Você conhece seus limites? Deveria!

Nos últimos anos sinto uma vontade louca de saber quais são os meus limites. Sei que isto é bem relativo, pois em provas de média distância, às vezes conhecer seus limites é mais doloroso do que nas ultramaratonas. Percebi que para baixar meus tempos nos 10 e 21 km preciso ralar muito, estava já no limite do amador. Para melhorar mais teria que fazer dolorosos treinos de tiro, muito trabalho preventivo e mesmo assim isso não garante nada.

Em provas longas é diferente. Quanto mais você corre, menos  está preocupado com o tempo, mas sim em completar o desafio, principalmente quando a prova é de montanha.O dilema é querer ter tudo ao mesmo tempo, já que continuo trocando com amigos corredores que me instigam a participar de provas de rua, mas também hoje tenho a turma dos apaixonados por trail. Depois de fazer o Desafio das Serras 40×40 e El Cruce de los Andes, ficou claro para mim que meu lugar era na trilha, mas moro na cidade, não consigo viajar muitos finais de semana para executar os treinos em lugares apropriados. Realmente fica difícil decidir.

Aprender seu limite e lidar com ele é uma das maiores conquistas Foto: Glebchik/Fotolia
Aprender seu limite e lidar com ele é uma das maiores conquistas Foto: Glebchik/Fotolia

Estou contando minha história, porque tenho certeza que muitos passam por este dilema. Treinando para baixar o tempo na rua e ao mesmo tempo subindo e descendo montanhas, pelo prazer do visual.Fazer este tipo de treino é muito sensível, é preciso estar consciente do corpo para não lesionar. Digo isto por experiência própria, ultimamente venho treinando em pista para focar no aumento da velocidade e ao mesmo tempo, não passo uma semana sem ir para as subidas, o que me dá muito prazer e força nas pernas. 

O fato é que é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo, o importante é ter paciência, pois às vezes os resultados demoram e forçar mais do que deveria em um treino de subidas ou tiros, é extremamente perigoso.

Atenção aos sinais do corpo

Fique atento aos sinais, seu corpo manda mensagens o tempo todo e tenha certeza que, entre uma dor normal de treino e uma lesão muscular, existe uma linha tênue. Não arrisque, na dúvida diminua o ritmo.

As inscrições para a 40ª Corrida Santos Dumont já estão abertas!

Outro fator importante para quem corre sozinho é focar cada treino em uma competência diferente, pois a variação de estímulo provoca ótima adaptação e previne lesões. Varie o terreno, tênis, dê tiros na subida, na descida e no plano, faça treinos leves com subidas, outros variando intensidade e quilometragem, evite repetir muitas vezes o mesmo trajeto.

Claro que o treinador sempre vai ter a vantagem de ter estudado para periodizar os macro e microciclos e isto é muito sério. Quem escolhe treinar sem acompanhamento sempre está assumindo um risco, o qual não é necessário já que atualmente existem várias formas de conseguir periodizar seu treino, com baixo custo.

Meu desafio

Bom, o próximo desafio será chegar de Mogi das Cruzes até Aparecida em 4 dias pela Rota da Luz, no feriado de 7 de setembro. Quem quiser nos acompanhar é só ficar ligado no meu Instagram @ccotter77

Sobre superar meus limites, um amigo corredor, Kleber Yokoyama, me disse que vou ter problemas: “o limite é extensível.” Na verdade ele se referia à uma frase que deixo, de um dos ídolos que mais venero no esporte:

Ayrton até hoje é modelo para quem ama desafios Foto: Divulgação Facebook
Ayrton até hoje é modelo para quem ama desafios Foto: Divulgação Facebook

Em um dado dia, uma dada circunstância, você acha que tem um limite. Você então tenta ir para esse limite e você toca esse limite, e você pensa: ‘Ok, este é o limite.’ Logo que você toca esse limite, algo acontece e de repente você pode ir um pouco mais longe. Com o poder da sua mente, sua determinação, seu instinto, e a experiência também, você pode voar muito alto.”

Ayrton Senna

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Claudio Cotter

Claudio Cotter

Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários eventos nacionais e internacionais, incluindo O 1º mundial FIFA pela Seleção Sub 17 Feminina como fisioterapeuta da equipe. Ao mesmo tempo se especializando em postura e análise de marcha e da corrida. Hoje, desenvolve trabalhos dentro de um conceito de equipe multidisciplinar em sua clinica e pós graduando em medicina psicossomática, aplicando seus conhecimentos em pacientes esportistas ou não, com o objetivo de tratar a fundo as causas das dores, sendo físicas, relacionadas à postura no trabalho ou na corrida, ou emocionais. Além de consultor da Mizuno em alguns projetos nos últimos 3 anos e ultramaratonista.

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