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“Correndo com os etíopes”: conheça o novo livro de Danilo Balu

Descubra um pouco mais da experiência do atleta ao correr com os melhores do mundo

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Foto: acervo pessoal

Para ser o melhor em algo não é necessário ter bens ou riquezas físicas. As lições que aprendemos no nosso dia a dia vão muito além disso. Em duas visitas para a Etiópia, até agora, Danilo Balu já teve um mundo de novas descobertas e reflexões. Danilo começou a correr em 1990, quando tinha apenas 13 anos de idade. Se formou em Esporte pela Universidade de São Paulo e também em Nutrição pela mesma instituição.

Em 2017, foi pela primeira vez para a Etiópia. Depois de um ano, voltou ao país e teve a oportunidade de participar da competição “The Great Ethiopian Run”. O percurso de 10km recebeu mais de 40 mil corredores em 2018. Juntando as duas viagens e as muitas experiências, Balu escreveu o livro “Correndo com os etíopes”.

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A sua nova obra é um “mergulho dentro da cultura da corrida da Etiópia, país que produziu alguns dos maiores corredores que o mundo já viu”. Os atletas etíopes são recordistas mundiais de diversas provas, incluindo a Maratona; além de terem medalhas olímpicas. O que faz esses esportistas terem tanto destaque no cenário mundial das corridas? Danilo Balu conversou com o Webrun sobre seu novo livro. Confira a entrevista abaixo:

Imagem usada na capa do livro "Correndo com os etíopes". Foto: acervo pessoal

Imagem usada na capa do livro “Correndo com os etíopes”. Foto: acervo pessoal

Quais foram os seus maiores desafios para escrever o livro “Correndo com os etíopes”?

Acho que a maior dificuldade foi conseguir transmitir com palavras  as mesmas percepções que tive de como a vida em um país como a Etiópia é diferente. Lá é tudo muito distante de nossa realidade. Meu pai veio do interior de Sergipe, de uma região miserável, mas o que encontrei nesse país era ainda mais precário.

Além disso, corrida é movimento. Um dos pontos que acho que diferencia os africanos (quenianos e etíopes) de nós tem a ver com planos de movimento trabalhados no treinamento deles. Eu trato bastante disso no livro, mas para o leitor compreender o que quero dizer ele tem que, de certa forma, viajar comigo usando a imaginação e sua experiência nesse esporte. 

Você já foi para a Etiópia com o objetivo de escrever o livro? 

Nunca imaginei lá atrás que disso viria um livro! Fui para a Etiópia para ver como treinam os melhores corredores do mundo. O fato de ter gostado muito e de ter voltado lá um ano depois me deu mais e novas experiências. Depois disso senti que dava para colocar tudo em um livro.

Quais diferenças você sentiu que são as mais marcantes entre os corredores no Brasil e na Etiópia?

As diferenças são gritantes. O mercado de corrida brasileiro gira em torno do amador, que não precisa ter desempenho. Já o mercado etíope gira em torno de quem depende de bons resultados. Então, lá a coisa é voltada à melhora. Aqui o tratamento dos treinadores tem foco em agradar o cliente-corredor, não em fazê-lo correr melhor. Há uma enorme diferença de interesses.

Outro fator também é que na Etiópia, não há foco em equipamentos, obsessão com controle. No Brasil, a corrida é um produto que deve ser vendido. Ela é apresentada como algo que exige produtos especiais (que são vendidos) e colocada sob um ar de complexidade, que exigiria que você pague a alguém para mostrar como se faz.

Vivemos aqui em uma realidade de imediatismo. A pessoa começa a correr hoje e quer fazer uma Meia Maratona no próximo semestre. Isso, além de inadequado, é fisicamente desgastante. O corredor busca atalhos na forma de equipamentos para treinar menos e em menor tempo. Correr quilômetros é bem difícil, então a pessoa opta por tentar comprar um desempenho que não se vende.

O etíope não tem financeiramente essa alternativa. Mesmo que tivessem, os profissionais já sabem por experiência que não funciona. Vi a realidade de muitos melhores do mundo e lá não se discute tênis, tecnologia, suplementos, hidratação, periodização… como esporte é uma atividade prática, prefiro olhar sempre como fazem os mais bem-sucedidos. Em uma mistura de ingenuidade e arrogância ao nos acharmos mais espertos que os melhores do mundo, continuamos fazendo o que eles decidem não fazer e seguimos perdendo deles.

O que você mais gostou da experiência?

Eu sou negro e corro. Sentia uma mácula de não ter ido com mais calma à África. Eu buscava um destino menos turístico, porque queria conhecer um pouco da realidade dura deles. Já fui para rincões de pobreza no Nordeste, mas o que encontrei lá era completamente novo para mim. Convivi com pessoas que mantinham uma simpatia e boa vontade incríveis. Aquilo nos torna mais humildes e mais gratos por tudo.

Foto: acervo pessoal

Foto: acervo pessoal

Você teve alguma dificuldade em correr com os etíopes?

Por incrível que pareça é, de certa forma, fácil correr com eles. Quando treinam leve, é leve mesmo! Os melhores corredores sabem quando devem correr forte e quando correr leve. O forte deles é mesmo impossível de acompanhar, mas nos dias leves você consegue de certa forma treinar junto. A dificuldade maior é com os terrenos acidentados. É algo muito diferente de quem treina em esteira, pista ou asfalto. Como eu sempre fui adepto de correr em terrenos acidentados (trilhas) acho que me adaptei rápido.

Qual a maior lição que você leva dessa viagem?

A maior lição, do ponto de vista técnico, é um reforço de algo que já foi muito dito por outros, mas que quando presenciamos vemos que é verdade. No caso da corrida é que ela é uma atividade muito simples, a mais simples de todas, que não requer material algum. A corrida pede de nós dedicação, esforço, paciência e consistência. O resto é com o tempo, deixá-lo agir. Instalações não criam atletas, equipamentos não servem de atalho, tecnologia não nos melhora. Exageramos no tanto que tentamos controlar tudo quando na verdade você vê que lá é tudo muito “solto”, mas com muita doação por parte daqueles corredores.

Não nego que fui até lá para aprender, mas talvez mais ainda para confirmar algumas de minhas teorias sobre treinamento. Descobri que mesmo achando que já se viu de tudo, há muito a aprender. O que vi sobre treinamento, seja sua simplicidade, aspectos mais técnicos, pisos onde deve-se correr, eu não esperava encontrar. Isso me mudou muito. É impossível voltar de lá, por exemplo, e sair para dar uma volta no Parque do Ibirapuera, meu local de treinamento preferido, sem estar ciente de que aquele asfalto te agride. Dar voltas em um percurso de 3km é uma atividade muito limitada tecnicamente a um corredor. Você volta diferente.

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Livro
Correndo com os etíopes, de Danilo Balu
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Versão impressa

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