das condições favoráveis de clima.

“Estou iniciando, acompanhando, dando uma força que treinam com a gente e os conhecidos. Estou tentando aprender alguma coisa do outro lado”, falou. “Conheço bem o percurso, a temperatura ajudou. Não lembro de ter corrido com um clima desses. Se eu fosse correr, estaria pensando em recorde, com certeza. Mas minha história já foi. Agora é torcer por novos talentos”, complementou.

Campeã Mundial de Boxe– Outra grande atração na prova, os pelotões fizeram uma grande festa. Os dois maiores foram premiados pela organização, o Cesari, com 581 participantes todos de amarelo em homenagem ao Brasil na Copa, faturando na categoria institucional, e a UP! Fitness Academia, com 449 pessoas, no famoso “Mar Vermelho” com todos de uniforme vermelho.

Outro grupo que sempre chama a atenção e foi o primeiro a ser formado ainda em 1993, foi o da Memorial, que trouxe à frente do pessoal ninguém menos que a primeira brasileira campeã mundial de boxe, Rose Volante, título conquistado em dezembro do ano passado. “Essa prova é sempre um incentivo ao esporte, à qualidade de vida e trouxemos a Rose para enaltecer esse grande evento”, comentou o diretor-comercial da Memorial, Flávio Amante.

Foto: Fabio Maradei/ Divulgação
Foto: Fabio Maradei/ Divulgação

Baixada santista – Ainda na prova, a região esteve bem representada com David Benedito em 17º lugar, com 30min26s, José Uilton Nascimento Santos, na 22ª colocação, com 31min13s, e a revelação João Magalhães, em 24º, com 31min17s, os dois primeiros de Praia Grande e o terceiro de Santos. A Baixada Santista também fez bonito com dobradinha entre os cadeirantes da equipe FastWheels. Heitor Mariano (Fupes/Accelerade/ContruMade/Auto501) e Vanessa Cristina de Souza (Unimes/Fupes/MSC) garantiram os bicampeonatos.

“É uma alegria vencer pela segunda vez. Faz anos que disputo essa prova. Das últimas vezes, não consegui fazer uma preparação mais específica. Neste ano, sobrou um tempinho no calendário, treinei melhor e, graças a Deus, consegui fazer um bom tempo”, comentou Heitor Mariano, que venceu a primeira edição em 2014 e, em 2017, ficou na segunda colocação da prova.

Vanessa também comemorou seu excelente desempenho, consagrando-se como nova recordista brasileira de 10 km na modalidade. “Consegui baixar meu tempo, graças a Deus. Ano passado, fiz em 26 minutos e 1 segundo. Neste ano, tomei um ‘capote’ no segundo chip, mas fiquei bem feliz com o meu resultado. A prova é rápida, dinâmica, me senti muito bem disputando mais um ano”, afirmou Vanessa.

Para o diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini, a 33ª edição consecutiva da prova reuniu todos os pontos de sucesso, como tempo bom, nível técnico excelente, com direito a recorde e muita animação, tanto entre os participantes quanto entre os espectadores. “Foi perfeita. Tempo maravilhoso, porque correr no frio é muito melhor, não cansa tanto e o melhor, não estava tanta umidade. Foi uma festa, muita gente assistindo, incentivando e teve o recorde, que vai demorar para ser superado, por ser muito forte e confirma a qualidade do nosso percurso”, ressaltou Santini.

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Redação Webrun

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