Diretor da São Silvestre explica as mudanças na prova de 2011

Comparação altimétrica da descida da Consolação e da Major Natanael (foto: Reprodução/ Google Earth)
Comparação altimétrica da descida da Consolação e da Major Natanael (foto: Reprodução/ Google Earth)

A tradicional Corrida de São Silvestre, que esse ano chega a 87ª edição, teve diversas modificações em seu percurso, primeiro com a chegada sendo transferida para a região do Parque Ibirapuera e depois com alterações no traçado sob a alegação de que a prova conflitaria com o Show da Virada, que acontece no mesmo local. Muitas pessoas se mostraram insatisfeitas e teve início uma série de protestos.

Thadeus Kassabian, diretor da Yescom, empresa responsável pela organização da prova, explica os motivos que levaram o evento a sofrer mudanças. Segundo ele, várias alternativas foram pensadas nos últimos anos e o atual percurso foi avaliado e autorizado pela CBAt e pela Iaaf. “Posso garantir que várias alternativas foram estudadas por mais de dois anos não só pela parte técnica, mas também envolvendo engenheiros e entidades governamentais”, comenta.

Questionado sobre a perda da tradição da prova com a chegada num lugar diferente da Avenida Paulista, Thadeus diz que a tradição começa por sua data, idade e diversas fases e situações que a mesma foi realizada. Algumas pessoas sugeriram que se virasse à esquerda na Avenida Paulista, mas ele explica que essa não é uma alternativa simples. “Na região sugerida temos quatro hospitais: Santa Catarina, Osvaldo Cruz, H. Cor e Beneficência Portuguesa. A dispersão seria bem em frente ao Santa Catarina e todas as vias teriam que ser bloqueadas não só na frente, como nas paralelas e transversais, dificultando o acesso a estes hospitais”.

O anúncio da alteração do percurso veio por meio de um comunicado no site da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e só depois os responsáveis pela prova confirmaram a informação. Questionado sobre quem de fato sugeriu a mudança, Thadeus afirma que foi uma solicitação da Fundação Cásper Líbero. “Esta decisão veio da detentora/dona da São Silvestre que é a Fundação Cásper Líbero. Isso já vinha sendo estudado há dois anos com os órgãos públicos competentes, principalmente pensando na segurança dos corredores”. Ainda segundo Thadeus, não foi uma decisão unilateral. “Não podemos dizer que foi fulano, cicrano ou quem quer que seja. Foi uma decisão tomada em cima da preocupação de muitas pessoas e estudada por todos que fazem parte do comitê organizador”.

De acordo com o dirigente, organizar uma prova com milhares de corredores no mesmo espaço que o Show da Virada, que também reúne uma grande quantidade de pessoas, tornou-se inviável nos últimos anos. “Com dois eventos lá tudo fica mais difícil, desde uma área de dispersão, até o socorro a um corredor que possa precisar de cuidados médicos. Por mais que se diga que há formas de realizar na Paulista, podem ter certeza que foram várias e várias reuniões de estudo sempre considerando a segurança. Não podemos fazer a cidade parar”.

Protestos – No dia dois de novembro cerca de 300 corredores se reuniram na Avenida Paulista para um treino/ protesto em favor da manutenção da chegada na Avenida Paulista. Na ocasião o grupo percorreu o trajeto antigo da São Silvestre com escolta da Polícia Militar, CET e sob o olhar atento de Thadeus. “Casualmente no dia eu estava na região fazendo reconhecimento de percurso e percebi a forma tranqüila que o protesto ocorreu. É uma manifestação livre sem usar o nome do evento como uma corrida cópia”, admite. “Acho que o protesto é porque as pessoas admiram o evento. Não acho que as pessoas que protestaram estavam contra a São Silvestre, pelo contrário, estavam a favor”.

O dirigente também dá uma sugestão aos organizadores do protesto. “Eles deveriam estudar o porquê da mudança e como realmente expressar os sentimentos, impacto social, impacto na região, história da prova e seus vários percursos e diversos fatores”.

Uma preocupação dos inscritos é quanto ao deslocamento após o término da chegada, já que a região do Ibirapuera não possui estações de metrô e as vias próximas estarão interditadas para a prova, dificultando a locomoção por ônibus. O responsável pela Fundação Cásper Líbero, Júlio Deodoro, em entrevista à ESPN Brasil, afirmou que oferecer alternativa para o retorno à Paulista não era uma obrigação dos organizadores.

“Minha sugestão é o processo invertido, ou seja, buscar locais próximos a chegada e ir em direção à largada antes da corrida”, explica Thadeus. “Sobre os locais aonde estacionar, sugiro sempre pesquisar no site da CET o plano viário do dia. Há também linhas de ônibus e entendo que haverá um caminho tranqüilo de retorno”, completa.

Confira na próxima página o que o dirigente tem a falar sobre as alterações no traçado

Após o aviso da nova chegada, diversas alterações foram anunciadas, como a retirada da Rua da Consolação, a inserção da descida da Rua Major Natanael e a supressão do Elevado Costa e Silva. “O desafio era manter boa parte do percurso dos últimos anos, a distância de 15 quilômetros, a altimetria equilibrada, rotas de fuga para apoio médico e, principalmente, conforto e segurança”, afirma Thadeus.

Ele garante que a altimetria do novo percurso demonstra um resultado mais favorável para os corredores e, inclusive, uma prova mais rápida do que em anos anteriores. Mas, comparando os gráficos da descida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio com a da Avenida Major Natanael, é possível visualizar que o novo desenho apresenta uma inclinação maior, numa distância mais curta (vide fotos ao lado).

Questionado se isso não poderia aumentar o risco de lesões, o diretor da Yescom afirma que todo corredor deve estar preparado para enfrentar a prova em que se inscreveu. “Entendo que cada atleta deve conhecer seu real potencial, treinamento e capacidade no período. Sempre indico a todos a realização de exames médicos periódicos e consulta a um treinador que tenha conhecimento e registro no Cref (Conselho Regional de Educação Física)”.

O site da prova não mostra a altimetria do percurso, mas Thadeus garante que os corredores não terão problemas. “A Brigadeiro tem um pedaço mais intenso, porém é mais suave na maioria de sua extensão e a Major Natanael tem a mesma característica”, relata o dirigente. “Acho que a Comrades pode até ser um exemplo de prova com declive”.

Outras mudanças – Em anos anteriores a São Silvestre sofreu modificações no trajeto, inclusive com chegada na região Pacaembu, troca que não agradou na época e os organizadores novamente colocaram a dispersão na Avenida Paulista. Para os próximos anos o retorno da chegada na Avenida mais famosa da cidade parece pouco provável na visão de Thadeus. “A Paulista tem o seu charme, mas também temos que atender as normas da modalidade. Corrida de rua não é só dar a buzinada e esticar a faixa de chegada”.

Outro ponto retirado do traçado original foi o Elevado Costa e Silva, o popular Minhocão. O diretor técnico da prova, Manoel Garcia Arroyo (Vasco), afirmou em entrevista à Rádio Rádio Jovem Pan que havia o risco de algumas pessoas pularem de cima do viaduto. “As pessoas chegam a correr pelo guarda corpo do Elevado colocando a segurança em risco. As telas de proteção estão podres e necessitam de troca urgente”, comenta Thadeus. Ele também comenta que o local possui pouca circulação de ar, tornando-se muito quente com a presença da massa de corredores.

Futuro – Uma das sugestões apontada por corredores é a mudança do horário de largada para a parte da manhã do dia 31 e não mais à tarde, como acontece há vários anos, fato que parece agradar o diretor da competição. “Em Janeiro de 2012 faremos uma pesquisa e avaliaremos esta ideia também”, promete.

Por fim, os organizadores anunciaram que para 2014 há a previsão de 40 mil inscritos na São Silvestre, número que talvez não seja possível abrigar na Avenida Paulista. Sobre a possível mudança do local de largada para outro ponto da capital paulista, Thadeus prefere não entrar no mérito da questão, pelo menos por enquanto. “De minha parte acho que devemos dar um passo de cada vez, porém as diretrizes partem dos detentores do evento”.

Para essa edição cerca de 23.500 vagas já foram preenchidas, do total de 25 mil colocadas á disposição. Os interessados em participar devem ser apressar, pois a data limite para garantir participação é o próximo dia 20 pelo site oficial, o www.saosilvestre.com.br.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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