Correndo para os outros

Eu (4134) e o meu bonde (foto: Tião Moreira)
Eu (4134) e o meu bonde (foto: Tião Moreira)

A experiência mais prazerosa que tive como corredor foi quando fui convidado pela Corpore, para ser “marcador de ritmo líder”, na Maratona de São Paulo, nos anos de 1998 e 1999. A meta? Levar o grupo de corredores o mais próximo possível da marca de 3h15min – entre 3h14min e 3h16min.

Nesta época meus tempos estavam girando sub 3 horas e correr para terminar com 3h15min como estipulado seria “fácil”. Criei algumas estratégias: uma delas que usei foi ter um tempo uniforme, desde início, ou seja, como não conhecia o condicionamento nem as pessoas que ditei o ritmo não sabia se eles conseguiriam correr variando o ritmo (tipo, correr a primeira parte da competição mais rápido que a segunda ou vice versa).

A regra básica que os corredores deveriam seguir é nunca se postar a frente do marcador, boa parte dos que não respeitaram essa instrução quebraram. Porém havia aqueles que me diziam: “vou até a marca da meia maratona e depois vou em frente”. Isto porque, muitos corredores não sabem administrar o tempo da primeira meia e quebram depois.

A cada três quilômetros percorridos o cronômetro deveria ficar próximo da média de 9min20s/km e assim a cada três quilômetros conferia o relógio e para minha felicidade estávamos sempre dentro dos parâmetros. “Pessoal passamos com 20 segundos de sobra!”, “Vamos passamos no 28Km, 2/3 ficaram para trás!”, era algumas das palavras de apoio que eu dava nas passagens e pontos crucias da competição.

Posso dizer que fui extremamente feliz nas empreitadas, alias, até me assustei com a precisão, notadamente em 1998, já que o tempo final bruto (pois é esse que vale no cronômetro) foi 3h14min56 e no ano seguinte, ditando ritmo para muitos que me acompanharam no ano anterior foi 3h15min53.

Porque foi legal? primeiro era a primeira vez que corri sem forçar meu ritmo, leve e com prazer, diferente de quando corremos no limite. Para se ter uma idéia de como estava cansado, a foto ao lado, foi feita no quilômetro 42, faltando os 195 metros e minha expressão não era de quem havia corrido uma maratona.

E o melhor é que consegui cumprir a meta e dividir isso com aqueles corredores que tinham a marca como objetivo.

Este texto foi escrito por: Harry Thomas Jr.

Redação Webrun

Redação Webrun

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!

Ver todos os posts