Marílson e Franck explicam decepção olímpica

Marilson nao estava num dia bom  motivo pelo qual desistiu antes da linha de chegada (foto: Thiago Padovanni/ www.webrun.com.br)
Marilson nao estava num dia bom motivo pelo qual desistiu antes da linha de chegada (foto: Thiago Padovanni/ www.webrun.com.br)

Passado praticamente um mês do encerramento da Olimpíada de Pequim, Marílson Gomes e Franck Caldeira falam sobre os motivos que os levaram a abandonar a maratona do dia 24 de agosto. Ambos participaram da Maratona Pão de Açúcar de Revezamento, realizada no último dia 21, em São Paulo, onde representaram respectivamente as equipes Pão de Açúcar e Cruzeiro.

São Paulo – Marílson começou bem a prova olímpica, mantendo seu ritmo característico em corridas de longa distância, passando a marca dos 10 quilômetros em 29min36 (10ª posição). Tudo parecia seguir como planejado, mas todos foram pegos de surpresa com o forte ritmo que os líderes imprimiram da largada ao final.

O brasiliense seguiu bem, passando a meia em 1h04min30 (18º), mas logo após a passagem do quilômetro 30 abandonou a disputa. “Tem dia em que as coisas não dão certo e não foi o meu dia. Eu treinei muito para essa prova, me concentrei, mas não me senti bem”, avalia o maratonista. “Talvez a gente fez a preparação no local errado, mas também fomos surpreendidos, pois foi uma prova muito mais rápida do que geralmente acontece em Olimpíadas”, completa o atleta de 31 anos.

O primeiro colocado, Samuel Wanjiru, do Quênia, fechou a prova em 2h06min32, passando a meia em 1h02min34. “Até hoje não sabemos como o queniano conseguiu fazer aquela marca. Era nítida a poluição, junto com o calor e umidade, uma condição muito difícil”.

Após retornar de Pequim, Marílson aproveitou para descansar um pouco e recuperar o fôlego para voltar com força total às competições nacionais e internacionais. “Parei um pouco para esfriar a cabeça, recuperar o físico, e agora vou voltar a treinar e conforme a evolução penso nas próximas disputas”.

Franck – Já o mineiro Franck Caldeira passou os 10 quilômetros da maratona olímpica com o tempo de 30min32, ocasião em que ocupava a 39ª colocação e seguiu num ritmo moderado, mas longe dos ponteiros. Na passagem da meia ele marcou 1h09min23 e parou logo em seguida, quando ostentava a 73ª posição entre os 98 competidores.

“Foi minha primeira Olimpíada, então acho que como experiência foi válido. O importante é ir e participar e peço desculpas às pessoas que acreditaram e ainda acreditam no nosso trabalho, tenho certeza que ainda teremos outras oportunidades de mostrá-lo”, comenta o atleta de 25 anos.

Para Franck os vencedores fizeram um ótimo trabalho. “Foi uma prova ruim para quase todos os grandes nomes. As medalhas tinham que sair e eles estão de parabéns, correram muito”. Ele ressaltou ainda que o clima adverso foi o principal fator de dificuldade. “A preparação no meu caso foi boa, não foi um fator que me influenciou, mas Olimpíada tem muita tensão, cobrança, a gente fica um pouco abismado com um mundo diferente. Só nós sabemos o quanto é complicado chegar lá e fazer um bom papel, se fosse fácil todos conseguiriam”.

O objetivo inicial traçado com o treinador Henrique Viana era tentar completar entre os 20 ou 30 melhores, meta que caiu por água a baixo já na passagem dos primeiros quilômetros. “Essa prova tem um desgaste muito grande. Como na meia eu já estava mal e não conseguiria esse feito, preferi abandonar”, lamenta.

Festa olímpica –Franck ainda disse que poderia ter seguido em frente e entrado no estádio, mas que atualmente ele visa coisas mais importantes do que “simplesmente uma festa olímpica”. Para ele, essa “festa” já foi completa com a participação do país nos jogos, a medalha da Maurren Maggi e os bons resultados em outras modalidades. “Meu papel foi desempenhado com um pouco de tristeza, mas sabendo que ainda temos muito pela frente”.

Para alguns atletas, entrar no estádio lotado e finalizar uma prova olímpica já é um grande sonho, como relatou o terceiro representante do país na maratona, José Teles ao Webrun, opinião que Franck respeita e admira. “Esse é o querer de cada um. Ele fez bem quando optou por completar a prova, de repente era um papel que ele queria desempenhar. Só o atleta sabe o que está vivendo, mesmo sendo em último ou primeiro é importante que se viva a festa”, finaliza.

Depois da Olimpíada e de ajudar a equipe do Cruzeiro a se tornar tetracampeã na Maratona Pão de Açúcar de Revezamento, Franck já tem em mente os próximos desafios. “Vou correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro, a Volta da Pampulha, onde tentarei a quarta vitória, e a São Silvestre”.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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