Ohata e Colucci falam da preparação olímpica

Ohata chega à sua 3ª Olimpíada (foto: Fernanda Paradizo/ www.webrun.com.br)
Ohata chega à sua 3ª Olimpíada (foto: Fernanda Paradizo/ www.webrun.com.br)

Mariana Ohata e Reinaldo Colucci, triathletas brasileiros classificados para as Olimpíadas de Pequim desse ano, conversaram com a imprensa na última quinta-feira (29) sobre os últimos preparativos para a competição. Ambos contam atualmente com o apoio do Clube Pinheiros rumo à jornada chinesa e tem como objetivo chegar pelo menos entre os 10 primeiros colocados.

São Paulo – Natural de Descavados, interior de São Paulo, Colucci não fez parte da equipe que disputou os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro no ano passado, pois se lesionou durante o período em que os triathletas tentavam índice. Por isso ele começou sua preparação olímpica no início de 2007. “Comecei do zero a tentativa de classificação, mas graças a Deus consegui bons resultados. Entre 11 provas disputadas consegui ficar entre os 10 melhores em cinco ocasiões”, ressalta.

Apesar de afirmar modestamente que tem chances de chegar entre os top 10, ele não esconde a esperança de brigar por um lugar ao pódio. “Às vezes a diferença do primeiro para o décimo é muito pequena, então brigar por uma medalha é questão de como estarei no dia e da forma como conseguirei encaixar a minha prova”.

Esse ano Reinaldo completa 23 anos e é considerado uma das revelações da modalidade no país, que atualmente não tem uma renovação constante. Com duas vagas de triathlon disponíveis para a delegação canarinho, até o momento apenas ele tem a vaga assegurada, enquanto Juraci Moreira luta contra o tempo e tentará no próximo dia oito carimbar o passaporte.

Poluição – Um tema que tem se tornado muito popular desde que Pequim foi escolhida como cidade sede para os jogos é a questão da forte poluição que assola a capital chinesa, fator que pode complicar a performance segundo alguns atletas de outras modalidades. Colucci afirmou que participou de um evento teste no local ano passado e não teve muitas dificuldades.

“Ano passado choveu muito nos dias anteriores à prova, então limpou o ar e talvez não tivemos a sensação real de como serão as coisas, mas no dia da competição o sol abriu e pudemos perceber que o céu é bem cinza”. Ele não acredita, porém, que isso seja um fator de complicação. “Todos competirão em condições iguais, se um for prejudicado, todos serão”.

Ao ser perguntado sobre um possível jogo de equipe com Juraci, caso ele também conquiste a vaga e integre a delegação, Colucci afirma que isso só seria possível no trecho de ciclismo. “O vácuo é liberado na bike, mas mesmo assim seria complicado, pois nem sempre dá para sair da natação juntos”.

Treinos – Especialista no ciclismo, ele vem focando a parte de corrida nos treinamentos, pois além de ser o trecho que decide a competição, é a modalidade que ele ainda tem algumas dificuldades. “Comecei o ano um minuto atrás do vencedor da prova, agora acho que falta melhorar uns 20 segundos para conseguir um bom resultado”.

Sempre viajando para vários locais ao redor do mundo para competir, Colucci já chegou a ficar seis meses consecutivos longe de casa, o que certamente o faz sentir falta de algumas coisas. “Sinto saudades de guaraná”, brinca. “Às vezes até encontro em alguns países como a Suíça, mas uma latinha custa o equivalente a R$5, então me controlo para tomar de vez em quando”, completa.

Ele continuará os treinos no exterior, já que partirá para Leysin, na Suíça, onde iniciará seu treinamento de altitude. Em julho ele irá para a etapa da Copa do Mundo em Tiszaujvaros, na Hungria, e na segunda quinzena de agosto, parte para a ilha de Jeju, na Coréia, para a adaptação final ao clima e fuso horário asiático.

Enquanto Colucci se prepara para sua primeira olimpíada, a experiente Mariana Ohata, natural de Brasília (DF), 29 anos, segue rumo à terceira participação olímpica, já que esteve presente em Sidney 2000 e Atenas 2004. Ela será a única representante brasileira na competição deste ano.

Mariana foi a sexta colocada nos Jogos Pan-americanos, sendo a melhor brasileira, e de lá pra cá vem disputando diversas competições internacionais com o objetivo de acumular pontos e agarrar com unhas e dentes a vaga olímpica. No ritmo atual de treinos, ela tem rodado de 30 a 35 quilômetros de natação, de 400 a 450 de ciclismo e no mínimo 90 de corrida semanalmente, para chegar a Pequim no ápice da forma física.

“Assim como o Reinaldo vou com o foco de tentar completar a disputa entre os 10 primeiros, mas sem deixar de pensar na medalha”, ressalta. Hexacampeã brasileira de triathlon em 1999; 2000; 2002; 2003; 2005 e 2006, ela começou no esporte como nadadora, antes de ser incentivada por seu treinador a ingressar no triathlon.

Jogo de Equipe – Durante a disputa do Pan ela sofreu muito com o famoso jogo de equipe do time dos Estados Unidos, que tinha uma atleta especialista em cada modalidade, mas acredita que em Pequim a história será diferente. “O nível será muito mais elevado, serão 55 meninas e vários países levarão três atletas, o que dificultará esse tipo de estratégia”.

Assim como o companheiro de clube, Ohata não vê a poluição como um fator que possa prejudicar. “Sempre viajamos para vários lugares nas competições que disputamos e é sempre necessário se adaptar às condições que o local oferece. Em Pequim não será diferente, todos terão condições iguais”.

Com a ida de apenas uma triathleta para a China, já que Carla Moreno não quis fazer campanha olímpica este ano, fica evidenciado que o Brasil precisa de uma nova geração de atletas mulheres. “A CBTri (Confederação Brasileira de Triathlon) tem um centro de treinamento e espero que apareçam outras meninas, se não eu terei que continuar indo muito tempo”, brinca Ohata que afirma ainda que parcerias como a do Clube Pinheiros sempre são um incentivo a mais para que venha a renovação.

Assim como Colucci, por já estar classificada para a Olimpíada, ela não disputará o Mundial da modalidade no próximo dia oito, no Canadá, e seguirá a mesma programação que o colega. Ela viajará nos próximos dias para a Europa, onde realizará treinos de altitude e, antes de se aclimatar na Ásia, compete a etapa de Tiszaujvaros da Copa do Mundo, na Hungria. As provas de triathlon acontecem nos dias 18 e 19 de agosto, na região norte de Pequim, no Distrito de Changping.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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