Organizadores de Corrida de Curitiba divulgam carta pedindo apoio da prefeitura local para reorganização do calendário esportivo

Nesta sexta-feira (26), a Associação dos Organizadores de Corridas de Rua de Curitiba divulgou uma carta aberta pedindo o apoio da prefeitura local. O documento aponta o descaso da Prefeitura de Curitiba quanto ao adiamento de provas e a reorganização do calendário esportivo diante do atual cenário.

Arthur Trauczynski, vice-presidente da Associação, comentou ao Webrun que o intuito da carta é  trazer a comunidade de corredores de Curitiba para dentro dessa luta que os organizadores enfrentam atualmente.

“Nós fizemos alguns pedidos bem razoáveis, em nenhum momento pedimos por dinheiro público ou pela retomada dos eventos durante esse período de incertezas e insegurança para realização dos eventos. O nosso pedido consistiu na prorrogação dos direitos de realização do calendário de corridas de rua de 2020 para 2021, ou consequentemente a prorrogação dos mesmos eventos que porventura ainda não possam ser realizados para 2022″, comenta.

De acordo com Trauczynski, o pedido é uma ação fundamental para que as empresas de Curitiba possam ter maior autonomia nas decisões mercadológicas de adiamento de prova, assim como para poderem passar informações aos atletas de forma mais objetiva. Em São Paulo algumas medidas assim já estão sendo tomadas pela prefeitura em relação aos organizadores de eventos esportivos.

Organizadores de Corrida de Curitiba divulgam carta pedindo apoio da prefeitura local para reorganização do calendário esportivo
Foto: Adobe Stock

Confira o conteúdo da carta, disponibilizada abaixo na íntegra:

“Essa é uma carta da Associação dos Organizadores de Corridas de Curitiba para os atletas da cidade e demais interessados,

Entendemos as suas preocupações a respeito das Corridas de Rua de 2020, compartilhamos de muitas dessas preocupações também. Nesse momento precisamos da sua compreensão, paciência e flexibilidade porque estamos tendo muitas dificuldades por aqui. O setor de eventos esportivos foi abandonado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de Curitiba, assim como pelas demais instituições que fazem parte da CAEEL (Comissão de Avaliação de Eventos de Esporte e Lazer).

Até onde pudemos compreender eles estão com diversos problemas e as nossas reivindicações não são prioridade no momento. Fizemos uma série de pedidos, tanto de informações quanto de definições sobre as corridas de rua na cidade e a única definição que temos até o momento é a de que: “A prefeitura não irá cobrar os itens de doação*, previstos em edital, para as provas que não aconteceram por conta da pandemia”. Ora, sobre isso somos muito agradecidos, porém infelizmente está muito longe do necessário para preservar a continuidade das empresas de eventos, dos empregos diretos e indiretos ou de qualquer interesse do setor privado seguir investindo no desenvolvimento do esporte na cidade.

*As doações são praticamente taxas impostas pela prefeitura da cidade aos organizadores, em um leilão anual de datas, algo que não faz o menor sentido ser cobrado, visto que os eventos não aconteceram.

Até o momento não pedimos por muito, pedimos pela empatia dos representantes públicos sobre o tamanho das dificuldades que estamos enfrentando, pedimos por sua parceria na busca por mecanismos legais que tragam maior autonomia para as empresas na tomada de decisões sobre as corridas. Atitudes simples que demonstram a boa fé e o cumprimento de uma função essencial do poder público, que é a prestação de serviços a sociedade.

É importante ressaltar que não pedimos por dinheiro público, tampouco pedimos pela retomada dos eventos durante esse período de incertezas e inseguranças para os atletas. O que foi requisitado pelos organizadores compõe o mínimo para a sobrevivência das empresas: a transferência do calendário de corridas de 2020 para 2021 (pois somente dessa forma podemos responder objetivamente para os atletas sobre as definições de cada evento), maior flexibilidade do poder público sobre as datas das corridas (para que possamos criar possibilidades de transferência dos eventos que já tinham corredores inscritos) e também pedimos pela isenção dos itens de doação dos eventos (visando reduzir o impacto financeiro que as empresas estão sofrendo nesse momento de paralização total, que é o maior visto na história desse segmento).

Representantes da SMELJ e da CAEEL, entendemos a sua dificuldade individual e o risco de exposição que você toma ao decidir ‘ajudar o setor’, o procurador dessa casa costuma deixar isso bem claro para nós todas as vezes que pedimos por qualquer auxílio. Agora, gostaríamos de propor que vocês se coloquem no nosso lugar, que vocês reflitam sobre os danos causados por essa falta de ação e empatia para com o setor, sobre as centenas de empregos diretos e indiretos que serão perdidos, sobre o impacto nas empresas de toda a cadeia produtiva da área esportiva, sobre os mais de 150 mil atletas ativos que seguem sem informações fundamentais dos seus organizadores sobre os eventos que tanto amam.

Prefeitura de Curitiba, precisamos do seu apoio. Precisamos de um mínimo para que o setor sobreviva e continue existindo em 2021.

Corrida de rua não é só Correr na Rua, Prefeitura. Atrás desse esporte e estilo de vida maravilhoso que promove a saúde existem milhares de famílias e pessoas, incluindo setores que se desenvolvem a partir desse esporte, como técnicos e assessorias de corrida, academias, empresas de artigos esportivos, hospitais do esporte, fisioterapeutas, fornecedores de insumos para eventos de corrida, e muitos outros que são impactados diretamente pela força do setor e volume de adeptos da modalidade. Corrida para nós é coisa séria.

Esperamos tempos melhores e mais empatia, seguimos na luta.
Associação dos Organizadores de Corrida de Rua de Curitiba.”

De acordo com Arthur, a expectativa da Associação com esta publicação é que exista uma mudança de postura por parte da Prefeitura de Curitiba, assim como maior envolvimento dos atletas nesse tema tão importante. “Precisamos de um diálogo aberto, mais empatia e vontade dos gestores responsáveis em resolver essa situação. A falta de ação nesse momento impacta negativamente de forma direta e indireta centenas de empresas, pessoas e famílias, incluindo é claro os mais de 150 mil corredores ativos na cidade que seguem sem informações objetivas sobre os eventos”, finaliza.

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Redação Webrun

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