La Misión: a mais difícil do Brasil? Veja 7 dicas

Buenas, gurizada do Trail!

Recebi algumas mensagens questionando o por quê de eu ter parado com as publicações. Mas, neste período me dediquei única e exclusivamente para minha primogênita. Agora que as coisas estão um pouco mais tranquilas, estou me reorganizando para estar por aqui com a frequência de antes.

Mas vamos lá…

Seria a La Misión Brasil a prova mais difícil do país?

Na minha opinião, SIM. Por alguns motivos, junta um terreno técnico, com clima de montanha, em uma distância razoavelmente alta com autossuficiência. “Só isso”.

A prova tem sua origem na lendária corrida LA MISIÓN, evento que acontece na cidade de San Martin de Los Andes, localizada na região da Patagônia do Norte, Argentina.

Campo do Muro Foto: Wladimir Togumi/Divulgação
Campo do Muro Foto: Wladimir Togumi/Divulgação

A prova vai contar com as seguintes  distâncias:

80k: desnível positivo de 5477m e desnível negativo de 5477m, aproximadamente.
50k: desnível positivo de 3303m e desnível negativo de 3303m, aproximadamente.
35k: desnível positivo de 2733m e desnível negativo de 2733m, aproximadamente.
15k: desnível positivo de 1005m e desnível negativo de 1005m, aproximadamente.

Observem os desníveis da prova… São absurdos. Mas, mais que isso, o terreno a ser percorrido é extremamente técnico, independente da distância.

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Obviamente o que salta aos olhos neste desafio é a distância de 80k que vai ter a passagem pelo 4º maior pico do país, a pedra da mina. E, neste quesito a organização inovou, além do livro do cume, vai haver um livro do cume somente dos participantes da prova.

O organizador da prova, Paulo Lamin, percorreu alguns estados fazendo palestras e tirando dúvidas sobre a prova. E, o que mais me chamou a atenção é a previsão de tempo que o atleta pode levar para “sair” da Serra Fina. Segundo ele cerca de metade do tempo de prova vai ser “gasto” em 20% do percurso.

Esse ano o evento bateu recorde de inscritos. Foto: Wladimir Togumi/ divulgação
Esse ano o evento bateu recorde de inscritos. Foto: Wladimir Togumi/ divulgação

Então veja algumas dicas para esta prova, independente da distância que você for fazer

1. “Quem cansa, descansa. Mas quem quebra, não recupera”
Já escrevi muitas vezes esta célebre frase do professor Guilherme. E, este deve ser seu mantra durante a prova. Subir cansa, mas não há grande desgaste muscular (comparado as descidas) além disso, você vai naturalmente diminuir o ritmo e, certamente quando encontrar uma parte plana ou em descida vai descansar.

Os corredores terão a oportunidade de assinar dois livros Foto: Paulo Lamin/ divulgação
Os corredores terão a oportunidade de assinar dois livros Foto: Paulo Lamin/ divulgação

Porém, nas descidas, há uma força excêntrica (força realizada para frear o movimento) exacerbada e um aumento de microlesões na musculatura. Então, quem forçar as descidas para ganhar tempo, pode comprometer sua prova por câimbra, lesão etc…E, depois que houver esta quebra, não há o que você beba ou tome que vá te recuperar no momento.

2. Estabeleça o ritmo pela respiração.
A grande maioria das pessoas faz isso sem saber durante a competição. Sempre que você correr em um pace onde ainda consiga falar é um ritmo adequado para estabelecer durante a prova. Neste ritmo você permanece na zona aeróbia e consegue correr por mais tempo.

3. Mantenha-se em movimento

Esse talvez seja o segredo para esta prova. Em especial para os participantes dos 80k. A corrida tem um tempo de corte razoável, você não precisa se desesperar, mas não perca tempo…Não pare em meio a vista maravilhosa das montanhas para fazer um piquenique. Você já vai permanecer muito tempo em um ritmo lento durante a subida e a descida da pedra da mina.

4. Desça com cuidado
Muitos olham o perfil altimétrico da prova e pensam: “todo tempo que eu perder subindo vou recuperar descendo”. Erro. O primeiro motivo é o referido na primeira dica, mas além disso, é que a descida da pedra da mina é extremamente técnica e perigosa.

Os mais lentos provavelmente vão encarar ela durante a noite, portanto CUIDADO. Existem outros pontos da prova que vão ser possíveis de desenvolver o ritmo de prova.

5. Não invente moda

Sempre falo para quem em conheço ou para atletas que treino, que a prova é somente a execução do que foi treinado. Não é hora de inventar nada. Não se come nada diferente, não se usa equipamento diferente. Por mais simples que seja, uma meia nova, pode dar aquela bolha que você nunca teve, o alimento super energético que seu amigo te deu, pode te fazer vomitar ou ter diarreia, levar os bastões porque te disseram que era bom, mas você não treinou, vai ser somente uma tralha a mais para se preocupar.

Livro de cume é uma das novidades da La Misión Brasil

6. Estude a prova e trace a sua estratégia

A prova disponibiliza os arquivos para você estudar, existe o material no próprio site, além disso existem diversos vídeos do local no youtube.Não tem desculpa. Estude bem os quilômetros que vão subir, que vão descer, os pontos onde você pode desenvolver a corrida.

O que não pode é você chegar na hora da prova, olhar o GPS e pensar: “não sabia que tinha essa subida aqui”. Sou da opinião que quanto mais informações você tiver, melhor vai ser sua tomada de decisão em pontos críticos da prova. E, acima de tudo, converse com seu treinador, ele vai saber te orientar nesses quesitos.

A Serra Fina é uma das regiões com mata preservada na Serra da Mantiqueira. Foto: Jorge Metne/ divulgação
A Serra Fina é uma das regiões com mata preservada na Serra da Mantiqueira. Foto: Jorge Metne/ divulgação

7. Use roupas adequadas
Os equipamentos obrigatórios da prova são muitos e já vi gente reclamando, mas é para sua segurança. Você não vai querer enfrentar a noite na montanha sem sua headlamp, você não vai querer ver o tempo mudar de uma hora para outra sem ter um bom anorak para te proteger, você não pensa em subir no cume e achar que lá vai fazer calor.

Uma dica boa é já sair com calça, camiseta manga longa e luva, principalmente os participantes dos 80k, a vegetação por lá é alta e provoca muitos cortes nos desavisados.

Essas são algumas dicas que dou, mas não são regras já que existem especificidades para cada atleta e é papel do treinador orientar neste sentido.

Se você tem mais alguma dica ou orientação que possa ser compartilhada, deixe seu comentário. E, marque seu amigo que vai participar da prova neste post. Qualquer dúvida que eu possa ajudar, só mandar um inbox no @cristianofettercoach

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Cristiano Fetter

Cristiano Fetter

Mestre em Ciências do Movimento Humano - UFRGS
Sócio Ultra Funcional Place
Founder Raiz Trail

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