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Lesão de corrida: o que é condromalácea?

Lesão de corrida: o que é condromalácea?

Foto: Fotolia

Na Medicina Esportiva, a condromalácea se constitui na lesão mais frequente que afeta a cartilagem articular. O termo foi utilizado originalmente para descrever o amolecimento da cartilagem, e, portanto, inadequado para definir o diagnóstico, já que a tendência da literatura médica atual recai sobre a utilização do termo condropatia (“condro”= cartilagem, “patia”=doença), ou simplesmente desgaste articular.

Considerando todas as articulações do esqueleto, o joelho é a mais acometida. Existem diversas classificações para a condropatia, cada uma com diferentes graus de acometimento da cartilagem, desde as fases mais iniciais caracterizadas por um amolecimento da cartilagem e inchaço da articulação até os graus mais avançados com fissuras e destruição das células da matriz cartilaginosa e também erosão do osso subcondral (situado logo abaixo da cartilagem).

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O tratamento inicial é conservador, ou seja, não envolve procedimentos cirúrgicos, mas inclui medicação anti-inflamatória e medidas fisioterápicas para a melhora da dor (analgesia) e ganho de força muscular nos abdutores da coxas e extensores do joelho, músculos que estão na parte lateral e frontal da coxa respectivamente, e sobretudo os extensores do quadril, os glúteos.

Após a fase de melhora da dor, deve ser realizado um programa de condicionamento físico na água, através de atividades como natação, hidroginástica, e/ou “deep running” (corrida na água), durante um período de tempo anterior ao retorno às corridas. O trabalho muscular para ganho e manutenção de força dos membros inferiores deve ser continuado, e a utilização de substâncias condroprotetoras, como os sulfatos de glicosamina e condroitina ou o colágeno não hidrolisado, é uma medida interessante para proteger a cartilagem, prática que vem ganhando muitos adeptos no meio médico devido aos bons resultados demonstrados pelo uso crônico destas substâncias.

Após o retorno aos treinos e competições de corrida, a alternância da pista com outras atividades aeróbicas (natação, “spinning”, hidroginástica) é uma medida excelente para poupar os joelhos, e consequentemente sua cartilagem. Isso contribui para desacelerar a piora do desgaste articular e mantém o condicionamento cardiovascular.

Da mesma forma, correr em pisos mais suaves como grama ou terra batida é uma prática saudável para as articulações dos membros inferiores. O uso de calçados esportivos apropriados, que ofereçam adequados suporte e amortecimento, também é uma medida que auxilia na manutenção da saúde músculo-esquelética.

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Dr. José Marques Neto
Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e em cinesiologia, Magna Cum Laude, pela Texas Christian University, nos Estados Unidos. Médico especialista em Medicina do Esporte pela SBME e em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT, pós-graduado em Fisiologia do Exercício pelo Instituto de Ciências Biológicas-USP e em Biomecânica da Saúde e Atividade Física pela Universidade Gama Filho. Consultor em Medicina do Esporte das revistas Contra Relógio e Women's Health, e do site Webrun. Médico do Esporte do Instituto VITA em São Paulo.
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