O Especialista

Este mês eu gostaria de eleger uma personagem que será a personagem do mês. Gostaria de tratar do especialista.

Muitas vezes lemos em revistas especializadas, ouvimos na televisão, nos programas esportivos especialistas de tudo dizendo todo tipo de coisas e, na psicologia do esporte não é diferente, sempre tem um especialista em psicologia do esporte para afirmar os argumentos mais óbvios com um certo léxico “psicologues”.

Não é nada difícil encontrarmos um sujeito especialista em psicologia do esporte, que nunca estudou psicologia, explicando a derrota de um time de futebol ou o corredor não ter conseguido a melhor colocação quando ele era uma promessa. Nesses momentos nos deparamos com pérolas do tipo: “ele estava psicologicamente abalado” ou ainda “ele estava desmotivado”. Fico pensando o que esses termos dizem para o público leigo pois, dentro da psicologia do esporte, disparados dessa forma, são tão vagos que chegam a não dizer nada.

Os especialistas aparecem também atuando com atletas, o que é muito pior pois, por não serem formados em psicologia, metem-se a não só dizer coisas inadequadas sobre o assunto, mas também a atuar como psicólogo.

Devemos ter clareza que o conhecimento é um campo aberto. Todos podem compartilhá-lo, discuti-lo e renová-lo, mas a atuação é campo restrito ao profissional formado. Quero dizer que, como psicólogo, eu posso estudar bastante sobre Cirurgia Plástica, Nutrição ou Educação Física, mas isso não me permite, em momento algum, a realizar uma cirurgia, passar uma dieta ou um treinamento para alguém.

Do mesmo modo, conhecer a psicologia do esporte não autoriza nenhum outro profissional, que não seja psicólogo, a atuar como Psicólogo do Esporte. É muito comum que os especialistas citem teorias que dizem ser transformadoras, tais como a neuroliguistica, que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia. Com isso, quero quer questionar como é possível que um “especialista” em psicologia do esporte diga que aplica neurolinguistica se essa prática não é nem mesmo reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia?

Desse modo, como várias vezes recomendei que se procurasse um Educador Físico quando os problemas se relacionavam ao treinamento físico, recomendo ao leitor que procure um psicólogo, formado em psicologia, quando houver um problema relacionado à psique.

Reafirmo aqui que o trabalho em conjunto do Educador Físico com o Psicólogo do Esporte traz inúmeros benefícios não só a atletas, mas também a todos aqueles que praticam uma atividade física. Mas, um cuidado deve ser tomado: não se engane com Educadores Físicos que se dizem especialistas em Psicologia do Esporte. Eles podem conhecer a teoria e discuti-la nos meios acadêmicos mas, para atuar como psicólogo, eles precisam antes, fazer uma faculdade de psicologia.

Este texto foi escrito por: Marcus Teshainer

Redação Webrun

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