Milagres no atletismo

“Não existe milagre no atletismo, existe sim: disciplina, trabalho, planejamento, persistência, coragem e determinação”.

Quanto assistimos as competições pela televisão, e vemos o desempenho dos grandes atletas, tudo parece tão simples e fácil. Algumas pessoas chegam até comentar: se eu estivesse lá (na São Silvestre) eu ia ganhar. E quando se referem a algum conhecido ou amigo: puxa, você corre todos os dias e chegou na 3.458º colocação, para fazer isto, nem é preciso treinar.

O brasileiro bem humorado como sempre, brinca: em terra de cego quem tem um olho é rei, se referindo ao novo ídolo da São Silvestre, Tesfaye Jifar, cego do olho direito, que num acidente aos 14, fora chifrado por uma vaca e ficou cego.

Mas, poucos sabem o longo caminho percorrido por estes atletas até conquistarem o lugar mais alto no pódium, quantos quilômetros eles percorreram, quantos tênis eles gastaram, quantos quilos de comida consumiram e quantos litros de água ingeriram (talvez o suficiente para encher o estádio do Maracanã).

A corrida de rua é o esporte que mais cresce no mundo, haja visto o grande número de participantes nas diversas provas realizadas ao redor do nosso planeta, para se ter uma idéia, São Silvestres são realizadas mais de 10 no dia 31, incluindo Portugal e Espanha, entre outros países.

Para o grande público que assistia a transmissão da São Silvestre desconhecia o passado destas grandes atletas que por vários quilômetros comandaram a prova (razão esta pela carência de informação por parte da imprensa, que só se interessa pelo nosso futebol – que não tem sido um ótimo exemplo a ser seguido).

Um corredor de longa distância, independente de seu nível técnico ao representar o nosso país em algum evento no exterior, veste com orgulho a nossa camisa, e até paga do próprio bolso para poder representar o Brasil. Comportamento diferente de muitos jogadores de futebol (que na minha opinião não podem ser qualificados como atletas – salvo raras exceções).

Enquanto um atleta de alto nível corre os 15 km em 45 minutos (metade de uma partida de futebol), mal e mal um jogador consegue se locomove por mais de 5 quilômetros durante um jogo. Vejam na reapresentação dos jogadores, quantos faltaram para o início da pré-temporada (fase inicial da preparação física).

Vamos seguir os passos dos verdadeiros campeões:

1 km – 2´45 – projeção para o término da prova em 41´15
3 km – 8´15 / média de 2´45 km
5 km – 13´43 – projeção para o término em 41´1510 km – 28´44 – parcial 5 km = 15´0115 km – 44´15 – média de 2´57 km

Comentário técnico: Até o 10 km os atletas tinham condições que bater o recorde da prova que pertence a Paul Tergat de 43´12 / 2´52 estabelecido em 1995. Se Tesfaye Jifar tivesse feito este tempo em 2000, teria sido o 6º colocado.

Os 15 km da São Silvestre é uma prova tão dura que se observarmos o recorde mundial da meia-maratona (21.098 metros) de 59´06 média de 2´48 por quilômetro que pertence ao pentacampeão da São Silvestre, Paul Tergat, é mais rápido do que os 15 km de São Paulo.

A melhor marca nacional dos 15 km está de posse de dois atletas Valdenor Pereira dos Santos com 42´21 / 2´50 km, estabelecido em Tampa na Flórida em 1993, e ao Ronaldo da Costa, que em 1994, também em Tampa iguala a marca, Ronaldo foi o campeão da São Silvestre em 1994, ex-recordista mundial da maratona com 2h06´05, estabelecido em Berlim em 1998.

Algumas meses antes da São Silvestre por onde “andavam” três primeiros colocados da São Silvestre:

John Yuda da Tanzânia, conquistava a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Meia-Maratona realizado em Bristol na Inglaterra no dia 7 de outubro, com 1h00´12, atrás de Tesfaye Jifar, medalha de prata com 1h00´04, apenas 1 segundo do medalha de ouro do etíope Haile Gebrselassie, com 1h00´03 (sua primeira participação em uma corrida de rua, ele que é a maior estrela da atualidade em provas de pista, recordista mundial dos 5.000 (12´39″36 / 2´36 km em 13 de junho de 1998 em Helsinki na Finlândia, sendo que 12 dias antes em Hengelo na Holanda, quebra o recorde mundial dos 10.000 metros (26´22″75 / 2´38 km), é também bi-campeão olímpico destas distâncias. Sua estréia em maratona será no mês de abril em Londres, cujo cachê será de 500 mil dólares.

Já o segundo colocado na São Silvestre, o queniano Guilbert Okari, no dia 30 de setembro em Pittsburgh, nos Estados Unidos, na Great Race 10-K, estabelece sua melhor marca em 27´34 / 2´45 km.

Como vocês podem observar, vencer um competição não é por acaso.

Este texto foi escrito por: Wanderlei de Oliveira

Redação Webrun

Redação Webrun

Releases, matérias elaboradas em equipe e inspirações coletivas na produção de conteúdo!

Ver todos os posts