Olimpíadas e suas histórias curiosas

No início do próximo mês, no dia 5 de agosto, tem início mais uma Olimpíada. Desta vez, será em terras tupiniquins, nosso Brasil. Não vejo a hora de acompanhar as provas de atletismo, que começam no final da segunda semana com o “gran finale” a maratona masculina, no último dia dos jogos Olímpicos.

São muitas provas imperdíveis como os revezamentos, os cinco mil metros, 100 e 200 metros rasos, a maratona e também as provas onde temos poucas chances de medalhas com nossos atletas, mas temos que torcer. Em função desta competição tão importante, resolvi escrever um pouco sobre a história das provas de fundo nas Olimpíadas e no Brasil. Não posso me estender muito, pois temos muitas, mas vou tentar abordar alguns momentos marcantes.

Não sei se vocês sabem, mas o atletismo começou muito antes da primeira Olimpíada organizada pelos gregos em 776 A.C. Várias civilizações já tinham a tradição de atividades atléticas que foram comprovadas através de fontes literárias e iconográficas a mais de cinco mil anos.

Vamos começar com o símbolo das Olimpíadas: o surgimento da maratona através do famoso soldado grego Filípedes que em 490 A.C correu até Atenas para avisar a vitória sobre os persas.

Registros apontam que os gregos já praticavam esse esporte por volta do século 14 a.C Foto: Donostia Kultura/CC BY-SA 2.0 Registros apontam que os gregos já praticavam esse esporte por volta do século 14 a.C Foto: Donostia Kultura/CC BY-SA 2.0

O mais interessante dessa história é o motivo desta corrida de quase 42 quilômetros: os gregos ao saberem da ameaça de combate com os persas deram ordem as suas esposas para, se não recebessem a notícia da sua vitória em 24 horas, matarem seus filhos e, em seguida, suicidarem-se. Como todos sabem os gregos ganharam a batalha, mas a luta levou mais tempo do que haviam pensado, de modo que temeram que elas executassem o plano. Para evitar isso, o general grego Milcíades ordenou ao soldado Filípides, que corresse até Atenas para levar a notícia e assim não provocar uma tragédia com a morte de mulheres e filhos dos soldados em batalha. Seja como for, cerca de 2400 anos mais tarde, em 1896, nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, Filípides foi homenageado com a criação dessa prova cuja distância era de 40 km, mas que desde 1908 está estipulada em 42,195 km.

Mulheres

Outra curiosidade é o registro da primeira participação das mulheres em uma corrida oficial, que aconteceu no século VII a.C em Esparta, por categorias segunda a idade, em um percurso equivalente a 160 metros. O motivo alegado pelos lideres da época era que as mulheres, como os homens, devem medir entre si a força e rapidez, pois a missão das mulheres livres é procriar filhos vigorosos.

Mesmo assim a participação de mulheres em Jogos Olímpicos só ocorreu de uma forma presente no século XX em 1928, cumprindo um programa de 100, 800 e 4×100 metros, o salto em altura e o lançamento do disco.

A primeira participação das mulheres em uma maratona olímpica aconteceu em Los Angeles no ano de 1984. Foi nesta maratona que a 37ª colocada a suíça radicada nos Estados Unidos Gabriela Andersen-Scheiss que, exausta chegou cambaleante ao estádio e proporcionou uma das cenas mais lindas e marcantes das maratonas de todos os tempos quando deu a ultima volta no Estádio se arrastando. Mas ela atingiu o seu objetivo e concluiu a prova. Todos que já viram esta cena se emocionam.

Brasil

No Brasil, as corridas de fundo foram introduzidas pelos ingleses, no Club Brasileiro de Cricket, no final do século XIX, no Rio de Janeiro, onde se faziam apostas para corridas a pé, realizadas entre jogos de críquete. Em São Paulo, o primeiro clube a ser fundado foi o São Paulo Athletic, em maio de 1888. De acordo com dados da época, em todos esses clubes surgiram no fim do século XIX e o atletismo era praticado de forma descontínua, não obedecendo às normas traçadas na Inglaterra.

Cornelius Horan empurra Vanderlei de Lima para fora da pista em Atenas 2004, quando o brasileiro liderava a maratona Foto: Wikipedia Cornelius Horan empurra Vanderlei de Lima para fora da pista em Atenas 2004, quando o brasileiro liderava a maratona Foto: Wikipedia

A partir de 1918, podemos dizer que tivemos a primeira corrida de fundo oficial com 24 quilômetros de extensão pelas ruas de São Paulo, patrocinada Estadão e denominada ‘Estadinho’, assim o atletismo ganhava novos interessados. Não podemos deixar de falar da São Silvestre, mais tradicional prova de rua do País. Criada pelo jornalista Cásper Líbero, que se inspirou em uma corrida francesa, em 1924. O nome é em homenagem ao Santo do dia.

Já nas Olimpíadas a primeira participação do atletismo brasileiro aconteceu nos Jogos de Paris, França, em 1924. Mas o primeiro resultado expressivo em provas de fundo demorou um pouco e aconteceu nas Olimpíadas da Grécia em 2004 com a medalha de bronze de Vanderlei Cordeiro de Lima. Bronze com sabor de ouro depois que foi derrubado durante a prova pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan.

Estamos ainda muito distante dos países africanos que dominam as corridas de fundo nas Olimpíadas, mas hoje podemos dizer que este é um esporte de grande importância em nossa sociedade. Um dos gestos dessa evolução é sem dúvida o movimento que de forma progressiva se transforma em locomoção. O homem ao longo dos séculos progredido com mais técnica sua forma de se locomover. Não sei onde iremos parar, mas tenho certeza que todos nós corredores estaremos atentos às provas de atletismo nesta próxima Olimpíada que promete muitas surpresas.

Este texto foi escrito por: Aulus Sellmer

Aulus Sellmer

Aulus Sellmer

Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP) com especialização em treinamento desportivo pela USP, marketing esportivo pela UCLA Berkeley EUA e administração esportiva pela FGV-SP. Atualmente é pos graduado no curso MBA Qualidade de Vida em Gestão Corporativa pela Universidade São Camilo; pos graduando no curso Fisiologia aplicada à clínica pela UNIFESP; proprietário da assessoria esportiva 4any1, colaborador da Rádio Eldorado FM 107,3 e revista Contra Relógio.

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