Correr para um mundo mais solidário

Há um tempo atrás eu estava lendo uma revista especializada em corrida e me deparei com um artigo no qual o autor listava algumas coisas que não gostava que acontecessem durante a sua corrida. Dentre essas coisas citava encontrar com pessoas que corriam lentamente, ou que tinham a corrida como uma atividade social e, assim, encontram os amigos e conversam enquanto praticam.

Pensei, quando li a matéria: “que chato!”, e remeti meus pensamentos diretamente para o pessoal que vai jogar uma pelada com os amigos, situação em que o mais importante é o encontro do que o os gols marcados. Alias, os gols, marcados por eles e pelos seus times, são motivos para novas conversas.

Pensei, por um momento, que essa reclamação provavelmente vinha de um atleta profissional que corre fortíssimo e que tem índices para as principais provas internacionais. Abandonei essa idéia ao concluir que um cara desses não iria treinar nos horários e nos dias de maior concentração de pessoas nos parques e nas ruas onde as hobbistas costumam treinar.

Mas, na verdade, eu estou perdendo muito tempo com o autor desse texto e deixando de comentar o meu tema do mês O Esporte como Laser.

Muitas pessoas treinam os mais variados esportes somente por hobby, por lazer. Talvez o futebol seja o mais praticado. Quantos maridões não deixam suas esposas em casa para jogar uma peladinha no sábado? Muitos. O que estamos vendo hoje em dia é um aumento de pessoas que estão correndo como atividade social ou de lazer, para encontrar os amigos e refrescar as idéias (talvez tenham sido as esposas dos maridões que jogam futebol no sábado que cansaram de ficar em casa e iniciaram o movimento) e se isso não traz todos os benéficos físicos que uma modalidade esportiva pode trazer – pela baixa freqüência, pela reduzida disciplina, até pelo desgosto por treinos técnicos – os benefícios psicológicos são inúmeros, e é disso que estamos falando.

Imaginemos como é importante para todos se sentirem incluídos e pertencentes a um grupo. Como é bom termos amigos que conversem coisas semelhantes às nossas. Como é melhor ainda sentir que se está fazendo algum benefício para a sua saúde e dedicando um tempo livre. Pois então, acredito que não há discórdia sobre o quanto é bom integrar todos esses fatores, e a corrida os integra, e, por isso, as pessoas sentem-se tão bem correndo. É um momento no qual o sujeito pensa em sua vida, em sua saúde, em suas amizades e investe nelas.

Quantas pessoas não começam a correr e, logo em seguida, mudam sua alimentação, deixam de fumar, dormem melhor, emagrecem e conseqüentemente ficam mais felizes consigo? E ainda conseguem um novo tema para conversar entre amigos, não se restringindo apenas às desgraças e sucessos do trabalho e da vida cotidiana, passam a falar de tal e tal prova, do tempo que fez. Seu repertório de bate-papo aumenta e seu ciclo de amizades vai no embalo.

Ora! Precisamos respeitar os corredores esporádicos. Eles estão se beneficiando da corrida tanto quanto nós, que não somos atletas de elite nem profissionais. Cada um se beneficia de seu jeito e isso ajuda ou não a fazer um mundo mais solidário e menos solitário?

Este texto foi escrito por: Marcus Teshainer

Redação Webrun

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