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Fratura por estresse no metatarso: como diagnosticar e tratar?

Uma vez atendi um médico que estava treinando para a maratona de Paris, que aconteceu em abril deste ano. Ele insistiu em correr com uma dor no pé que já estava incomodando nos longões e piorou no último de 30 km. Ele já suspeitava de alguma fratura por estresse no metatarso, fez repouso quatro dias e foi correr a meia maratona de São Paulo. Moral da história: sentiu tanta dor que o pé inchou (veja na imagem abaixo) e abandonou a corrida no quilômetro quatro.

Foto: Reprodução

Normalmente, esta lesão é por uso excessivo em um atleta que está com sobrecarga, seja biomecânica ou metabólica. No caso dele, os dois ocorreram, pois o mesmo resolveu aumentar a cadência para tratar uma dor no joelho. Muitas vezes, a fratura por estresse pode ser tratada por uma eliminação a curto prazo da corrida e outro impacto repetitivo no pé, mas em alguns casos , faz-se necessário correções de postura, pisada e correções de deficit energético.

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Como se desenvolve a fratura por estresse no metatarso?

Normalmente, o paciente não tem uma lesão específica que inicia os sintomas. Como neste caso, pode-se notar que a dor que vem aumentando à medida que o treinamento ou a cadência aumentam. Muitas vezes, a dor vem depois de um certo período de tempo e desaparece com o descanso.

À medida que o problema se agrava, a dor muitas vezes começa mais cedo e mais cedo na sessão de treinamento. Muitas vezes a dor continua, apesar do descanso da atividade. À medida que se torna ainda mais grave, progredindo para uma fratura por estresse, as atividades da vida diária, como caminhar, tornam-se dolorosas.

Quando procurar ajuda?

O exame do pé lesionado revela um ponto muito específico de sensibilidade no local da fratura por estresse – ao longo dos ossos longos do pé. Pode haver algum inchaço neste local, mas muitas vezes o pé parece normal.

Um exame de imagem, como o raio-x pode ser negativo nas semanas após o início da dor. O médico poderá solicitar uma tomografia óssea ou uma ressonância magnética (RM) para ter mais detalhes da lesão. Ele também pode optar por esperar e restringir as atividades do atleta por algum tempo. Na imagem desse caso, como já foi evidenciado a fratura óssea, a RM ajudou a descartar alterações de tecidos, mas observem que o osso já estava com inflamações (branco), denotando sinais de edema ósseo

Fratura por estresse no metatarso: como diagnosticar e tratar? - Foto: Adobe Stock

Foto: Adobe Stock

Como deve ser tratada?

Uma boa notícia é que a fratura por estresse no metatarso, normalmente, é curada sem cirurgia. Para isso, é crucial evitar a atividade ofensiva, como a corrida. Proteger o pé com uma bota ou sapato de proteção pode ajudar. Em alguns casos, a utilização de muletas para ajudar a diminuir o impacto pode ajudar no tratamento.

Algumas fraturas podem exigir tratamento cirúrgico, dependendo da localização da lesão no pé. A fratura por estresse metatársico em que a cirurgia é recomendada é aquela em um local específico, no quinto metatarsal, uma região onde estatisticamente a consolidação é prejudicada pela vascularização pobre.

Cirurgia para essas fraturas geralmente envolve implantar um parafuso dentro do osso em questão. Este procedimento cirúrgico é recomendado, em especial, para alguns casos. São eles onde ocorrem fraturas com grau elevado de encurtamento, desvio ou rotação, ou atletas de alto nível.

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A prevenção das fraturas também deve ser levada em conta. Mulheres na pós-menopausa e jovens atletas mulheres correm riscos se tiverem baixa densidade óssea ou a síndrome de déficit energético. Este fato é especialmente verdadeiro se o atleta tiver um estado nutricional deficiente e irregularidades hormonais. A avaliação da densidade mineral óssea , nutricional, metabólica e biomecânica é importante nesses atletas. Assim como em atletas com histórico de fratura por estresse anterior.

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Ana Paula Simões
Professora Instrutora e mestre em Ortopedia e Traumatologia do Esporte da Santa Casa de SP. Membro internacional e nacional da Sociedade de medicina e cirurgia da Perna, Tornozelo e Pé. Vice presidente da sociedade paulista de medicina esportiva. Comissão da prova de título da Sociedade Brasileira de medicina do esporte. Membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade de Traumatologia Esportiva. E também é corredora e nadadora.
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