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Dor e prazer combinam em uma maratona?

Mais uma maratona ou a sua primeira experiência em uma prova de 42,195km pela frente? Este é o desafio de muitos corredores que depois de correr provas menores resolvem obter o título de maratonista. Minha missão neste texto foi conversar com vários maratonistas (iniciantes e intermediários) para investigar a relação entre dor e o prazer, sensações vividas intensamente por quem tem este esporte como estilo de vida.

Antes de ir fundo no assunto dor e prazer, acho importante definir o significado desta corrida, a maratona, que desafia milhares de corredores mundo afora. O desafio de superar os limites do corpo e da mente é algo muito presente em uma prova como esta, que coloca atletas frente a frente com seus próprios limites e obstáculos.

Foto: Warren Goldswain/Fotolia Foto: Warren Goldswain/Fotolia

O principal desafio é vencer o cansaço, medos e assim comemorar a conquista dos 42k. Depois da largada a prova passa a ser um desafio, onde o segredo do sucesso depende de uma excelente estratégia com variáveis de difícil controle, onde a força de um competidor está no equilíbrio do seu ser, fazendo da maratona uma prova para poucos.

Como qualquer atividade física intensa não há como deixar a dor de lado. Ela pode ser definida como a percepção psicológica de uma agressão física ou química. Essa percepção é considerada uma enorme proteção na evolução do homem. São vários os momentos em que a dor passa a influenciar as decisões de um maratonista, fazendo com que fatores psicológicos fossem responsáveis pelos milhões de pensamentos negativos e positivos na mente de todos os atletas que participam de uma prova como esta.

A maioria dos maratonistas associa a melhora do desempenho na prova com a presença da dor. A dor costuma ser uma companheira constante e você acaba se habituando a conviver com ela ao extremo, ainda que dando menos importância do que deveria. Um fator muito importante é o limiar de dor que varia muito, apesar de ser alto e praticamente impossível de ser determinado. Quanto maior a capacidade se suportar a dor, maior será a chance de sofrer lesões.

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Foto: underdogstudio/Fotolia Foto: underdogstudio/Fotolia

A dor durante a prova é sinal de que algo está errado e sempre é necessário ficar atento a ela, o que geralmente não acontece. A duração, a intensidade e a localização são fatores que melhoram e pioram a dor e tudo isso deve ser avaliado, não para simplesmente combatê-la, mas para interpretá-la, traduzir o que esta querendo dizer e assim tomar uma atitude que pode determinar todo o destino do seu desempenho em uma prova.

Chegou à vez do prazer. A chave para o prazer é o autoconhecimento e a autoaceitação. Quando estamos em sintonia com nossa exclusividade e peculiaridades, simplesmente manifestamos o que somos, sem medos, bloqueios, moralismos e nem limitações conseguimos viver o momento presente e sentir o prazer acontecer em diversas etapas da maratona.

Nossos hormônios também estão presentes em todo este processo, responsáveis por aquela sensação de bem-estar e prazer. A serotonina está intimamente ligada aos transtornos do humor presente do lado positivo e negativo que afeta todos os atletas em todo o percurso. Um fato é verdadeiro. Quanto maior a quantidade de esforço, maior a liberação de endorfina, chegando a um ponto em que é preciso mais exercício para atingir a mesma sensação de bem-estar. Maratonista é um dependente de atividade física, pois seu corpo solicita movimento, seja com dor ou prazer. O caminho para chegar até esse estágio varia de pessoa para pessoa.

Foto: Focus Pocus LTD/Fotolia Foto: Focus Pocus LTD/Fotolia

Um fator que muitos atletas relataram é que ser um maratonista é um grande instrumento para a formação da personalidade. Sendo uma modalidade esportiva complexa que exige logística, estratégia, força de vontade e valores de grande importância para a formação de um indivíduo independente, além da autoconfiança que ajuda a acreditar na própria capacidade de conquista.

São com essas pessoas que convivo no meu dia a dia, como responsável pelo treinamento físico. Com certeza a cada maratona sempre aprendo mais um pouco de como ir atrás de meus objetivos para sempre crescer e estar pronto para a próxima corrida. Para terminar, uma frase que ouço bastante: “A dor é passageira e o prazer é uma história de vida”. Pense nisso e quem sabe a sua primeira maratona esta batendo a sua porta. Bons treinos!

Este texto foi escrito por: Aulus Sellmer

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Aulus Sellmer
Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP) com especialização em treinamento desportivo pela USP, marketing esportivo pela UCLA Berkeley EUA e administração esportiva pela FGV-SP. Atualmente é pos graduado no curso MBA Qualidade de Vida em Gestão Corporativa pela Universidade São Camilo; pos graduando no curso Fisiologia aplicada à clínica pela UNIFESP; proprietário da assessoria esportiva 4any1, colaborador da Rádio Eldorado FM 107,3 e revista Contra Relógio.
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