Deficientes são exemplo de superação na Tribuna

José Roberto vibra com o público (foto: Patrícia Cruz/ Divulgação)
José Roberto vibra com o público (foto: Patrícia Cruz/ Divulgação)

Superação de limites será um dos lemas dos 10 km Tribuna FM neste domingo em Santos, prova que este ano chega à 23ª edição e contará com 46 atletas portadores de necessidades especiais, que competirão entre os cadeirantes, deficientes físicos e visuais. A largada da categoria está programada para as 8h30, para abrir a grande festa da competição. “Este ano é o recorde de atletas paraolímpicos, principalmente com cadeirantes”, frisa Kelly Nunes, responsável pelas inscrições na prova.

Entre os cadeirantes de ponta está Jaciel Paulino, que ano passado venceu importantes provas do calendário nacional, como a Meia do Rio, a Volta da Pampulha e a São Silvestre. Ele venceu a prova santista em 2004, mas lembra os percalços que passou até chegar a este bom resultado, além da evolução durante os anos. “Cruzei a linha de chegada em último, usando uma cadeira de basquete. Nos três últimos anos fui terceiro, mas em 2006 foi especial, pois era um ano que estava muito preparado para a prova e o pneu furou antes da largada. Corri a prova toda assim mesmo e valeu como vitória”.

Seu companheiro de treinos, Carlos Neves de Souza, o Carlão, defenderá o título e ainda brigará pelo tricampeonato este ano. “A meta principal é bater o recorde. Quero baixar o tempo, pois estou treinando para o Brasileiro da distância, em Uberlândia”, ressalta o atleta que participa da prova desde 2003. “Para mim, os 10 kmTribuna FM é muito especial. Dois meses antes de sua realização a Cidade começa a respirar o clima da disputa, o calçadão fica cheio de gente treinando. As pessoas me encontram na rua e me incentivam para vencer”.

Crescimento – Eduardo Leonel, treinador dos atletas, destaca o crescimento do esporte adaptado no Brasil, que sempre passou por muitas dificuldades. “É indiscutível. O maior exemplo é que este ano provavelmente os três primeiros devem bater o recorde da prova, que é do Índio (29min21s, em 2005). Outro ponto positivo é que as provas estão se estruturando cada vez mais para receber os cadeirantes”.

Entre os exemplos no esporte está Elizário dos Santos, o Motorzinho, ex-ultramaratonista que passou a competir em cadeira de rodas depois de ficar paraplégico durante um assalto. “Mas do que vitórias pessoais, eu busco colaborar para o crescimento da nossa categoria. Há 10 anos, nem sonhávamos com esse respeito pelo atleta deficiente. Era muita burocracia e o deficiente não saia de casa. Temos conquistado grandes vitórias”, ressalta o competidor que participa desde a primeira edição.

Outros destaques são José Fernando de Oliveira Rodrigues e José Roberto da Silva Júnior, que competem com o auxílio de muletas. Vítima de paralisia infantil, Fernando começou no esporte para perder peso, enquanto Júnior teve a perna direita amputada na altura do joelho, devido a um acidente de moto em 1998.

Apelidado de Fernandinho Superação, Fernando é só animo ao falar da prova. “Comecei como caminhante há cinco anos e hoje tento dar exemplo a todos. O objetivo é baixar minha marca de 53 minutos e 28 segundos”, ressalta o competidor que também comenta a evolução do esporte. “Hoje tem muitos empresários ajudando e estamos conquistando, cada vez mais, espaço e essa prova é um exemplo disso. Cada ano que passa, abrimos mais portas”.

Já o também veterano Júnior, que competirá pela quarta vez, ressalta a emoção da disputa, sobretudo na chegada. “Aquela multidão toda nos últimos quilômetros aplaudindo, gritando, incentivando é sensacional. Essa prova nos anima muito a continuar lutando”. Ele diz ainda que sonhou durante um mês com os gritos do público.

Outro destaque da competição fica por conta dos deficientes visuais, representados pela pernambucana Marleide Maria da Silva, que há três anos perdeu totalmente a visão, vítima de retinose pigmentar, doença degenerativa (ainda sem cura). Ela se tornou a primeira triathleta cega do Brasil. “Nunca tinha praticado esporte. Quando era criança achava lindo na televisão e gostava de ver o João do Pulo. Mas na minha cidade não tinha como praticar”.

Este texto foi escrito por: Webrun

Redação Webrun

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