Existe um limite do desempenho no esporte?

Existe um limite do desempenho no esporte?
Foto: Adobe Stock

A resposta dessa pergunta costuma ser difícil e polêmica, já que não agrada inteiramente os porta-vozes dos discursos motivacionais e seus ouvintes. A questão é que, do ponto de vista teórico existem sim limites de desempenho e é justamente por isso que observamos uma tendência de platô conforme um atleta avança no esporte, assim como histórias de lesões, justamente por ter ultrapassado algum desses ‘limites’, que infelizmente não são facilmente reconhecidos.

Muitos acreditam que é na fadiga e no cansaço onde podemos identificar o limite, mas é aí que está a graça da conversa, já que eles nos ajudam sim a identificar o momento, mas a precisão desses indicadores pode ser mais ou menos correta, dependendo da pessoa, circunstância e contexto da prática esportiva.

O ponto é que por uma questão de proteção e preservação, o nosso sistema nervoso – que tem como objetivo nos manter vivos – tenta a todo momento identificar até onde é seguro irmos ou nos expormos. Essas análises, no entanto, não são “preto no branco”, nem totalmente claras e confiáveis. Isso porque dependem de coletar e interpretar informações do que acontece à nossa volta e comparar com as experiências que já tivemos, para aí sim tomar uma decisão que possa aumentar nossas chances de ter sucesso e sobreviver. Ou seja, estamos a todo momento passando por uma análise probabilística, buscando minimizar riscos e ampliar a nossa chance de sucesso. 

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Com tudo isso que falamos antes pode parecer que se esse sistema é impreciso e pode haver algum erro, então é melhor nem dar bola… Mas é aí que mora o perigo.

Em resumo, a resposta para essa pergunta é “Existe sim!”, ou melhor “Existem alguns sinais” que nos ajudam a não passar do limite. 

A primeira coisa é que uma vez que esses indicadores não são perfeitamente precisos, o melhor é não se “agarrar” a um único sinal específico. Então minha primeira dica é ter atenção a um conjunto de informações e sinais, para daí, munido de melhores informações, tomar uma decisão sobre “não forçar mais”. Alguns desses sinais legais de observar são:

Mente
Quando estamos em uma situação desafiadora e cansativa como a prática esportiva, nossa mente diz: “O que você está fazendo aqui?”, “Você não precisa disso” ou até “Onde você estava na cabeça para se meter nessa?”. Esses são os primeiros sinais de que estamos saindo da nossa zona de conforto. Até aí sem problemas, pois é desafiando a zona de conforto que a mágica acontece. Nesse momento a dica é mudar o foco do pensamento. Se eles voltarem, cada vez mais fortes e com maior frequência, passe para o próximo passo.

Esforço

Existe uma escala que vai de 0 a 10 em que você pode avaliar a sua Percepção Subjetiva de Esforço (PSE). Como o próprio nome diz, ela é subjetiva, mas nos ajuda a ter parâmetros. Quanto maior o número, maior o esforço. E quanto maior o esforço, por menos tempo somos capazes de sustentar a prática esportiva nesse nível. Simples assim.

Fadiga

Quando ela começa a aparecer, tudo começa literalmente a degringolar. Nossa qualidade na execução da tarefa cai, nosso desempenho piora e nosso nível de atenção para manter a qualidade passa a ser muito maior. Começou a perceber que você não consegue manter a mesma qualidade e que está errando mais do que acertando? Talvez seja o momento de dar um tempo e descansar.

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Desconforto

“Estou no meio de uma prova e parar não é uma opção!” Ok, mas saiba que à medida que avançamos o risco aumenta. Vale correr esse risco? Então vamos nessa. Só você pode saber o que está em jogo e o quanto aquilo vale para você, mas pese sempre os riscos e benefícios daquela decisão. Um pouco de desconforto pode ser ok, principalmente se ele é transitório e pode ser recuperado depois. Começou a entrar numa zona arriscada? Seu corpo dará sinais e vai dar um jeito de te parar.

Dor

Se você persiste, provavelmente esse desconforto vai crescer e pode se tornar algo mais desagradável com uma câimbra, enjoo, dor, lesão ou até mesmo um desmaio ou algo mais grave. A verdade é que a cabeça pode mandar continuar, mas em algum momento algum sistema vai flertar com o limite e poderá te fazer parar. É bom saber ouvir e respeitar também!

Mas, lembre-se, o seu limite pode mudar ao longo da vida

Cada pessoa nasce com características e capacidades diferentes, mas que não são fixas e imutáveis e podem ser modificadas ao longo da vida. Em resumo existe um potencial treinável, capaz de ser ajustado e aperfeiçoado (até porque se não fosse possível ninguém se dedicaria a treinar). O legal é entender que existem várias as capacidades que temos como seres humanos. Podemos inclusive usar exemplos: força, potência, flexibilidade e equilíbrio são algumas das mais conhecidas, mas não são as únicas. 

Podemos pensar na capacidade de manejar estresse, na concentração, no planejamento, no improviso e muito mais. É como se para cada um desses pontos existisse um limite e cada pessoa terá o seu. Assim como cada situação exigirá mais de uma ou outra capacidade. Por exemplo, o levantamento de peso vai exigir mais força e potência. Ballet exigirá um pouco desses, mas certamente exigirá mais flexibilidade e equilíbrio do que o levantamento. É como se cada uma dessas capacidades que falamos tivesse um limite, que até certo ponto é ajustável e pode ser melhorado com o treinamento. Pensando assim fica mais fácil entender que os anos podem somar positivamente nessa equação, pois aumentam o tempo de dedicação e treinamento, jogando esse limite um pouco mais longe, do que aquela pessoa com menos tempo, experiência e dedicação.

Este texto foi escrito pelo fisioterapeuta Franco Chamorro da Care Club.

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