Franck Caldeira pensa no pódio e também na vitória da São Silvestre

Em 2006 Franck venceu sob chuva torrencial (foto: Tom Papp/ www.webrun.com.br)
Em 2006 Franck venceu sob chuva torrencial (foto: Tom Papp/ www.webrun.com.br)

O maratonista Franck Caldeira, campeão da São Silvestre em 2006, se prepara para a edição 2009 da competição. Para isso, ele tem feito um treinamento diferenciado durante o ano e pretende chegar à disputa 100% para tentar mais uma vez o título da prova. Em agosto passado, ele faturou a Dez Milhas Garoto, em Vitória (ES) e, desde então se manteve fora dos holofotes, até a conquista do terceiro lugar na Volta da Pampulha no último dia seis.

“Precisei fazer alguns exames médicos logo após a Garoto e logo em seguida passei uns 25 dias na altitude de Campos do Jordão para me preparar para a Pampulha. O tempo de preparação foi pouco e me surpreendi com a terceira colocação, atrás de dois africanos fortes (Nicholas Koech e Martin Sule)”, comenta o fundista. Segundo ele, a disputa mineira foi boa para garantir ritmo de prova, mas não pode ser tomada como base para a São Silvestre, pois é um estilo de competição muito diferente.

“O que vale muito é o dia, a disposição e encarar a prova como uma questão de vestir a camisa. Tudo muda, já que muitos chegam como favoritos e acabam sendo surpreendidos”, avalia Franck. “Não vou mudar nada na preparação, apenas vou intercalar treinos mais rápidos”, completa o mineiro, que ainda não voltou para a altitude, já que competirá neste domingo (13), em São Paulo, a Sargento Gonzaguinha.

Durante a Pampulha ele usou como estratégia específica se manter no pelotão intermediário e atacar os líderes a partir da metade da prova, tática que acredita não ser efetiva na São Silvestre. “A única parte tática desta prova é em relação à temperatura, pois apesar de ter um nível forte, certamente vai haver alguma quebra no final. Nenhum ser humano agüenta o calor que faz em São Paulo nessa época”. Para Franck, a dica para vencer ou conquistar um dos três primeiros lugares do pódio, é não perder os ponteiros de vista, sempre tentar acompanhá-los. “Se deixar abrir, não tem como recuperar, pois tem muitas subidas e descidas”.

O mito da Av. Brigadeiro Luiz Antônio – Muitos corredores acreditam que a subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio, no trecho final do percurso, é uma das partes mais complicadas, mas Franck não acredita neste mito. “Não tem como decidir a prova lá, a não ser que tenham dois ou mais atletas juntos. A pior parte para mim é o início, os primeiros cinco quilômetros, pois é uma descida muito intensa”.

Caldeira define como um “ritmo absurdo”, para a São Silvestre, a marca de 2min45 a 2min40 por quilômetro, marca que geralmente os atletas passam neste primeiro trecho. “No início ainda estamos na fase de aquecimento, depois vem o Elevado Costa e Silva, com uma subida forte. Imagina a musculatura tomando pancada direto e depois encarando uma subida?”, deixa a pergunta no ar.

Sempre descontraído e bem humorado, ele fez uma comparação no mínimo curiosa sobre os diferentes tipos de condição que se encara no percurso e diz que a São Silvestre se assemelha a um rali. “É como um Rali dos Sertões, você pega água, chuva, depois barro, realmente tem que ser um 4×4, motor flex não agüenta, tem que ser a diesel”. E para que esse motor não deixe o piloto na mão, além de água, isotônico e gel, um outro combustível pode fazer muita diferença: a torcida.

A São Silvestre é uma das poucas competições em que o público sai às ruas para torcer e incentivar os atletas, principalmente os brasileiros, numa energia contagiante que Franck faz questão de absorver. “Faz a diferença, o pessoal gosta de ver um brasileiro vencer. Dá para se desconcentrar um pouco da prova e pensar na torcida, que é a nossa motivação para brigar com os africanos e vencer”.

Adversários – Já em relação aos adversários, além de um forte pelotão de estrangeiros, que todo ano vem em busca do caneco dourado e da farta premiação em dinheiro, muitos brasileiros conquistam boas posições, mesmo aqueles que não são considerados favoritos. Franck acredita que alguns de seus companheiros de equipe no Cruzeiro podem dar trabalho. “Essa é uma prova boa para o João da Bota e para o Giomar Pereira, mas um está voltando de lesão e o outro está um pouco cansado por ter corrido todas as provas do Circuito Caixa em busca de pontuação”, revela.

Outros nomes fortes segundo ele, seriam Clodoaldo Gomes, vice-campeão em 2006 e Marílson Gomes dos Santos, bicampeão da prova em 2003 e 2005. “O Marílson por não ter vencido a Maratona de Nova York pode vir para a São Silvestre para não ter um ano apagado e seria um forte candidato à vitória”, mas a participação de Marilson ainda não está confirmada.

Por fim, Franck fala que como bom mineiro tem sempre o pé atrás na hora de falar sobre uma possível vitória. “Prefiro largar primeiro, avaliar a prova e chegar no pódio para ficar entre os cinco primeiros. No decorrer da disputa a gente começa a sonhar com uma possível vitória de acordo como as pernas vão reagindo”.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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