Oita International Wheelchair Marathon

O Governanor de Oita entre Irajá (esq) e Carlão (dir (foto: Iranílson Silva)
O Governanor de Oita entre Irajá (esq) e Carlão (dir (foto: Iranílson Silva)

A categoria Cadeirantes não possui um Campeonato Mundial específico, no entanto, a prova realizada na cidade de Oita no Japão é um feito único reunindo anualmente mais de 800 atletas cadeirantes e faz dela o maior evento mundial da modalidade Cadeirantes.

Trata-se da Oita International Weelchair Marathon que reúne no evento duuas provas: a Maratona (42.195m) e uma Meia Maratona (21.097m).

Se não estão presentes todos os grandes nomes da modalidade, mas a prova reúne muitos deles, como o mexicano Saul Mendoza campeão olímpico dos 1500m e vencedor da Maratona de Nova York entre renomadas provas.

Na Maratona o vencedor o suíço Heinz Frei com a marca de 1:22:20 seguido pelo mexicano radicado nos Estados Unidos, Saul Mendoza com a marca de 1:29:37 e pelo francês Joel Jeannot com 1:29:37.

No feminino a vitória ficou com a japonesa Tsuchida Wakako com 1:38:32 e na segunda colocação a sueca Gunilla Wallengren 1:44:20 seguida pela suíça Sandra Graf com a marca de 1:44:24 em terceiro lugar.

Já a Meia Maratona foi vencida pelo japonês Watanabe Shusuke (45:01) numa empolgante disputa final com o pelo mexicano Hector Hernandez (45:02) o segundo colocado. O japonês Sasahara Hiroki ficou em terceiro lugar com o tempo de 45:02.

No feminino assim como no masculino o Japão conquistou o degrau mais alto do pódio com a atleta Nagasawa Asako completando os 21,1K em 1:02:16.

Na segunda colocação a chinesa Wen Qin com o tempo de 1:04:07 seguida pela japonesa Yamaki Tomom (1:04:07) em terceiro lugar.

O Brasil esteve presente no sendo que a delegação brasileira que foi competir na Maratona de Oita partiu para o Japão com 10 componentes, cinco atletas e cinco cartolas. O Presidente da Abradecar – Irajá Brito Vaz, um fotógrafo, um médico, o secretário geral da Abradecar e o atleta Iranilson Silva que desta vez foi como técnico da delegação.

Os atletas Cadeirantes que partiparam do evento foram Carlos Roberto Oliveira (“CGDCR”/DADO BIER TEAM/RS), 29º colocado com 54:14), Wendel Soares CETEFE/DF, 44º colocado 56:04, Altemir de Oliveira (MCR INFORMÁTICA/CAFÉ DO PORTO/ARPA/RS), 48º colocado com o tempo de 56:11, Ariosvaldo da Silva CETEFE/DF, 92º lugar com 1:02:25, Ronílson dos Santos PÃO DE ÁÇÚCAR CLUB/ÁGUIAS EM CADEIRA DE RODAS, 93º com 1:02:41 e Esequiel da Rosa CEDE/PR, 183º lugar com 1:23:32.

Após uma viagem de 46h56min, contando a partir da saída de casa, ida até o Aeroporto Salgado Filho, espera do vôo até São Paulo, escala no Aeroporto de Guarulhos em Cumbica, escala no Aeroporto de Lima/Peru, escala no Aeroporto de Los Angeles/USA, escala no Aeroporto de Narita/Tóquio/Japão (vôos internacionais), translado de ônibus de 2h 30min até o aeroporto de Haneda/Tóquio/Japão (para vôos domésticos, vôo de 1h 40min até a chegado ao aeroporto de Oita, mais 1h 40min de translado de ônibus até a cidade de Oita. Ufa. é muita viagem!

A viagem muito foi tranqüila, saímos na segunda-feira do Brasil e chegamos às 23h 30min de quarta-feira na cidade de Oita. Na quinta-feira já começaram os treinos o que contagiou a galera (de todos os que foram p/competir o único com experiência internacional era eu) é muito importante você correr, treinar com “as feras”, pois até os mais experientes aprendem alguma coisa. Sempre tem alguém com uma coisa nova, um equipamento, a “tocada” (técnica de impulsão) diferente, maneira de sentar na cadeira diferente, neste tipo de competição sempre aparece alguém com algum equipamento novo alguma técnica diferente. São nesses momentos preciosos que podemos tirar alguma informação do que rola de novo no mundo. É muito legal e muito proveitoso para qualquer atleta fazer intercâmbio. Aliás é necessário.

As “turnês” de turismo, foram muito restritas, mas sempre eram muito atrativas. Outra cultura, outros hábitos. Chama muito a atenção de nós ocidentais. Por exemplo, é muito estranho “para nós ocidentais” vermos uma pessoa na rua com uma máscara cirúrgica, (em respeito aos demais, pois ela está resfriada). A cidade é de uma limpeza fenomenal, não se vê sujeira na rua, não se vê ninguém na condição de mendicância dos quase dez dias que estivemos lá eu ouvi apenas duas vezes alguma buzina de automóvel, apesar de haver um movimento bastante considerável. Respeito, respeito e mais respeito.

Na cidade de Oita, em toda ela, nas calçadas, existem “trilhas” com bolinhas em alto relevo para que os cegos possam caminhar sem auxílio de bengalas ou precisar do auxílio de quem quer que seja, somente utilizam o sentido do tato, neste caso dos pés, com os quais identificam facilmente essas trilhas que têm um desenho diferente nos cruzamentos para haver o reconhecimento destes sem precisar do auxílio de uma pessoa “vidente” (que enxerga), os semáforos são sonoros para dar uma maior autonomia no ato de cruzar a rua, pois a pessoa sabe quando abre o sinal e quantos segundos tem para fazer a travessia em segurança, são equipamentos simples, mas que tornam as pessoas portadoras de deficiência visual INDEPENDENTES.

Para Cadeirantes é muito fácil transitar pela cidade uma vez que encontrei apenas UMA rua com meio fio, as demais eram todas no mesmo nível da rua, bem como a entrada de todos os prédios, comerciais, lojas, cinemas que fui. Ao contrário no Brasil, onde existe uma obsessão por escadas e por elevação do nível das entradas dos prédios e até mesmo de repartições públicas. É ridiculamente engraçado vermos as instituições públicas fazendo campanhas contra as barreiras arquitetônicas e não movem uma palha sequer para remover as barreiras atuais e impedir a construção de novas.

Lá em Oita, quando eventualmente cai um papel no chão é normal ver três ou quatro pessoas tentando recuperar para colocar na lixeira ou em seu próprio bolso e posteriormente depositar em algum lixo. Eles são de uma educação impressionante, sem falar na sua eficácia e profissionalismo. Simplesmente nada falhou. Como brincadeira, nós pedíamos que desse alguma coisa errada para podermos reclamar, pois não conseguimos reclamar de nada, pois eles eram exatos, SEMPRE. O médico da delegação, sujeito religioso, fez o seguinte comentário: “Que Deus é brasileiro, todos nós sabemos, mas a assessoria dele deve ser toda Japonesa”.

Essa parte cultural nem se compara com o conhecimento e experiência desportiva adquirida em uma viagem dessa. É impressionante você ver atletas com ALTÍSSIMO comprometimento tendo poder de fogo incrível. As oportunidades chegam até eles. É extremamente frustrante você ver atletas com apoio de patrocinadores como Adidas, Shell, Volkswagem, Pepsi, Mercedes Benz, enfim, é um desfile de patrocinadores que nos poe atônitos e nós tendo que, na maioria das vezes arcarmos com despesas de alimentação e hospedagem para podermos participar de provas no Brasil e exterior. O Brasil tem dimensões continentais. Fica MUITO difícil para os atletas deslocarem-se no Brasil para competir, arcando com suas despesas.

Outra coisa que impressiona é que a cidade inteira vive a Maratona, no dia da corrida, a população, em quase toda a sua totalidade sai às ruas para torcer. Por onde a corrida passa japoneses e outros habitantes, gritam continua e freneticamente “gambate” “gambate kudasai” (pronúncia gambarê, gambarê kúdasai) ou seja algo como não pare, dê tudo de si, força, é um espetáculo fantástico, por todas as ruas e pontes da cidade. Na chegada da corrida no lindo e moderno estádio municipal da cidade, além das autoridades e grande parte da população (o estádio fica com um público em torno de 10.000 pessoas) espera também a imprensa, escrita, falada e televisada, profissionais de todas as mídias, de todo o Japão vão a Oita documentar a prova. Lá existe respeito aos atletas. É até desconfortante, para quando é a primeira vez, você ser tratado desta maneira tão desigual (para melhor) se comparada com o Brasil.

Os corredores do Brasil fizeram uma grande corrida, poderiam ter chegado em colocações melhores, todos, não fosse um lapso da ABRADECAR de não mandar os tempo de qualificação, por exemplo com o tempo da Meia-Maratona Internacional do Rio de Janeiro 52minutos poderia ter largado muito próximo ao pelotão de elite e ter brigado pelas 10 primeiras colocações. Mas no ano que vem estou qualificado para largar entre os trinta primeiros, a coisa vai ser diferente.

Este ano para piorar ainda tive uma lesão grave no ombro esquerdo, rompimento parcial de um tendão (manguito rotador), que me deixou de molho por dois meses, cheguei a pedir para a comissão técnica me substituir por outro atleta, mas do Japão veio a informação de que isso era impossível (as inscrições e trocas ocorrem até no máximo os primeiros dez dias do mês de outubro). Para mim foi vantajoso pois sei que apesar de todos os contratempos ainda posso correr entre os 20 melhores corredores do planeta. E neste ano tem mundial na França, tem várias provas, na Coréia, no Japão, nos Estados Unidos, França, Suiça que recebi convites, vou trabalhar forte para ver se consigo ir em algumas provas importantes.

O colega Altemir Oliveira foi acometido de um mau súbito (infecção renal) que quase colocou o sujeito fora da competição. Foi atendido em emergência no hospital de Oita, segundo ele ficou espantado com a rapidez com que foi atendido. “Em quinze minutos eu já estava sendo medicado” diz Altemir. Isso no dia anterior a prova. Certamente teve dificuldades a mais na hora da prova, uma vez que estava com a plena condição abaixo do ideal. E pra finalizar teve uma viagem “de cachorro” quase ficou hospitalizado em Los Angeles em virtude da alta febre. Mas agora também está voltando. Está com dois patrocinadores a MCR Informática, empresa de Softwares de São Paulo e o Café do Porto empresa gaúcha, apostando no Rio Grande. Também está com alguns convites para provas no Brasil e exterior e promete esse ano vou “rebentar”. Força garoto precisamos de atletas determinados como você.

Também sei que os outros atletas que viajaram para Oita estão esperando a chance de poderem demonstrar melhor os seus dotes atléticos neste ano de 2002 na Maratona de Oita, uma vez que TODOS ficaram bem colocados e largam, desta vez, próximos ao pelotão de elite.

Sucesso garotada e avante Brasil!

Este texto foi escrito por: Carlos Roberto de Oliveira

Redação Webrun

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