Mitos das corridas longas nos Jogos Olímpicos

Nesta edição, pouco antes dos Jogos Olímpicos de Atenas, nada mais certo do que falar de três grandes nomes do atletismo mundial em Olimpíadas para servir de motivação para nossos atletas e, sobretudo, servir de preparativo para todos nós, amantes do esporte, que em agosto estaremos com nossas atenções voltadas para a Grécia.

Vamos começar falando do finandês Johannnes Kolehmainem, que conquistou quatro medalhas de ouro e uma de prata nos Jogos de 1912 e 1920. Em 1912, em Estocolmo, Kolehmainen venceu os 5.000, os 10.000 e o cross country (que na época era modalidade olímpica) e foi medalha de prata por equipes no cross. Memorável foi a prova dos 5.000, quando teve uma árdua batalha para vencer, com recorde mundial, na época, com 14:36.6. Em 1916 não pôde dar continuidade às conquistas em função da não realização dos Jogos devido à 1ª Guerra Mundial. Quando os Jogos retomaram seu caminho, em 1920, em Antuérpia, venceu a maratona.

Outro destaque, considerado por muitos como o grande nome, é o checo Emil Zatopek, a Locomotiva Humana, que em 1948 ganhou os 10.000, em recorde mundial com 29:56.6. Aliás, Zatopek, que não era o favorito, imprimiu um ritmo alucinante, fazendo não só com que seus principais adversários não resistissem e desistissem, como também fez com que a arbitragem se equivocasse e anunciasse o final uma volta antes. Felizmente Zatopek fazia as contas e deu a volta adicional contra a orientação da arbitragem, para cumprir o percurso completo. Em Londres, três dias após a façanha dos 10.000, correu, ainda cansado, os 5.000 e foi medalha de prata. Mas foi em Helsinqui, na Finlândia, terra de fundistas, que veio a grande consagração de Zatopek, pois venceu, inicialmente com folga, os 10.000m, com 29:17.0. E quando todos esperavam que corresse “apenas” a maratona, surgiu para se alinhar e vencer os 5.000m, derrotando uma vez mais o francês Alain Mimoun, que já havia sido medalha de prata em Londres e nos 10.000 de Helsinqui (Mimoun iria conseguir sua sonhada medalha de ouro na maratona de 1956, em Melbourne, numa prova em que o próprio Zatopek, se recuperando de cirurgia, foi sexto).

Zatopek tem em seu cartel quatro medalhas de ouro e uma de prata. O mais marcante é o fato ter ganho três ouros em Helsinqui.

Propositalmente deixei por último aquele que considero o grande nome de todos os tempos: o finlandês Paavo Nurmi. Nos Jogos de 1920, em Antuérpia, Nurmi ganhou a medalha de ouro no cross e ainda venceu no cross por equipes. Também ganhou os 10.000m, tendo perdido apenas os 5.000m na estréia em Jogos Olímpicos, para o francês Joseph Guillemot, veterano da 1ª Guerra.

Nos Jogos de Paris, em 1924, tivemos um show de Nurmi em varias provas.

Venceu os 1.500m, e ainda teve que se poupar, pois 55 minutos após correria os 5.000m. Como sempre fazia, correu com cronômetros à mão, regulando o ritmo para não se desgastar em demasia. Resultado: nova vitória nos 5.000, deixando o compatriota Ville Ritola em segundo. No cross country, nova vitória de Nurmi sobre Ritola, com mais uma medalha de ouro por equipes e, finalmente, mais uma medalha de ouro, desta vez nos 3000m por equipe, prova em que foi uma vez o mais rápido de todos com 8:32. E o grande Nurmi não ficou satisfeito com a não escalação nos 10.000m, pois os dirigentes acharam que seria demasiado para ele. Decidiu, no mesmo dia da final dos 10.000, treinar forte a distância para mostrar que poderia vencer. Ao terminar, havia marcado um tempo superior ao de recorde mundial. Nurmi saiu de Paris com cinco medalhas de ouro (que poderiam ter sido seis se tivesse corrido os 10.000m).

Nos Jogos de Amsterdan, em 1928, Nurmi resolveu fazer uma incursão numa prova em que não era especialista, os 3.000 com obstáculos. Foi medalha de prata, perdendo para o compatriota Loukola. Nos 10.000m, mais uma vitória, derrotando o compatriota Ritola. Nos 5.000m, ganhou prata, perdendo para Ritola, mas numa prova que sempre ficou a dúvida se Nurmi se empenhou a fundo ou se deixou o compatriota vencer.

O grande Paavo Nurmi ainda sonhava em ganhar uma última medalha nos Jogos de 1932, em Los Angeles, onde disputaria a Maratona, mas foi proibido de participar poucos dias antes por ter recebido acima do permitido à época para disputar algumas corridas. Isso deixou Nurmi profundamente abalado e só foi redimido nos Jogos de 1952, em Helsinqui, quando foi escolhido para entrar no estádio carregando a Tocha Olímpica. Sem dúvida, Nurmi com suas nove medalhas de ouro e três de prata, é o exemplo a ser seguido.

Outros grandes nomes vieram depois, como Abebe Bikia, Lasse Viren, Waldemar Cierpinski, entre outros grandes nomes ainda virão .
Vamos torcer para vermos em Atenas, Pequim, e no futuro, o surgimento de novos ídolos e ícones para o nosso esporte.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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