• Atletismo - Correr com variações de calçados pode trazer melhor desempenho

Correr com variações de calçados pode trazer melhor desempenho

Estudos mostram que quem treina descalça se adapta melhor a diferentes terrenos

Galileu Galilei criou o método de análise científica que usamos até hoje, em todas as áreas da ciência, utilizando a matemática como base de conhecimento. Ou seja, pela sua teoria podemos traduzir o conhecimento de todas as áreas em números e estatísticas. Por conta disso, quase foi jogado na fogueira.

Infelizmente para a biologia este conceito analítico não cabe mais, pois esta área é, ao contrário das matérias de exatas, totalmente inexata. As teorias deterministas que se criam dentro da biologia costumam cair por terra, isso também ocorre quando tentamos criar regras rígidas, para analisar o que é o ideal para um corredor.

Ao analisarmos a biomecânica de um corredor temos que levar em consideração sua individualidade e não simplesmente, colocar ele dentro de um grupo Foto: Wellnhofer Designs/Fotolia

Ao analisarmos a biomecânica de um corredor temos que levar em consideração sua individualidade e não simplesmente, colocar ele dentro de um grupo Foto: Wellnhofer Designs/Fotolia

Estudos como, Variation in Foot Strike Patterns among Habitually Barefoot and Shod Runners in Kenya, do Daniel Lieberman de 2015, mostram que a capacidade de adaptação dos corredores é enorme. Hoje podemos observar profissionais africanos com tênis de drop alto entrando com o calcâneo na passada, o que teoricamente vai contra a natureza de quem correu descalço por toda a infância, mas por processo adaptativo isso realmente acontece.

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É necessário pegar as informações dos estudos e entender o que ocorre em cada corredor, a visão analítica deve ser no campo qualitativo, no como estas informações se aplicam em cada indivíduo e não em uma porcentagem da população. Porque ao observarmos uma porcentagem, acabamos descartando o resto que não está dentro da maioria da população e o problema disso, é que muitas vezes estamos descartando 35% de uma população de corredores, que corresponde à um grande número que compram calçados, participam de provas e também querem entender se seu tipo de pisada está dentro de uma normalidade.

O que quero dizer é que quando analisamos a biomecânica de um corredor temos que levar em consideração sua individualidade e não simplesmente, colocar ele dentro de um grupo. Outro dado importante deste estudo foi mostrar que corredores habituados a treinar descalços, variam mais o tipo de pisada durante a corrida. Isso nos leva a entender que por desenvolver maior sensibilidade e reconhecer melhor o terreno, ele se adapta mais em cada situação.

Corredores que costumam correr com drop mais alto, amortecimento e não usam tênis diferentes, acabam tendo um tipo de pisada que varia bem menos Foto: Rawf/Fotolia

Corredores que costumam correr com drop mais alto, amortecimento e não usam tênis diferentes, acabam tendo um tipo de pisada que varia bem menos Foto: Rawf/Fotolia

Corredores que costumam correr com drop mais alto, amortecimento e não usam tênis diferentes, acabam tendo um tipo de pisada que varia bem menos durante sua corrida, o que diminui sua capacidade de adaptação às mudanças de terrenos e calçados.

Tenho recomendado muito para pacientes que busquem variação nos tipos de calçados, utilizando maior ou menor drop, amortecimento. Corram nos mais diversos tipos de terrenos entre terra, asfalto, pedrisco, concreto, subidas, descidas e planos. Todo tipo de variação é bem vinda, até caminhar descalço, para os que não gostam de correr com tênis minimalista, que é meu caso.

Desafio 200 km

No último dia 7 de setembro aproveitei para colocar esta filosofia em prática. Treinei desta forma e como havia comentado no último artigo, corri o Desafio 200 km de Mogi das Cruzes até Aparecida, com um grupo de amigos e organização do Claudio Caldeira e Márcia Freitas da Katuapé, a quem gostaria de agradecer muito pela atenção que nos deram.

Cláudio participou do Desafio 200 km de Mogi das Cruzes até Aparecida Foto: Arquivo Pessoal

Cláudio participou do Desafio 200 km de Mogi das Cruzes até Aparecida Foto: Arquivo Pessoal

Nossa empreitada foi realmente uma experiência incrível, com cenário bucólico de tirar o fôlego e o que a corrida nos traz de melhor: novas e incríveis amizades. Acabamos o percurso em quatro dias como havíamos programado e, exceto pela sinusite que cultivei durante todo o percurso, o corpo estava bem preparado para variação de relevo e tipos de piso, o que possibilitou que chegasse ao final sem nenhuma dor muscular ou articular.

A aventura aconteceu no feriado do 7 setembro Foto: Arquivo Pessoal

A aventura aconteceu no feriado do 7 setembro Foto: Arquivo Pessoal

Devo admitir que fiquei surpreso, pois nunca havia corrido mais do que 43 km em um dia e mesmo tendo feito 3 Uphill Marathon e 1 El Cruce de los Andes, não poderia imaginar que após correr 45 km, 65 km, 52 km e 45 km em cada dia, terminaria o desafio sem dores.

"Fiquei surpreso, pois nunca havia corrido mais do que 43 km em um dia e terminei o desafio sem dores. Foto: Arquivo Pessoal

“Fiquei surpreso, pois nunca havia corrido mais do que 43 km em um dia e terminei o desafio sem dores.
Foto: Arquivo Pessoal

Fica a dica para variar estímulos durante a semana: evite repetir treinos e houver possibilidade, recomendo variar pelo menos 3 tipos de calçados em termos de drop e amortecimento, além da variação do tipo de terreno, correr em pisos irregulares, também ajuda a provocar adaptações interessantes e melhorar a percepção corporal e músculos estabilizadores.

A dica do fisioterapeuta é sempre variar os tênis Foto: Arquivo Pessoal

A dica do fisioterapeuta é sempre variar os tênis Foto: Arquivo Pessoal

Bons treinos!

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Claudio Cotter
Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários eventos nacionais e internacionais, incluindo O 1º mundial FIFA pela Seleção Sub 17 Feminina como fisioterapeuta da equipe. Ao mesmo tempo se especializando em postura e análise de marcha e da corrida. Hoje, desenvolve trabalhos dentro de um conceito de equipe multidisciplinar em sua clinica e pós graduando em medicina psicossomática, aplicando seus conhecimentos em pacientes esportistas ou não, com o objetivo de tratar a fundo as causas das dores, sendo físicas, relacionadas à postura no trabalho ou na corrida, ou emocionais. Além de consultor da Mizuno em alguns projetos nos últimos 3 anos e ultramaratonista.
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