• Corrida de Montanha - Mudança de tempo marca 4ª Mizuno Uphill Marathon

Mudança de tempo marca 4ª Mizuno Uphill Marathon

Subir a Serra do Rio Rastro virou meta para muitos corredores que querem aquele ‘algo a mais’ em seu histórico de superação. Neste último sábado (3), atletas enfrentaram, e muitos pela primeira vez, as íngremes subidas da Mizuno Uphill Marathon, que trouxe duas novidades: a distância dos 25 km e o Desafio Samurai, que consiste em fazer os 25 km pela manhã e os 42 km à tarde. Ou seja, uma ultramaratona com uma janela de descanso mínimo entre uma distância e outra.

Detalhe: neste desafio, o atleta sobe a serra duas vezes, já que o percurso é praticamente o mesmo.

Corredores emocionados antes da largada Foto: Christina Volpe


25 km

A nova distância agradou corredores que ainda não alcançaram a linha de uma maratona, mas que não dispensam um percurso que tira da zona de conforto. Os atletas largaram às 7h do sábado (3), a partir da cidade de Lauro Muller (SC), rumo à Serra do Rio do Rastro.

“Estou muito feliz e surpreso com esse pódio. Achei mesmo que teria um pouco de trabalho porque não conhecia o percurso, que é bem técnico. Mas consegui ditar um bom ritmo para essa prova: comecei com um pace abaixo de 4 e nos 7 km finais da subida mantive entre 4 e 5”, conta Fernando Bezerra, que nunca havia feito uma prova desse tipo. Bezerra diz que não treina como gostaria, e que aproveita seu trabalho para correr o que pode. “Sou coletor de lixo domiciliar em São Paulo, então o trabalho exige que eu corra. Mas treino quando posso e quero me superar ainda mais”, conta o atleta, que também participou do Desafio Samurai, mas não pegou o pódio do segundo round.

Campeão 25km Foto: Christina Volpe

A cidade de Uberlândia (MG) ficou em segundo lugar, conquistado pelo atleta César Moura, que corre desde o começo do ano. “Sou atleta de mountain bike e comecei a correr por incentivo do meu treinador. Desde então, tenho pego pódio em provas de 10 km e 15 km. Nunca tinha feito uma prova de subida e nessa distância, e ganhar em segundo foi uma grande satisfação”, conta Moura. O professor e triatleta Rodrigo Dantas chegou em terceiro e achou a prova bem difícil. “Nunca tinha feito uma corrida assim. Me preparei para o desafio uns 4 meses antes, e tive que adaptar meu treinamento, já que não tem subidas na cidade onde moro. Mas gostei muito da prova e da organização, sem falar que o cenário do percurso é lindo demais”, conta Dantas, que mora em Jaboticabal (SP).

Campeões do masculino nos 25k Foto: Christina Volpe/Webrun

As mulheres também deram um show de resistência e mostraram excelente preparo. Letícia Saltori, que chegou em primeiro lugar, assumiu o primeiro lugar dos 25 km. A atleta de Curitiba (PR) já conhecia o percurso e o pódio não é novidade: Letícia participou da edição de 2014 e ganhou em primeiro lugar na categoria feminina dos 42 km. “Me senti muito mais inteira do que na outra edição. Tentei imprimir um ritmo intermediário para poupar energia para finalizar o Samurai. Tem uma hora que fica difícil seguir, mas o tempo inteiro tinha gente falando comigo para eu levantar a cabeça e melhorar a postura e o ânimo”, conta a atleta de alto rendimento, que também ganhou o primeiro lugar feminino do desafio samurai. “Estou me preparando desde o começo do ano, deixei de participar de outras provas para me resguardar. Treinei bastante na serra da Graciosa, que me permitiu ficar bem mais confiante. Neste ano, a paisagem da Uphill estava maravilhosa, só no comecinho que pegamos um pouco de neblina. O tempo bom pela manhã deu um brilho a mais para o percurso”, completa a samurai.

Leticia participou do desafio Samurai e também saiu como campeã Foto: Christina Volpe

Pouco tempo depois, avistamos Angelina Rafael, que chegou em segundo lugar. Muito emocionada, a professora de educação física contou que prometeu para si mesma que não iria andar durante a prova. “Não treinei como gostaria. Apesar de gostar de provas de subidas, não faço muito esse tipo de treinamento na prática. Quando faltou 400 m para acabar a prova, achei que não conseguiria continuar correndo, tirei forças de onde não tinha”, conta Angelina. “Vir para cá foi uma surpresa, fiquei sabendo que estava dentro do desafio no final da data do sorteio, por meio de alunos que viram. Minha estratégia para ir bem foi fazer uma largada conservadora. Comecei a aumentar o ritmo no meio da prova, e disse que andaria só se sentisse muita dor. Nos 5 km eu consegui passar a então segunda colocada (Daniela Santarosa), que me incentivou a continuar. Essa foi a minha prova do ano, abri mão de um campeonato que sempre participo para vir para cá, e valeu a pena estar aqui por tudo”, finaliza a atleta de Santos (SP).

Angelina participou pela primeira vez da prova e garantiu a segunda colocação Foto: Christina Volpe/Webrun

Daniela Santarosa, veterana no mundo da corrida e nos pódios da Mizuno Uphill, chegou em terceiro lugar. “Adoro essa prova, é bem minha cara. Por isso estou sempre participando. Vim mais tranquila nessa primeira etapa para encarar bem os 42 km. Vamos ver como me saio”, disse a atleta gaúcha, que chegou em segundo lugar na maratona do ano passado. Neste ano, infelizmente não completou os 42 km que consagrariam a atleta como samurai. “Comecei a subir muito bem e senti, lá pelo km 8, falta de água. Desidratei e perdi muito rendimento. Depois vieram as náuseas, glicemia começou a baixar, vindo com um extremo cansaço. Muita gente veio me ajudar e fui até o km 38″, relata. Talvez desse para terminar, mas pressenti algo ruim e decidi que não valia a pena, acho que quem está acostumado a me ver cruzar a linha de chegada não me reconheceriam”, completa Daniela.

Daniela Santarosa foi a terceira colocada nos 25k Foto: Christina Volpe

Pódio das campeãs dos 25k Foto: Christina Volpe/Webrun

42 km

A voz da Serra do Rio do Rastro ecoava entre a neblina do percurso dos 42 km. Os atletas sentiram na pele o poder imprevisível da natureza: de manhã, o tempo estava aberto e com pouca neblina; à tarde, por sua vez, o clima fechou no meio da prova – frio, vento gelado e muita neblina foram obstáculos extras para os ninja runners.

Marcelo liderou a prova de ponta a ponta Foto: Christina Volpe/Webrun

A largada foi dada no mesmo horário do ano passado, às 15h, após uma apresentação emocionante de música japonesa. Sob a fortes rufadas dos taikos (tradicionais tambores da cultura japonesa), largaram os maratonista e corredores do desafio Samurai.

A prova foi liderada de ponta a ponta pelo atleta Marcelo Rocha, campeão de 2015 e favorito para o título. Adriano Bastos e mais um pelotão de três atletas seguiu próximo a Marcelo por uns 15 km. Depois o campeão abriu distância e chegou na parte mais difícil da prova, a serra. “Senti muito frio durante a prova, mas mesmo assim achei que meu ritmo estava bom. Tive espasmos e quase algumas cãibras, segurei o ritmo”, diz.

Adriano Bastos, segundo colocado em 2015, era um dos favoritos ao título da prova Foto: Christina Volpe

Marcelo, que trabalha como carteiro, contou que este ano estava consciente do que enfrentaria, então se sentiu melhor na disputa. “Eu não podia perder o foco. A Uphill é a minha prova, vou em busca do tricampeonato e tentar fazer história. Não estou preocupado em bater recorde, vou respeitar a natureza e meu corpo”, afirma.

A neblina apareceu no início da Serra do Rio do Rastro e permaneceu até o final da prova Foto: Christina Volpe/Webrun

Ele terminou a prova em 3h17min30s, e cogita enfrentar o Desafio do Samurai. “É puro treino, se tiver condições posso tentar, mas ainda estou ressabiado”, finalizou o mensageiro da montanha.

Marcelo conquistou o bicampeonato na prova e agora já planeja sua próxima participação Foto: Christina Volpe/Webrun

A segunda colocação ficou com Ivan Pires, com o tempo de 3h25min48. “Essa foi minha primeira maratona, então estou muito feliz. O frio é minha praia, me senti confortável, apenas fiquei um pouco cansado nos primeiros 5 km. Demora um pouco até encaixar o ritmo, mas me foquei e consegui um bom resultado”, diz.

E o pódio foi finalizado com o atleta Cleber Isbin: além de ficar com a terceira colocação nos 42 km, foi o grande campeão do Desafio Samurai. Ele finalizou a prova em 3h30min5. “Fiz uma prova cautelosa, porque na parte da manhã tive uma cãibra muito forte, então me resguardei. Como não queria andar na serra de forma nenhuma, permaneci bem focado”.

Isbin contou que montou um treinamento específico em sua cidade, onde subia e descia uma rampa, que possui o mesmo nível de inclinação das curvas da Uphill, até dar 25 km. “Levei meu corpo ao extremo nessa prova. Ninguém treinou mais do que eu, podem ter treinado a mesma quantidade, mas me esforcei muito. Não fiquei feliz com meu resultado no ano passado, então vim com a missão de ser melhor”, disse Isbin. Parabéns a todos os corredores que participaram e superaram seus limites!

Mulheres

Já entre as mulheres, tivemos Ana Paula Martins que não deu chances as adversárias, ela liderou praticamente toda a prova e conquistou o lugar mais alto do pódio em 4h07min57. “Corri mais tranquila neste ano, mas comecei a sofrer mais a partir dos últimos sete quilômetros. Como deu um pouco mais de 42km fiquei nervosa, mas não ia deixar passar. A torcida deu muito apoio nessa reta final e foi essencial”, conta.

Ana Paula que ficou na terceira colocação em 2015, venceu a edição deste ano Foto: Christina Volpe/Webrun

A segunda colocação ficou com Letícia Saltori, que venceu os 25km e o Desafio Samurai, finalizando em 4h09min48. Roberta Nozari completou o pódio com o tempo de 4h25min37.

Para quem ficou de fora e quer participar, fique de olho: as pré-inscrições abrem hoje para Mizuno Uphill Marathon de 2017.

Comentários

Christina Volpe
Comecei como corredora, depois me tornei jornalista e repórter do Webrun. Hoje sou editora e convivo diariamente com o esporte há 3 anos. Meu coração bate mais forte toda vez que um atleta conquista seu objetivo, uma corrida acontece e assisto uma competição emocionante. Sempre estou aprendendo e dando meu melhor.
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