Corridas femininas atraem mulheres com atrações exclusivas

Mulher participaram em peso ontem na Corrida Vênus (foto: Ignacio Aronovich)
Mulher participaram em peso ontem na Corrida Vênus (foto: Ignacio Aronovich)

Colocar um short e participar de uma corrida de rua não era uma coisa natural até pouco atrás. Vaias, xingamentos e empurrões faziam parte dos desafios enfrentados pelas mulheres que resolviam participar desse tipo de prova. O tempo passou e o preconceito foi ficando para trás, tanto que elas hoje engrossam cada vez mais o número de inscritos nas competições, além de ganharem circuitos especiais, específicos para o público feminino. Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o Webrun conta um pouco da história destas provas exclusivas.

Recentes provas como Circuito Vênus, Corrida da Mulher e o, ainda não lançado, Circuito Lótus, entre outros, preparam um evento especial para trazer mais fundistas para o esporte. Para isso, utilizam um extenso aparato de serviços de beleza, estética, nutrição, cuidados com a saúde, além de prêmios, brindes e um kit de corrida customizado para as atletas. “Queremos utilizar o espaço para uma experiência social, não simplesmente como corredora, mas como mulher também”, define Eliane Verdeiro, idealizadora do Circuito Vênus.

Todos os organizadores desse tipo de evento revelam que a motivação para a preparação de uma prova exclusiva veio do crescimento da presença delas nas competições mistas. Os parceiros para viabilizar os projetos foram surgindo, pois a explosão do número de corredoras nos últimos anos também incentiva os patrocinadores. O que se vê agora são diferentes circuitos oferecendo corridas especialmente para mulheres e elas tem aprovado a idéia. “Vamos combinar que é uma prova mais cheirosa, você vai e chama as amigas, curte os serviços”, conta Natália Yudenitsch, blogueira do Webrun.

Esse mercado já é desenvolvido há algum tempo nos EUA, Espanha, França e Cingapura. De acordo com Cristiana Siqueira, gerente de produtos do Circuito Lótus, o número de praticantes do esporte nos EUA cresceu mais rápido que no Brasil e, por isso, o segmento se desenvolveu antes lá. “A gente acompanhou que a faixa de mulheres na corrida já era a metade lá quando aqui era 20%. Então nós abrimos os olhos para isso porque é uma tendência”, explica Siqueira.

Eliane Verdeiro diz que estuda a idéia da prova feminina desde 2003, inclusive por ser atleta amadora. Em fevereiro de 2007, iniciou o desenvolvimento do projeto do Circuito Vênus e chegou a correr a Meia Maratona feminina de São Francisco nos EUA, em outubro daquele ano, com a intenção de pesquisar um evento dedicado às mulheres. “Fui conhecer, achei legal e pensei: porque não fazer aqui?” Depois, no início de 2008, lançou no Brasil a iniciativa que teve sua terceira edição no último domingo (07/03).

Outros eventos parecidos com o da Vênus surgiram, por exemplo, a Corrida da Mulher, no Rio de Janeiro, e continuam aparecendo, o Circuito Lótus será lançado em junho e realizará corridas em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os organizadores da Vênus também dizem que, ainda em 2010, irão lançar o Circuito WRun, com menos participantes e uma agenda de serviços e palestras ainda maior. Apesar das novidades inseridas nessas competições, as corridas especiais para mulheres já acontecem há bastante tempo.

Foi por volta do início dos anos 80 que surgiram as primeiras Avon Running. Eliana Reinert, ex-atleta de elite que hoje é treinadora, foi campeã do circuito naquele ano e representou o Brasil durante a Maratona feminina de São Francisco nos EUA, em 1981. De acordo com ela, foi a partir daí que a valorização das atletas começou a melhorar no Brasil.

Eliana relata que como atleta profissional não sofria muito preconceito, mas para as amadoras que participavam das corridas de rua a situação era bastante diferente. “As mulheres eram cobradas por ficar se expondo em qualquer lugar. A São Silvestre era uma aventura, a gente saia no meio dos homens, não tinha segurança nenhuma, sem referencial do percurso”, relembra.

Para ela, as Avon Running foram fundamentais no início da valorização do sexo feminino no esporte. “Através desse circuito, que era mundial, tanto as atletas amadoras quanto as profissionais eram prestigiadas, foi o começo da corrida para mulheres”.

Depois dessa iniciativa, a luta pela prevenção ao Câncer de Mama motivou o surgimento de outro evento esportivo do mesmo tipo no fim dos anos 80. Eliana conta que sempre fez questão de participar da Corrida do IBCC Contra o Câncer de Mama. “Esses eventos estimulavam a conscientização do processo de amadurecimento físico, da importância da atividade física, da mulher estar atenta ao corpo, o que é muito importante”, aponta a treinadora. Hoje, a corrida Contra o Câncer de Mama é mista.

Panorama Atual – O número de inscritas nessas provas exclusivas continua aumentando a cada edição, o que demonstra que elas têm aprovado o investimento nos serviços e a dedicação oferecida durante essas competições. “Acho que o formato foi acertado. A mulher se sente privilegiada, é um diferencial para nós”, opina Fernanda Paradizo, corredora e blogueira do Webrun.

As corridas para mulheres geralmente tem um percurso de cinco ou 10 quilômetros, justamente porque são as distâncias que elas mais optam nas provas mistas. Os organizadores do Circuito Vênus preferem fazer a realização dos eventos em locais fechados para que elas se sintam mais seguras e à vontade. “Antes, 70% das participantes da Vênus só praticavam corrida na academia”, informa Eliane Verdeiro. Todas recebem, ainda, um kit especial com camiseta em tamanho escolhido e outros acessórios.

A blogueira Natália Yudenitsch confessa que, apesar de gostar das competições femininas, prefere disputar maiores distâncias, como uma Meia Maratona, por exemplo. Ela também diz que é interessante participar de corridas mistas para não criar um isolamento e conta que, em geral, não há problema com os homens. “Hoje, tem tanta mulher que até perdeu o inusitado e os homens, quando veem atletas cansadas no final do percurso de uma prova de longa distância, até incentivam para que elas suportem melhor”.

Eliana Reinert também levanta uma preocupação “Penso que todas essas iniciativas são válidas como incentivo, mas é importante não perder a seriedade da prova, a mentalidade da atividade física saudável. Não pode ser só para ganhar brindes e agrados. É preciso ênfase na saúde, no desempenho para inserir a corrida na vida da mulher”.

Este texto foi escrito por: Juliana Dal Piva

Redação Webrun

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