Meia Maratona de São Paulo: vitória dos quenianos, mas pódio cheio de brasileiros

Foto: PinguimFoto: Pinguim

Na manhã ensolarada do último domingo (20), a Praça Charles Miller, no Pacaembu, foi cenário da largada da 11ª Meia Maratona Internacional de São Paulo. A corrida começou às 6h40 para as mulheres e às 7h para os homens. Tida como uma das provas mais técnicas da cidade, os 21.097 metros exigiram ainda mais dos atletas, devido ao calor intenso na capital. Foram cerca de 10 mil participantes.

A disputa feminina desde início teve o ritmo ditado pela queniana Caroline Kimosop, que no ano passado fez 1h11min45 na Meia Maratona de Porto Alegre. Ela se manteve o tempo todo na ponta e conquistou o primeiro lugar com 1h18min29. “A corrida foi muito boa. Gostei do percurso, mas acabei sentindo o forte calor. Felizmente, deu tudo certo para mim”, declarou a campeã.

Com exceção da primeira colocação, o pódio foi preenchido por brasileiras. O vice ficou com a paulista Adriana Aparecida da Silva, que completou o percurso em 1h19min09. “Estou fazendo um treinamento de base bem forte, então o resultado foi muito bom nessa prova que é dura, ainda mais com esse calor, serve como um treinamento importante. Estou muito feliz com a colocação”, afirmou a atleta que segue agora se preparando para correr a Maratona de Hamburgo, em abril.

Foto: Leo Shibuya/ MBraga Comunicação Foto: Leo Shibuya/ MBraga Comunicação

Do lado masculino, a expectativa era de que o mineiro Giovani dos Santos conquistasse seu terceiro título, mas o estreante na prova, o queniano Daniel Kiprotich o superou. “Minha primeira vez no Brasil e gostei muito. Consegui manter um bom ritmo e segurar até o final, apesar do forte calor. Espero voltar no ano que vem e tentar mais um resultado positivo”, ressaltou Daniel, que chegou a São Paulo na quinta-feira.
A briga pela primeira colocação foi intensa entre os dois até o km 17, quando Kiprotich conseguiu abrir vantagem e cruzar a linha de chegada em 1h04min56 depois da largada. Pouco mais de 30 segundos depois foi a vez de Giovani, com o tempo de 1h05min27.

Como segundo colocado, Giovani afirmou que o resultado foi até melhor do que esperava. “Hoje eu não me importei muito com o tempo, porque estou em um trabalho de base, não estou 100%, meu objetivo era só fazer uma boa prova. Eu consegui isso e acompanhei o queniano na maior parte do percurso, estou muito feliz pelo resultado e vamos trabalhar para a próxima”, afirmou.

Foto: Leo Shibuya/ MBraga ComunicaçãoFoto: Leo Shibuya/ MBraga Comunicação

Caça aos pipocas

Outro destaque da prova foram as medidas adotadas pela organização do evento, feita pela Yescom, para conter a participação de atletas não inscritos, os chamados “pipocas”. Ao chegar à Praça Charles Miller já era possível notar a presença de muitos seguranças e o controle rigoroso para que apenas os atletas, com número no peito, passassem pelas grades.

Durante todo o período de largada o locutor da prova pedia que os corredores não inscritos, não participassem e pulassem as grades. Os que conseguiram passar pelo bloqueio tiveram suas roupas identificadas e descritas nos alto falantes, além de serem publicamente convidados a se retirar. Alguns não deram importância e outros pararam de correr.

Não aos pipocas/ Foto: Carolina Abrantes/WebrunNão aos pipocas/ Foto: Carolina Abrantes/Webrun

A medida agradou participantes inscritos, alguns elogiaram a atitude da organização. “Eu gostei desse controle que foi feito, deixa o evento mais organizado e valoriza quem se inscreve e treina para participar dessas provas grandes”, afirmou Juliana de Oliveira.

“Eu sei que o evento ocorre na rua, mas é um desrespeito para nós que pagamos para participar ver os pipocas bebendo água e pegando o lanche de quem pagou, lógico que muitos têm bom senso e não fazem isso. No geral, eu apoio a medida, só achei que não precisava descrever as pessoas dessa forma que foi feita durante a largada, um pouco de exposição demais”, opinou Paulo dos Santos.

A organização que contou com a ajuda de dezenas de fiscais, que usavam a camiseta “Não aos pipocas”, comemorou o resultado das dinâmicas utilizadas para tentar coibir a presença de corredores não inscritos. “Deu certo. Tivemos uma prova controlada, com poucos pipocas na largada e no percurso. O objetivo foi alcançado e estamos felizes com o apoio dos corredores oficiais. Agora é seguir nesse trabalho até a última prova do ano”, destacou Thadeus Kassabian, diretor da Yescom.

Inscritos para um lado, pipocas para o outro Foto: Carolina Abrantes/ WebrunInscritos para um lado, pipocas para o outro Foto: Carolina Abrantes/ Webrun

Um dos corredores pipoca que conseguiu completar a prova contou que apesar do esforço da organização, foi tudo tranquilo para ele. “Achei que estavam repreendendo mais na largada e na chegada, porque não tem muito o que fazer durante o trajeto, não tem como impedir ninguém de correr na rua. Mas eu não tive nenhum problema, para mim foi tranquilo” afirmou Wesley Silva.

De acordo com a Yescom, o número de pipocas foi de 30% na edição de 2016, para apenas 3% nesta, o projeto da empresa de “caçar os pipocas” foi debatido no mês passado gerando bastante polêmica. “São atletas que ainda insistem em desrespeitar os pagantes. Foram apenas dez atletas que conseguiram pular as grades e burlar os monitores, mas que foram retirados pela organização. No percurso, por exemplo, não houve problema com água, que esteve sempre gelada ao longo dos oito postos, sendo suficiente para atender todos os inscritos, assim como isotônico. Já na chegada, os poucos que tentaram seguir foram retirados pela triagem da organização. Do nosso lado, abriremos inscrições para 2018 nos próximos dias, com preços mais acessíveis”, finalizou.

Resultados 11ª Meia Maratona de São Paulo:

Masculino

1º Daniel Kiprotich (QUE), 1h04min56seg
2º Giovani dos Santos (BRA), 1h05min27seg
3º Éderson Pereira (BRA), 1h05min31seg
4º Getu Mideksa (ETH), 1h05min58seg
5º Daniel Chaves da Silva (BRA), 1h06min12seg

Feminino

1º Caroline Kimosop (QUE), 1h18min29seg
2º Adriana Aparecida da Silva (BRA), 1h19min07seg
3º Andréia Hessel (BRA), 1h19min16seg
4º Gabriela Rocha (BRA), 1h19min25seg
5º Carmen Aguilera (PAR), 1h20min07seg

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Daniel Krutman

Daniel Krutman

Publicitário de formação, especialista em sociologia do consumo e em marketing digital. Trabalha há mais de 10 anos com conteúdo e marketing esportivo.

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