Clima ruim impede quebra de recorde, mas não nova vitória de Kipchoge

A 44ª edição da Maratona de Berlim foi sem dúvida uma das provas mais esperadas de todos os tempos, em função da presença do etíope Kenenisa Bekele (2h03min03), campeão da edição anterior e detentor da 2ª melhor marca de todos os tempos, do queniano Eliud Kipchoge (2h03m05), campeão olímpico, campeão da prova em 2015, 3ª melhor marca de todos os tempos e do também queniano Wilson Kipsang (2h03min13), campeão da prova em 2013 e ex recordista mundial da distância.

Havia grande expectativa para a quebra do recorde mundial de 2h02min57, obtido por Dennis Kimetto, do Quênia em 2014, na mesma Berlim. Kipchoge era o grande favorito, mas o clima adverso atrapalhou a festa.

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No feminino as atenções estavam voltadas para a queniana Glads Cherono (2h19min25), campeã da prova em 2015. As  etíopes  Amane Beriso (2h20min48), Gulume Tollesa (2h23min12) e a queniana Valary Aiyabei (2h21min57), vindo depois nas apostas.

Masculino

No masculino, liderados por 3 coelhos, o primeiro quilômetro foi alcançado em 2min52 e a marca dos cinco quilômetros com 14min28, ritmo de 2min54/quilômetro, que projetava o final para 2hs02min22.  Kipchoge, Kipsang, Bekele, Vincent Kipruto e o estreante Guye Adola passaram juntos. Mais cinco quilômetros em 14min37 (2min56/quilômetro) e a marca dos 10 foi alcançada em 29min05, projetando o final de prova para 2h02min38, bem mais rápido que o recorde mundial.

Mais 5 quilômetros em 14min40 e a marca dos 15 foi alcançada com 43min44. Os cinco atletas vinham junto com os coelhos. Mais cinco quilômetros em 14min37 e a marca do 20 foi alcançada em 58min18. Passaram a meia maratona em 1h01min29, ritmo poucos segundos acima do recorde. Estranhamente Kenenisa Bekele demonstrou sentir e começou perder  contato com o grupo, já passando 20 segundos atrás e vindo a abandonar a prova na altura do quilômetro 23.

Kipchoge era o grande nome da prova. Não bateu recordes, mas venceu Foto: Divulgação Maratona
Kipchoge era o grande nome da prova. Não bateu recordes, mas venceu Foto: Divulgação Maratona

Foram em 14min33 do quilômetro 20 para o 25 (1h12min50) e o recorde começou a ficar um pouco distante. 14min35seg do 25 para o 30, momento em que o último coelho abandonou a prova e junto com ele Wilson Kipsang. O estreante Guye Adola e Kipchoge seguiram a frente e passaram mais cinco quilômetros em 14min41seg, atingindo a marca do quilômetro 35 em 1h42min04. Vincent Kipruto veio mais de 1 minuto atrás.

Do quilômetro 35 em diante parece que ambos os atletas começaram a sentir os efeitos do clima adverso. Chovia e ventava, com frio desde o começo da prova, além da formação de várias poças de água pelo caminho. O ritmo do quilômetro 36  foi 2min57, 3min01seg o do 37  e 2min58 o do 38. Neste momento, o estreante em maratonas Guye Adola acelerou e tomou a frente, deixando Kipchoge, melhor maratonista da atualidade um pouco para trás. Kipchoge fez  3min09 do 39 para o 40 e a distância entre eles aumentou um pouco mais.

Faltando apenas 2 quilômetros 195 metros, parecia que teríamos uma baita de uma zebra, mas Kipchoge fez o quilômetro 41 em 2min54seg  e alcançou Adola, deixando a disputa ainda mais eletrizante. Mais 2min54 no quilômetro 42, Adola não resistiu e diminuiu o ritmo.

Kipchoge passou por baixo do histórico Portão de Brandemburg acelerando e cruzou a linha de chegada com 2h03min32, tempo acima do recorde, mas a melhor marca do ano. Guye Atola chegou na 2ª colocação com 2hs03min46seg, melhor estreia em maratonas de todos os tempos. Mosinet Geremew, da Etiópia, chegou em 3º lugar com 2h06min09, Felix Kandie (2h06min13) e Vincent Kipruto, ambos do Quênia na 4ª e 5ª colocação respectivamente.

Gladys conquistou o lugar mais alto do pódio pela segunda vez Foto: Divulgação IAAF
Gladys conquistou o lugar mais alto do pódio pela segunda vez Foto: Divulgação IAAF

Feminino

No feminino 6 atletas passaram a marca dos cinco quilômetros em 16min40, ritmo de 3m21/quilômetro, projetando o final de prova próximo a 2h20. Mais 5 quilômetros em 16min33 (3min19/quilômetro) e a marca do quilômetro 10 foi alcançado e 33min13. Mais 5 quilômetros em 16min21, a marca do 15 foi alcançada em 49min33 e só ficaram 4 atletas no bloco da frente: Glads Cherono e Valary Aiyabei do Quênia, Ruti Aga e Amane Beriso da Etiópia.

Mais 5 quilômetros do 15 para o 20 em 16min32 e a marca do 20 foi alcançada em 1h06min05, com as mesmas 4 atletas juntas. Chegaram a marca da meia maratona com 1h09min40 e a do quilômetro 25 em 1h22min26, com 16min22 a passagem dos 5 quilômetros.

16min32 do quilômetro 25 para o 30 e só 3 atletas no bloco: Cherono, Valary e Ruti. 16min41 do 30 para o 35, as 3 ainda juntas, 17min08 (3min26/quilômetro) do 35 para o 40 (2h12min46) quando  Cherono abriu 35 segundos em relação a Ruti. Mais 2 quilômetros 195 metros e Gladys Cherono venceu a prova pela segunda vez, com o tempo de 2hs20min23, 4ª melhor marca do ano. Ruti Agata acelerou e chegou na 2ª colocação com 2h20min41, Valery Aiyabei na 3ª colocação com 2h20min53, Helen Tola da Etiópia na 4ª colocação com 2h22min51 e a alemã Anna Hahner, fechou o pódio com 2h28min32 para delírio do público local.

Homens:

1. Eliud Kipchoge (KEN) – 2:03:32
2. Guye Adola (ETH) – 2:03:46
3. Mosinet Geremew (ETH) – 2:06:09
4. Felix Kandie (KEN) – 2:06:13
5. Vincent Kipruto (KEN) – 2:06:14
6. Yuta Shitara (JPN) – 2:09:03
7. Hiroaki Sano (JPN) – 2:11:24
8. Ryan Vail (USA) – 2:12:40
9. Liam Adams (AUS) – 2:12:52
10. Jonny Mellor (GBR) – 2:12:57

Mulheres:
1. Gladys Cherono (KEN) – 2:20:23
2. Ruti Aga (ETH) – 2:20:41
3. Valary Aiyabei (KEN) – 2:20:53
4. Helen Tola (ETH) – 2:22:51
5. Anna Hahner (GER) – 2:28:32
6. Catherine Bertone (ITA) – 2:28:34
7. Sonia Samuels (GBR) – 2:29:34
8. Azucena Diaz (ESP) – 2:30:31
9. Catarina Ribeiro (POR) – 2:33:13
10. Kim Dillen (NED) – 2:33:24  

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Nelson Evêncio

Nelson Evêncio

Graduado em Educação Física. Pós Graduado em Treinamento Desportivo, Administração e Marketing Esportivo. Treinador Nível II pela IAAF. Presidente a ATC- Associação dos Treinadores de Corrida de 2009 a 2017.

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