Gestão brasileira competente gera bons resultados nas Paraolimpíadas

Só no Atletismo  os brasileiros conquistaram 18 medalhas (foto: Logoc/london2012.com)
Só no Atletismo os brasileiros conquistaram 18 medalhas (foto: Logoc/london2012.com)

Durante os dez dias de competições nos Jogos Paraolímpicos de Londres, os atletas brasileiros brilharam a frente de nações fortes, como a Alemanha, Itália e França. Ocupando o sétimo lugar no quadro geral de medalhas, o Brasil trouxe da terra da rainha 43 medalhas, sendo 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze.

Excelência na gestão – O desempenho notável dos atletas, que superou os resultados dos competidores nas Olimpíadas, deve-se à gestão competente do Comitê Paralímpico Brasileiro, segundo Lauter Nogueira, técnico e comentarista esportivo da TV Globo.

“O Comitê Paralímpico fez um belíssimo trabalho, com metodologia. Eles transformaram parcos recursos em uma ajuda de ouro”, comenta. Daniel Biscola, técnico de esporte de rendimento do SESI-SP, acrescenta: “Hoje o Comitê Paralímpico Brasileiro é referência para diversos outros comitês do mundo inteiro”.

Para Nogueira, existem dois horizontes diferentes e bem definidos: o Brasil como potência paraolímpica e o País “infinitamente distante do tão sonhado título de potência olímpica”. Isso se deve ao fato de que, além da administração da verba do comitê, “feita de forma próxima ao excelente”, o preparo de atletas paralímpicos costuma ser mais rápido do que o de atletas olímpicos.

“Em quatro anos você consegue detectar um talento paraolímpico e torná-lo um medalhista. Já no caso Olímpico, é preciso de no mínimo dois ciclos olímpicos, coisa de dez anos para transformar um atleta em um medalhista”, avalia Lauter.

E o fato de a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), por exemplo, focar o seu trabalho em grupos pequenos de atletas agrava ainda mais a situação do esporte olímpico no Brasil. É o que acredita Biscola.

“Hoje temos uma grande equipe de atletismo que monopoliza quase todos os atletas. A Confederação trabalha um grupo pequeno de atletas, sempre os mesmos”, considera o treinador.

Em contrapartida, o que o Comitê Paralímpico tem feito com excelência, segundo Lauter, é a detecção de novos talentos nos esportes e o desenvolvimento desses atletas. Mesmo o brasileiro gostando de esporte, o País sofre com o “mal da monocultura esportiva”. E também existe uma demanda reprimida de locais para a prática.

Dessa forma, o incentivo aos atletas deficientes é maior, pois eles conseguem encontrar, com mais facilidade, locais para treinar, seja de ONGs, clubes ou instituições beneficentes que desenvolvam o treinamento do esporte paralímpico.

“Existe um grande universo de entidades que tem um trabalho bom na formação esportiva. Primeiro na reabilitação do atleta, que é parte importantíssima no processo de desenvolvimento do talento paralímpico”, explica Biscola, citando entidades como a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) e APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Mais atletas, mais esportes, mais medalhas – Esta edição dos Jogos Paraolímpicos apontou um desenvolvimento inédito do esporte adaptado no Brasil. Enquanto nos outros anos um ou dois atletas eram responsáveis pela maioria das vitórias, em 2012 as medalhas foram “pulverizadas em um número maior de atletas”.

E não só mais esportitas que conseguiram destaque, mas também mais esportes. A bocha, modalidade que nunca havia proporcionado pódio ao País, voltou este ano com três medalhas de ouro e uma de bronze.

“O Brasil precisa manter os atletas que se destacaram e ampliar ainda mais o leque de participantes”, sugere Biscola.

Expectativas – Como tem se mostrado o desenvolvimento do esporte paralímpico no Brasil, a perspectiva é que a delegação para as próximas edições dos Jogos seja cada vez maior, com o surgimento de novos atletas, e com mais conquitas.

Em comparação com os Jogos Olímpicos, “fica muito mais difícil você tirar da cartola, nos esportes individuais, novos atletas que serão medalhistas em 2016. Se eles não apareceram até agora, eles não vão mais aparecer”, explica Lauter Nogueira, que é otimista em relação ao desenvolvimento de novos atletas paralímpicos, capazes de atingir, em quatro anos de preparo, marcas de alto nível nos esportes.

Representatividade – Mesmo com resultados excelentes de prática e desenvolvimento, o esporte adaptado ainda tem pouca representatividade no Brasil. O treinador Daniel Biscola critica o “peso diferenciado” que é dispensado na mídia para o esporte paralímpico em relação ao olímpico.

“Em Londres, por exemplo, o destaque nos jornais para as Paraolimpíadas foi o mesmo dado às Olimpíadas. A imprensa no Brasil ainda trata o esporte de modo diferente, não foi dado o mesmo tratamento”, avalia Biscola.

Este texto foi escrito por: Fabiana Coletta

Redação Webrun

Redação Webrun

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!

Ver todos os posts