Lesão de corrida: o que é condromalácea?

Na Medicina Esportiva, a condromalácea se constitui em uma das lesões mais freqüentes da cartilagem articular. O termo foi utilizado originalmente para descrever o amolecimento da cartilagem, e, portanto, inadequado para definir o diagnóstico, já que a tendência da literatura médica atual recai sobre a utilização do termo condropatia (“condro”= cartilagem, “patia”=doença).

Considerando todas as articulações do esqueleto, o joelho é a mais acometida. Existem diversas classificações para a condromalácea, cada uma com diferentes graus de acometimento da cartilagem, desde as fases mais iniciais caracterizadas por um amolecimento e inchaço da articulação, até os graus mais avançados com fissuras e destruição das células da cartilagem e também erosão do osso subcondral (logo abaixo da cartilagem).

O tratamento inicial é conservador, ou seja, não envolve procedimentos cirúrgicos, mas se constitui de medicação antiinflamatória e medidas fisioterápicas para a melhora da dor (analgesia) e ganho de força muscular nos abdutores e extensores da coxa, músculos que estão na parte lateral e frontal da coxa, respectivamente.

Após a fase de melhora da dor, pode ser realizado um programa de condicionamento físico na água, através de atividades como natação, hidroginástica, e/ou “deep running” (corrida na água), durante um período de tempo anterior ao retorno às corridas. O trabalho muscular para ganho e manutenção de força dos membros inferiores deve ser continuado, e a utilização de medicamentos com substâncias condroprotetoras, como os sulfatos de glicosamina e condroitina, são uma medida interessante para proteger a cartilagem. Isso vem ganhando adeptos no meio científico devido aos bons resultados que o uso crônico destes medicamentos demonstram.

Após o retorno aos treinos e competições de corrida, a alternância da pista com outras atividades aeróbicas (natação, “spinning”, hidroginástica) são uma medida excelente para poupar os joelhos, e conseqüentemente sua cartilagem. Isso evita a piora, o desgaste articular e mantém o condicionamento cardiovascular.

Da mesma forma, procurar correr em pisos mais suaves, como grama ou terra batida, é uma prática saudável para as articulações dos membros inferiores. O uso de calçados esportivos apropriados, que ofereçam suporte e amortecimento, também é uma medida que auxilia na manutenção da saúde músculo-esquelética.

Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto

Redação Webrun

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