Dobradinha queniana na Maratona de São Paulo

Marizete Rezende sentiu uma bolha no pé e não conseguiu bater a queniana (foto: Alexandre Koda/ Webrun)
Marizete Rezende sentiu uma bolha no pé e não conseguiu bater a queniana (foto: Alexandre Koda/ Webrun)

Nesse domingo, quatro de junho, aconteceu na capital paulista a Maratona Internacional de São Paulo. Os vencedores da competição foram os quenianos Rotich Solomon e Margaret Karie. Confira.

São Paulo – Domingo de sol e temperatura amena. Foi com essas características que os paulistanos encontraram hoje dois itens perfeitos para um dia de maratona. No clima de festa e celebração ao esporte, dez mil pessoas se reuniram na capital paulista para participarem da Maratona Internacional de São Paulo.

Desse montante alguns correram provas menores de dez e cinco quilômetros. Muitos outros optaram por uma caminhada e os mais corajosos enfrentaram 42 quilômetros de competição. O corredor Mauro Santos, conhecido como Brasil, foi uma dessas pessoas com fôlego. Aos 51 anos, ele completou a sua maratona de número 80. “Corro desde 1982 e participo de todas as Maratonas de São Paulo. Esse ano gostei da pequena mudança de percurso. Foi bom passar dentro do Jóquei e ver uma paisagem nova”, comenta Santos.

A largada das provas foi dada às 9h em frente ao Obelisco do Ibirapuera. Foram mais de 15 minutos de largada para que todos os participantes começassem a correr. Era possível encontrar esportistas fantasiados, uma marca da Maratona de São Paulo.

Na disputa pelo pódio os quenianos confirmaram o favoritismo, mas os brasileiros também brigaram pelas primeiras posições. O atleta Paulo Alves liderou a prova junto com os quenianos Rotich Solomon e Charles Korir até o quilômetro 23. Mas o brasileiro desistiu e parou de correr. Segundo o treinador do atleta, Paulo Alves entrou apenas para fazer um treino longo.

Depois da desistência do brasileiro, a dupla queniana liderou até o fim. A primeira pessoa que cruzou a linha de chegada foi o queniano Rotich em 2h25min15. Para ele o percurso foi difícil, principalmente o trecho final que passava pelos túneis Jânio Quadros e Tribunal de Justiça.

A segunda posição ficou com seu compatriota Korir que completou a prova no tempo de 2h17min22. “Os meus adversários estavam bem fortes, eu tive que aumentar meu ritmo para garantir o segundo lugar”, conta Korir, que estreou na modalidade.

Depois de ganhar algumas posições, o brasileiro Élson Alex Gracioli garantiu o terceiro lugar da prova (2h18min28). “Depois que a gente larga, todo mundo tem chances de ganhar. Hoje foi o meu dia. Consegui fazer uma boa prova, mesmo após sentir câimbra depois do quilômetro 28”, conta o brasileiro.

Segundo Gracioli, essa é a terceira maratona que ele sente dores depois do quilômetro 25. “Preciso ver com o meu treinador o que é essa dor. Pode ser falta de potássio. Vou ver o que é para depois tentar o índice para o Pan 2007. Quero correr uma maratona a baixo de 2h10min”, acrescenta.

Mesmo após alternar corrida e caminhada nos últimos quilômetros, Adriano Bastos conquistou o quarto lugar da competição no tempo de 2h19min44. “Fiz uma prova sofrida, mas a emoção de chegar entre primeiros supera as dores”, conta Bastos, tricampeão da Maratona da Disney, que sentiu fadiga durante a prova.

Completou o pódio o queniano Benjamin Kipatarus, vice-campeão no ano passado. Ele cruzou a linha de chegada em 2h20min06.

A disputa feminina pelo primeiro lugar também foi acirrada. A brasileira Marizete Rezende liderou a competição até os últimos quilômetros da maratona, mas não agüentou e deixou a queniana Margaret Karie passar.

Assim a queniana Karie venceu a prova no tempo de 2h39min24. “A corrida foi boa, muito competitiva. Mas guardei um pouco das minhas energias para o sprint final”, revela a campeã.

Marizete ficou com o segundo lugar da prova (2h41min28). Indagada sobre que tinha acontecido nos últimos quilômetros da Maratona, Marizete conta que estava com dores. “Na verdade eu tive bolhas e senti muita dor por causa disso. Tentei ir junto até o final. Mas no túnel tinha uma subida e a dor foi muito grande. Não consegui manter o ritmo”, explica a brasileira.

“Quem é corredor sabe o quanto é insuportável correr com bolha. Terminei a prova na raça. Esse foi o meu melhor tempo do ano. Agora quero buscar índice para o Pan”, conta Marizete.

O terceiro lugar da competição também ficou para uma Marizete. A maratonista Marizete dos Santos garantiu a terceira posição no tempo de 2h42min50. “O meu objetivo foi alcançado. Eu esperava chegar entre as três primeiras. A prova foi bem difícil, cheguei com as pernas congelando”, diz Marizete dos Santos.

A quarta posição foi para Elizabeth de Souza (2h46min55) seguida por Maria Sandra Pereira em 2h50min07.

Medicina – No final da competição, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC) fez exames clínicos em 50 voluntários que participaram de uma pesquisa inédita no Brasil. Estes participaram de uma avaliação prévia à prova e passaram por uma reavaliação completa logo ao término da Maratona de São Paulo.

Segundo o cardiologista Dr. Nabil Ghorayeb, assim que os corredores terminaram a corrida, eles passaram por um ecocardiograma, eletrocardiograma e exames de sangue. O resultado dessa pesquisa irá avaliar alterações laboratoriais para desidratação (hiponatremia) e alterações enzimáticas do músculo cardíaco (miocárdio) conseqüentes ao grande esforço físico da maratona.

Na segunda-feira os voluntários passarão por novos exames para encerrar a pesquisa médica.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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