Qual tem sido o papel dos influenciadores de corrida durante a quarentena?

Quantos influenciadores você segue nas redes sociais? O Instagram está repleto de pessoas que conquistaram milhares de seguidores, que se identificam ou almejam um estilo de vida parecido com o que encontram nesses perfis. No entanto, ser um influenciador e ter tanta visibilidade requer responsabilidade, principalmente durante este período de distanciamento social.

Com a pandemia de Covid-19, nos vimos obrigadas a aderir o que popularmente chamamos de quarentena, saindo de casa apenas para atividades extremamente necessárias. Muitos hábitos rotineiros, como acordar e ir correr nas ruas e parques, tiveram que ser colocados de lado, pelo menos por agora.

A questão é que, mesmo com todas as orientações da OMS, algumas pessoas ainda insistem em levar uma vida normal. O que se torna ainda mais grave quando esses exemplos vêm de influenciadores digitais, que já têm uma relação de confiança com o público. 

No último fim de semana, o caso da blogueira fitness Gabriela Pugliese ganhou repercussão após ela e o marido, Erasmo Viana, fazerem uma festa em casa para os amigos. Apesar de o casal já ter testado positivo para Covid-19 e ter se curado, não há estudos científicos que comprovem que uma pessoa não possa contrair novamente a doença. 

A festa de Pugliese levantou um debate sobre o papel dos influenciadores durante este período de “quarentena”. Por isso, o Webrun conversou com alguns nomes do mundo da corrida para saber como é ser uma referência para os corredores neste período em casa. 

O influenciador Gustavo Maia, @rungustavorun tem cerca de 120 mil seguidores no Instagram, acredita que a  responsabilidade em ser acompanhado por tanta gente se tornou ainda maior agora. “A gente tem o papel de passar o exemplo correto, mais hoje do que em períodos normais. Apesar de continuar vendo um monte de gente indo treinar e correr na rua, não dá para incentivar isso agora; eu sei que se eu voltasse a correr na rua antes da liberação do governo eu estaria motivando que quem me segue faça o mesmo”. 

Qual tem sido o papel dos influenciadores de corrida durante a quarentena?
Gustavo Maia/ Reprodução @rungustavorun

Para Murillo Nascimento, que divide o perfil @gastandootenis com a esposa Ludmila Quirino, também é importante que cada um faça sua parte. “O papel dos influenciadores é fundamental, principalmente agora, por ter acesso a um grande número de pessoas e poder contribuir na conscientização. Mas também acho que toda sociedade tem responsabilidade de influenciar sua família, seu vizinho a respeitar as recomendações nesse momento”. 

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A importância de ser coerente

Também conversamos com a corredora Debora Rampazo, do @lokaquecorre, durante a quarentena ela tem mostrado em suas redes a rotina de treinos em casa. Ela destaca a responsabilidade que os influenciadores têm sobre tudo o que postam. “As  pessoas que nos acompanham acabam seguindo muitas vezes o mesmo padrão de comportamento dos influenciadores que seguem. Da mesma forma que incentivamos ao esporte com o próprio exemplo, podemos acabar influenciando se tivermos uma atitude errada”.

Assim como Debora, Gustavo também ressalta que é preciso deixar claro aos seguidores que suas ações estão alinhadas ao seu discurso nas redes sociais. “Se a gente for pensar no que aconteceu com a Pugliese, ela acabou falando uma coisa e fazendo outra. Pra mim é essencial agir de acordo com aquilo que você está pregando. Eu estou desde o primeiro dia da quarentena treinando dentro da minha casa, eu sei que tem gente que mora em lugares mais afastados onde até seria possível correr, mas, como a gente fala para diferentes realidades, não é algo que eu posso fazer ou estimular agora”, afirma. 

Apesar dos inúmeros benefícios que a corrida oferece à saúde, alguns estudos sobre o novo coronavírus apontam que as gotículas contendo o vírus, em especial as mais pequenas, podem chegar a metros de distância, e por isso, modalidades ao ar livre, principalmente em grandes cidades, não são aconselháveis durante a pandemia.

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Diante de uma nova realidade, o que transmitir ao público agora? 

“Eu acredito que o mais importante é você passar positividade, afinal de contas as pessoas estão em um momento de incerteza, de dúvida e corroborar com isso ou passar pessimismo é algo que pode ser muito prejudicial a quem te assiste. Eu tenho procurado me manter positivo, olhar para o segundo semestre e para o futuro de maneira otimista”, afirma Gustavo. 

Qual tem sido o papel dos influenciadores de corrida durante a quarentena?
Debora Rampazo/ Reprodução @lokaquecorre

Além da rotina de treinos, Debora tem publicado sobre outras atividades que a ajudam a encarar a quarentena. “Eu estabeleci uma rotina, ouço podcasts, passo mais tempo com meus filhos, testo novas receitas saudáveis. Para mim tem sido um período de fortalecer a mente e usar nossas qualidades de atleta, como persistência, resiliência, força e poder de adaptação. Não é hora de pensar em performance física, e sim em trabalho mental, isso será benéfico também para quando voltarmos à rotina normal de treinos”, conta.

Já, Murillo está levando o compromisso com os treinos de uma forma mais leve. “Eu não corro desde o dia 15 de março, aqui em casa nós alugamos uma bike indoor para para fazer alguma atividade, mas não tenho me pressionado tanto”. Ele acredita que nessa nova rotina os treinos não devem se tornar um dever.

“O esporte é benefício, então quando você está bem e pronto para isso vai fluir sempre de uma forma melhor, sem grandes preocupações, é assim quando eu corro e está sendo assim agora. Quando eu tenho condições de treinar em casa e meu filho já está ocupado fazendo algo, eu tiro um tempo pra mim e faço minhas atividades. Mas quando não é possível, não faço e tudo bem”, explica Murillo. 

Qual tem sido o papel dos influenciadores de corrida durante a quarentena?
Murillo Nascimento, Ludmila Quirino e o filho Álvaro/ Reprodução @gastandootenis

O que esperar pós pandemia?

Tanto Gustavo, quanto Murillo estão enxergando o segundo semestre com bastante otimismo quando o assunto é o retorno das corridas de rua, contudo, eles esperam que as provas tenham que se adaptar a uma nova realidade.

Eu estou pesquisando muito, acompanhando posicionamento das autoridades e de organizadores, associações e tudo tem me levado a crer que no segundo semestre teremos corridas sim, com mudanças, com distanciamento entre as pessoas nas baias de largada, talvez sem expo para entrega de kits, sem aglomeração na chegada e outras medidas neste sentido”, diz Gustavo.

Mas, se por algum motivo as provas demorarem mais a voltar, a mensagem de Murillo é de motivação: “Todos nós corredores já tivemos um começo um dia, e se precisar que daqui um tempo seja um recomeço quase do zero, vai ser. Eu tenho certeza absoluta que a gente vai voltar a conquistar nossas metas, voltar a correr provas e a sentir aquela emoção, aquele frio na barriga na largada; espero que seja ainda esse ano e que aconteça quando for seguro para todos nós”.

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Carolina Abrantes

Carolina Abrantes

Estudante de jornalismo, já metida a repórter. Encantada pelo mundo dos esportes e pela forma como eles podem mudar a vida das pessoas.

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